O Pequeno Príncipe

Publicação: 2021-03-05 00:00:00
Carlos Eduardo Emerenciano
Advogado e arquiteto

Um aviador perdido no deserto do Saara, após uma pane no seu avião. A completa solidão. De repente, aparece um menininho pedindo que se desenhe um carneiro. O narrador confessara que, até aquele momento, havia vivido sem ninguém para conversar verdadeiramente.

A partir daí, desenrola-se uma bela história que nos encanta e ensina. O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry é um desses livros que devem ser lidos, relidos, lidos mais uma vez e nunca vão se esgotar as múltiplas percepções extraídas da leitura.

Devo confessar, porém, que a minha última leitura, apenas de um trecho do livro, foi especialíssima.

O meu filho Arthur de 10 anos chegou da escola com a tarefa de completar a leitura do livro. Faltavam vinte páginas. Ofereci-me a ler com ele, fingindo estar fazendo um grande favor.

Exupéry escreveu esta obra-prima aos 43 anos. Uma idade muito próxima da minha. O aviador da história, o próprio escritor, trava um diálogo com uma criança e eu me deparei ali a travar um diálogo com o meu filho a partir das nossas impressões da leitura.

Percebi, de repente, que da mesma forma que o doce menininho vindo de um planeta distante e minúsculo ensina ao aviador, o meu filho estava a me ensinar.

O mundo e suas conexões, as preocupações, as tarefas cotidianas, retiram muitas vezes da gente o momento que me foi proporcionado do nada. Não o planejei. Me deixei ser levado pela leitura com o meu filho. Posso dizer que foi um desses instantes inesquecíveis.

O Pequeno Príncipe falava ao aviador, ao meu filho e a mim: “e quando você se consolar (a gente sempre se consola), ficará feliz por ter me conhecido.

 Você sempre será meu amigo. Você terá vontade de rir comigo. E abrirá às vezes a janela, sem motivo, só por prazer... E seus amigos ficarão muito surpresos vendo você rir ao olhar para o céu. Então você lhes dirá: ‘Pois é, as estrelas sempre me fazem rir!’. E eles acharão que está louco. Vou te aprontar uma boa...”.

A história é bem conhecida, fala do que é essencial. Do ano de 1943, o filósofo-aviador parece que conversa conosco, conhece as nossas angústias, pois são as mesmas que ele sente. E vai buscar a voz de uma criança certamente para tocar fundo no coração de cada um.

Como não lembrar de Jesus ao dizer “vinde a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus”? Busquemos a simplicidade, enxergar o essencial que é invisível aos olhos. Resgatemos a criança que há em cada um de nós, como o aviador resgatou ao se deparar com o Pequeno Príncipe.






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