O ouro de Ruy Castro

Publicação: 2020-10-30 00:00:00
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

O chamado olhar da leitura no Brasil, para usar a caracterização menos formal, tem três fases distintas e muito bem estruturadas: a impressionista, marcada por grandes nomes e valiosos textos que registram e analisam a produção nas duas metades do século vinte; a acadêmica, que legou ao acervo importantes análises universitárias, mesmo em linguagem presa ao tal método acadêmico; e a vertente da vida intelectual de qualidade, retomado pelo novo jornalismo literário.  

Velha, e hoje meio esquecida, a crítica de rodapé deu ao Brasil ensaios e estudos até hoje imprescindíveis, nascidos do olhar de escritores como Tristão de Athayde, Álvaro Lins, Augusto Meyer e Brito Brica, para citar alguns dos maiores. A acadêmica, oriunda de influências francesas e inglesas, e principalmente liderada por Antônio Cândido; e o jornalismo literário que tem dado aos brasileiros o registro talentoso das biografias e ensaios de uma qualidade hoje incontestável. 

O jornalismo literário tem sido muito lido e se consagra, intensamente, a cada novo título. Basta citar dois nomes: Ruy Castro, com suas biografias e ensaios, postos além das cronologias bem apuradas de fatos, mas como histórias de vidas intelectuais e artísticas; e os três volumes sobre Getúlio Vargas, de Lyra Neto, a maior e mais bem erguida biografia ao largo de uma bibliografa que parecia fartamente esgotada, à época, com mais de quinhentos títulos publicados. 

É impossível, a não ser por limitação típica da intelectualidade provinciana, desinformada e superada - e afirmo sem temer contestação - conhecer e compreender a vida intelectual, artística, política, econômica e mesmo científica, do país, sem fazer a leitura - cito com convicção - do novo livro de Ruy Castro ‘Metrópole à Beira-Mar’. Mais do que a história da modernidade do Rio nos feéricos e também sobrios anos vinte, é a própria história da vida brasileira no século vinte.  

Ruy Castro, além das biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmem Miranda, núcleos irradiadores não de relatos, mas de modelo, não contou só as histórias da Bossa Nova ou da vida carioca em ‘Noite do Meu Bem’; revelou H. L. Mencken, o bom e o mau humor. Ele alcançou, em ‘Metrópole à Beira-Mar’, a maior pesquisa sobre a vida urbana no Brasil, além, muito além do pioneirismo de Luís Edmundo naquele tão romântico Rio de Janeiro do seu tempo.

É improvável, e não escondo a soberba de estilo, negar a importância da nova ensaística brasileira que bateu a poeira da vida literária presa aos pachorrentos livros que não sabiam contar histórias coletivas. Arrumavam datas e fatos, mas sem a boa cerzidura de buscar, no confronto rico das circunstâncias, o estilo ágil e saboroso que as grandes narrativas sabem erguer. Com Ruy Castro, o Brasil retoma o grande ensaio, capaz de superar a anemia das afetações acadêmicas. 

GUERRA - Rigorosamente empatados, com ainda quinze dias se campanha, Rosalba Ciarlini só tem uma saída: conter a força e a capacidade Allysson Bezerra de buscar e conquistar o voto útil.

EFEITO - Embora ninguém possa subestimar a tradição do grupo Rosado, Mossoró demonstra sintomas já claros de uma virada e, quem vira, por lógica, em geral, é quem conquista o voto útil. 

FICHA - A pesquisa Rádio Difusora / Instituto Agorasei ouviu 600 eleitores distribuídos como representação das diversas faixas e tem um índice de confiança de 95%. Rosalba está estagnada? 

MEDO - O fracasso de alguns candidatos a prefeito começa a sufocar de desânimo a esperança de sua nominata de vereadores. Alguns partidos não elegerão. Nem o próprio PT escapa do medo.

PESO - A candidata Marília Dias, ex-prefeita de Macaíba, começa a sentir o peso pesado dos seus adversários na disputa das eleições deste ano. Emídio Júnior, do MDB, hoje venceria a luta.

MEMÓRIA - Um belo trabalho da nossa Joventina Simões na preparação e edição dos originais do segundo volume da série ‘Memória Viva’, reunindo dez depoimentos ao programa da TVU. 

AVISO - A festa democrática do 15 de novembro, dia das eleições, vai contar com mais de 500 candidatos às 29 cadeiras da Câmara Municipal. Um turbilhão de democratas em nome do povo.   

HUMOR - De um candidato inconformado com alguns concorrentes: “Os mais beneficiados na luta são os papagaios de prefeito. Aqueles que ficam pendurados no ombro do prefeito do dia”.  

VIDA - No obituário da Folha de S. Paulo, terça, o registro da morte de João Batista Rodrigues Dantas (1955-2020), assim: ‘Escreveu a própria história na gastronomia paulistana’. Era o anjo da alquimia na mesa sertaneja do restaurante Jesuíno Brilhante, pai do jornalista Rodrigo Levino. 

BRILHO - A biografa de Samuel Wainer - ‘O Homem que estava lá’, nas suas quase quinhentas páginas, pelo grande volume de informações e a excecional qualidade como texto, põe a autora, a jornalista Karla Monteiro, entre os grandes nomes da moderna biografia jornalística brasileira. 

JEGUE - Não é apenas inacreditável a ideia de privatização dos serviços de saúde pública que o sr. Paulo Guedes teve a bestialidade de tentar impor aos brasileiros. Como bem disse a “Isto É”, Paulo Guedes é um impostor de ilusões. E a sua maior vítima será Bolsonaro, seu patrocinador. 









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