O mundo poderá não ser o mesmo

Publicação: 2020-05-21 00:00:00
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Alcyr Veras 
Economista e professor universitário
           
Na semana passada, um certo veículo de comunicação divulgou o óbvio ululante, ao noticiar que, com a pandemia, a economia mundial terá uma queda de 4 a 5%. Causaria espanto, e as pessoas ficariam até alegres, se essa hilária informação tivesse circulado no dia primeiro de abril. Mas, não foi o caso.

É claro e evidente que a paralisação da economia, embora que parcialmente, causa prejuízos e transtornos para todos: governos, produtores e consumidores. Como se sabe, a prosperidade econômica tem como base as seguintes funções: a produção; a distribuição; e o consumo. Essa tríade faz acontecer a necessária circulação do dinheiro e das mercadorias.  

Foram durante as guerras, as crises sociais, políticas e econômicas que a humanidade exercitou seu maior potencial de criatividade. Centenas, ou até milhares, de invenções e descobertas científicas e tecnológicas, originárias dos mais diversos continentes, surgiram nesses períodos agudos de calamidade: umas para o bem, e outras, infelizmente, para o mal.

Não seria, agora, o momento propício e oportuno para uma nova visão de mundo, uma nova configuração mundial? Novas relações entre o Capital e o Trabalho. Novos hábitos de consumo. Diferentes estratégias para reduzir o impacto das crises. 

A sociedade é uma massa homogênea. Não deve haver rota de conflito entre governo, instituições, empresários e o povo. Todos são mutuamente dependentes entre si. Pois, são movidos pelo mesmo conjunto de reciprocidades comuns.

Ficamos tristes quando sabemos que, nesses momentos de angustia e sofrimento, fabricantes e comerciantes inescrupulosos, sem nenhum sentimento humanitário, praticam preços abusivos de  mercadorias e burlam licitações.

O atual modelo macroeconômico leva os países a uma exacerbada e mesquinha competição entre eles, fazendo aumentar suas diferenças e as anacrônicas desigualdades.  

Paul Samuelson, brilhante professor da Universidade Harvard, Prêmio Nobel de economia em 1970, assessor especial dos ex-presidentes Kennedy e Lindon Johnson, certa vez afirmou: “até hoje, nenhum esclarecimento convincente foi oferecido para explicar por que os países ricos são ricos e os países pobres são pobres”.

Outro emérito professor da mencionada Universidade, o historiador David Landes, em seu livro “Riqueza e Pobreza das Nações”, comenta que o grande vilão do abismo entre riqueza e pobreza é a alta concentração de renda, mas diz que é falsa a ideia de que o enriquecimento de alguns países só acontece mediante o empobrecimento de outros.

David Landes não apresenta nenhum tipo de solução mágica, tirada da manga, mas defende a tese de que os países ricos terão que, necessariamente, ajudar os países pobres. Ressalva, porém, que a ajuda não deve ser um simples ato de compaixão filantrópica, mas baseada no princípio de não dar o peixe, mas “ensinar a pescar”.

O mundo clama por socorro e solidariedade. Esperamos que o coronavírus não se transforme em balcão de negócios e em briga político-partidária entre governos e oposição. Num país dividido, seu principal foco não é o crescimento econômico, mas a intolerância entre adversários. Diante dessas duas eminentes “feras” de Harvard, arriscamos nossa humilde e modesta opinião sobre o assunto acrescentando que, como cidadãos, devemos ter a consciência de que a prosperidade econômica, o bem-estar social e a paz mundial só dependem de nós mesmos.





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