O mundo das borbulhas

Publicação: 2019-01-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Eles mudam de nome, tendo às vezes o mesmo nome da região de origem; apresentam diversos métodos de vinificação; podem ser elaborados com uvas distintas, podem trazer ou não o ano da colheita no rótulo, apresentam estilos os mais variados, e também podem acompanhar uma refeição do começo ao fim, apresentando-se como vinhos aperitivos, vinhos de mesa e vinhos digestivos. O seu nome genérico é vinho ESPUMANTE, internacionalmente conhecido como Sparkling Wine, mas nalguns lugares especiais do mundo eles podem ter nome próprio. Na França o Champagne é o vinho da região da Champagne, a mais famosa Denominação de Origem Controlada ou AOC para vinhos espumantes do mundo, com método próprio de elaboração (Champenoise), e uvas específicas permitidas (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier). Mas na própria França, por exemplo, os vinhos espumantes produzidos fora da região da Champagne, são chamados de Vin Cremant ou Vin Musseaux (vinho espumante).

O espumante brasileiro lidera o ranking na preferência intra-fronteira. É que uma combinação perfeita de solo e clima, proporciona às uvas a acidez adequada para o vinho base que resultará em espumante. Some-se o investimento em tecnologia e o conhecimento adquirido da maioria dos produtores locais
O espumante brasileiro lidera o ranking na preferência intra-fronteira. É que uma combinação perfeita de solo e clima, proporciona às uvas a acidez adequada para o vinho base que resultará em espumante. Some-se o investimento em tecnologia e o conhecimento adquirido da maioria dos produtores locais

Na Itália, na região do Veneto, o vinho espumante é denominado de Prosecco, DOC (Denominação de Origem Controlada) desde 2009 para os vinhos produzidos nas áreas permitidas, e DOCG para Valdobbiadene, Conegliano e Assolo. Um vinho produzido pelo método Charmat (método de tanque), com a uva branca originalmente conhecida pelo nome de “Glera” que até 2009 era chamada de Prosecco, agora DO. Ainda na Itália, na região da Lombardia, faz-se o vinho espumante “Franciacorta”, um fantástico vinho espumante elaborado pelo método tradicional (o mesmo do Champagne), com as uvas Chardonnay, Pinot Noit e Pinot Bianco, e na região da Emilia-Romagna, ou mais especificamente na Emilia, produz-se o vinho frisante ou espumante “Lambrusco” que pode ser IGT para os frisantes, mais simples (gaseificados artificialmente e semi-doces), e o “Lambrusco” DOC, este um vinho espumante, de melhor qualidade e menos comum no Brasil.

Na Espanha, tradicionalmente em Penedés, região da Cataluña, Nordeste do país, mas também noutras localidades, produz-se o “Cava”, nome que deriva de “cave” adega em português. Um vinho espumante elaborado pelo método tradicional (o mesmo do Champagne), com uvas locais: Macabeo, Xarel-lo, Parellada (brancas) e com a tinta Trepat, sendo ainda permitido o uso da branca Chardonnay e da tinta Pinot Noir, francesas. Na Alemanha, os vinhos espumantes recebem o nome de Sekt, e podem ser elaborados pelo método Tradicional (o mesmo do Champagne), pelo método Charmat ou pelo método de Transferência. Já nos países produtores do novo mundo, que rezam na cartilha estadunidense, como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, e ainda Chile e Argentina, os vinhos espumantes são chamados genericamente em inglês, de Sparkling Wine (vinho espumante).

As Borbulhas Brasileiras
Os vinhos espumantes são especialmente apropriados para esta época do ano, em que o clima clama por roupas leves, alimentos delicados, bebidas refrescantes e igualmente leves. Entre os diversos tipos de vinhos espumantes abordados nesta matéria, o espumante brasileiro lidera o ranking na preferência intra-fronteira. De fato, é consenso entre conhecedores, produtores e apreciadores que a nossa vocação vinícola maior em termos de vinhos, é para produção de espumantes, especialmente no Sul, onde se concentra a mais expressiva produção de vinhos do país. É que uma combinação perfeita de solo e clima, proporciona às uvas a acidez adequada para o vinho base que resultará em espumante. Some-se a isso a alta tecnologia de que se apropriou a maioria das nossas vinícolas, e o investimento em conhecimento (expertise) para a produção deste tipo de vinho, que, todo ano, cresce em consumo interno deixando para traz os similares internacionais dada a boa relação custo-benefício que alcançam. Neste verão, abra um bom espumante nacional e descubra que Baco também é brasileiro. 


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