Cookie Consent
Alex Medeiros
O Orgulho da Bulgária
Publicado: 00:00:00 - 04/05/2022 Atualizado: 20:37:44 - 03/05/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Na memória do povo da Bulgária, ele será sempre lembrado e cultuado pelo carinhoso apelido que ganhou na infância, Gundy. Em 1999, mais de vinte anos depois da sua morte, ele foi eleito postumamente o maior jogador do futebol búlgaro no século XX. Neste 4 de maio o país rememora seus feitos emulado pelo aniversário de 79 anos do seu nascimento, no ano de 1943.

Divulgação


Georgi Rangelov Asparuhov, um craque na definição clássica, foi a porção de alegria e prazer dos torcedores do PFC Levski e da seleção búlgara durante os anos de angústia e terror das ditaduras comunistas que avassalaram as nações do leste da Europa. Tinha 16 anos quando levou o time a ganhar o campeonato nacional de juniores e com 17 já era referência no ataque titular. O virtuosismo do jovem atacante deu ao Levski títulos entre 1965 e 1971.

Em 1962, numa breve participação no time do Botev Plovdiv, fez a diferença para a conquista da taça nacional, provocando a reação do Levski que foi busca-lo de volta ao berço esplêndido. Asparuhov já era, então, um ídolo.

Os gols e jogadas aumentavam a idolatria pelo jovem craque. Seu ar rebelde e libertino logo chamou a atenção dos reacionários dirigentes do Partido Comunista da Bulgária, também movidos por um ciúme que ficou evidente.

O brilho do ídolo do povo ofuscava a política de vaidades dos porcos comunistas. Ninguém pode nem deve destacar-se mais que o partido, como ensinavam as mofadas cartilhas vermelhas do “leninismo” e do “stalinismo”.

A presença de Gundy na lista de candidatos a melhor jogador do mundo, da revista parisiense France Football, em 1965, foi motivo para que o PC búlgaro procurasse impedir a propagação do seu nome além da “Cortina de Ferro”.

Além dos muitos gols que marcou no campeonato nacional, Asparuhov ganhou fama no resto do mundo pelas jogadas fenomenais que fazia pela sua seleção, como aconteceu no templo mágico de Wembley, em Londres, no ano de 1967.

Era um jogo contra o “real team”, o mesmo que acabara de conquistar a Copa do Mundo de 1966. O gol de Gundy seria repetido contra a própria Inglaterra na Copa do México, em 1986, por um baixinho sulamericano chamado de “Dios”.

Já naquela época, tratado por seus compatriotas como “O Orgulho da Bulgária” – um revide às perseguições do Partido Comunista – ele driblou cinco ingleses numa sequência fantástica, deu um toque de classe no goleiro e marcou.

Seus feitos romperam as fronteiras ditatoriais e atraíram atenções do Ocidente. O Milan, então um supertime naqueles anos, planejou até uma operação de migração clandestina para leva-lo a Milão, mas Asparuhov quis ficar em casa.

E quanto mais crescia a idolatria pelo craque, mas isso o aproximava da própria desgraça. Os posicionamentos pessoais não agradavam aos gorilas comunistas, que usaram o tradicional clube local, o CSKA, como retaliação.

Os jogadores do CSKA encararam o colega do Levski como um inimigo numa guerra. A rebeldia de Gundy nada tinha de valentia, estava mais para George Best do que para Eric Cantona; em hipótese nenhuma ele usava da violência.

Foi presa fácil para os adversários e principalmente para um marcador implacável chamado Plamen Yankov, um delinquente pau-mandado do comitê central do PC, assassino moral sem escrúpulo nas agressões ao ídolo.

Yankov entendia de tática na mesma proporção que um militante do PSOL ou PCdoB entende de democracia; era escalado com a única missão de agredir Asparuhov, batendo nas pernas e fazendo ataques verbais e tiros de cuspe.

Nos livros e reportagens na Bulgária, que contam a gloriosa trajetória de Asparuhov, cujo estádio do Levski tem seu nome e exibe uma grande estátua sua, levantam a hipótese de sabotagem na sua morte, em 1971.

Em 28 de junho daquele ano, ele foi mais uma vez caçado em campo, sem que a arbitragem tomasse providências. Ferido física e emocionalmente, sentindo-se perseguido pela ditadura comunista, ele decidiu viajar dois dias depois.

Amante da velocidade, dirigiu a toda para um jogo festivo, levando o colega Nikola Kotkov. Minutos após dar carona a um estranho, seu carro saiu da pista. Todos morreram e até hoje não se sabe a identidade e origem do carona.

Nos primeiros anos após sua morte, o regime teve a desfaçatez de proibir que sua viúva e seus familiares usassem luto. Um hino ainda toca em sua memória, comparando-o a gênios da bola e da ciência, como Garrincha e Isaac Newton.

Pesquisas 
Em sendo verdadeiras e tecnicamente bem aplicadas, todas as pesquisas realizadas até agora no País revelam nas aferições espontâneas a grande indiferença do povo quanto às eleições gerais, principalmente para governador.

São Paulo 
Ontem, saiu mais uma pesquisa no maior colégio eleitoral, São Paulo, realizada pelo Instituto Paraná. E os números para governador se assemelham aos demais estados. Os que não têm candidato representam mais de 74%.

Lula 
Não dá mais para esconder nem convém explicações superficiais para a constante falha na voz do chefe petista e principalmente o pigarro que antecede o visível cansaço durante discursos demorados, como no domingo.

Pesar 
Faleceu segunda-feira a senhora Maria Ribeiro de Azevedo, esposa do saudoso empresário Roque Araújo de Azevedo, conhecido no RN como “Dudu da Locadora”. Os pais dos irmãos Ronaldo e Ricardo Azevedo, meus amigos.

Descaso 
Quase uma tragédia segunda-feira no Hospital da Restauração, o maior da rede pública em Pernambuco. Parte do forro de gesso despencou sobre pacientes e funcionários, trazendo junto o grande volume de água acumulada.

É amanhã 
O lançamento do livro “Pedro Coelho – Olhar Mineral”, da acadêmica Lalinha Barros, sobre um dos fundadores da Casa de Saúde São Lucas. A partir das 18h na sede da Construtora Coengen, ali na Rua Seridó, 454, em Petrópolis.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte