O melhor produto

Publicação: 2019-08-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

camara cascudo

Qual o melhor produto do Rio Grande do Norte, o mais internacionalmente consagrado para representar o Estado a partir do moderno conceito de economia da cultura que em todos os países do mundo rende dividendos? A resposta dispensa reflexão, é óbvia: Câmara Cascudo. É possível que nossas festivas instituições culturais e turísticas não tenham consciência. E é tolice esperar algum tipo de mobilização de um trade oficial jejuno e inculto para essa grande tarefa.

Não é justo cansar os leitores demostrando o detalhamento de sua obra intelectual que vai além de uma centena de livros. Nem adianta ordenar aqui, nos alfarrábios incompletos de um mero cronista de jornal, o rol de pioneirismos e singularidades da sua produção, um marco na cultura brasileira. Seria totalmente em vão, sem peso junto aos organogramas e fluxogramas do turismo oficial, demonstrar sua contribuição na busca do conceito de identidade brasileira.

O que pode ter algum relevo, se é que os turistólogos oficiais concordariam de tão evidente, é o descaso das nossas instituições oficiais. A omissão de todas elas, sem exceção, ao longo da vida e depois da sua morte, é o legado perverso que acabou por deixá-lo órfão de uma celebração que lhe é devida, ele que, na solidão da sua aldeia, projetou-se no seu país e no mundo. Como um pobre e grande ourives, só contou com a genialidade do seu próprio talento.

Fez tudo, se é para não economizar o que até se deve à sua glória. Esteve entre os que conceberam a Universidade Federal, e ministrou, a convite do primeiro reitor, Onofre Lopes, a aula magna de sua instalação. Qualificou o Instituto Histórico do Estado como o seu peso de grande historiador; fundou a Academia Norte-Riograndense de Letras ao lado de Henrique Castriciano, o scholar; e qualificou um saber antropológico, daí o museu que tem seu nome.

Sem recursos, a não ser os proventos para a manutenção da família, chegou ao elenco das grandes editoras do Brasil e está nas maiores coleções, como a Brasiliana e a Documentos Brasileiros. É definitivo nas bibliografias referenciais dos países de língua portuguesa, além da Espanha e França e, como se não bastasse, formulou no Brasil os conceitos de Literatura Oral, Cultura Popular e Comunicação Gestual, e estudou o fabulário e suas raízes clássicas e eruditas.  

Sem delongas, como diziam os locutores de rádio, ergueu três monumentos intelectuais de magnitude insuperável: ‘Dicionário do Folclore Brasileiro’, ‘História da Alimentação no Brasil’ e ‘Civilização e Cultura’. As suas obras fundamentais estão consagradas no rol editorial da Universidade de São Paulo, a mais importante do continente, e é um dos ícones nacionais da editora Global. Um dia, e tarda, Natal há de merecer e honrar a grandeza de Câmara Cascudo. 

GESTO - Um colecionador de documentos relativos à História Brasileira, Ruy Souza e Silva, devolveu ao Instituto Histórico os papéis obteve em leilões e livrarias antiquários do Brasil.

VALOR - Com uma comunicação de apenas três linhas, remeteu 34 documentos históricos e correspondências, obtidos principalmente em São Paulo. É um gesto digno de homenagem.

FEIO - Os contratados do último concurso da saúde municipal estão sem receber gratificações de insalubridade e plantão. Razão: não há dinheiro. Pior: agora são 10 plantões a cada mês.

ESTILO - Na bolsa de especulações são cada dia mais evidentes os sinais de que vai além da reeleição a tática do deputado Ezequiel Ferreira. Não desejaria apenas renovar seu mandato.

SINTOMAS - Pelas prioridades assistencialistas que imprime às ações do Legislativo, parece disposto a um salto que precisa ser seguro para não perder a força de ter nas mãos um poder.

PONTO - Num campo e noutro, no governo e na oposição, o único ponto fora da curva, como variável não controlável, é o desempenho do Governo Fátima Bezerra no final dos quatro anos.

MAS - Na hipótese de um fracasso da popularidade petista, a luta será travada no campo das novas opções. Inclusive uma vaga de senador, hoje nas mãos de Jean-Paul Prates. É esperar.

E – Em todo caso, especulam as fontes, não está fora da luta uma candidatura a governo do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves. E trazendo a marca do retorno. O que, em política, é forte.

CÂMBIO - A facilidade para o troca-troca de partidos revela, na prática, que continua sem vínculo à fidelidade das ideias. Um gesto que deveria nascer naturalmente do compromisso. Fecharam uma porta, mas abriram uma janela e a Justiça Eleitoral nada pode fazer para evitar.

MOEDAS - Há muitas moedas nesse câmbio. Dos incômodos pessoais em razão do mando em partidos que são verdadeiras propriedades, às dissimuladas e atraentes vantagens de deter nas mãos um partido e, portanto, ser ordenador do sempre farto e generoso fundo partidário.

VALOR - Agora mesmo, em razão das negociações políticas para a aprovação da reforma da previdência, o Fundo Partidário dobrou, chegando a quase R$ 4 bilhões de reais. Quando a retórica é a crise, a falência, a quebra da economia brasileira. Esse engodo é puro cinismo.




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