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Natal
'O pior já passou', afirma secretário de Saúde de Natal, sobre a covid
Publicado: 00:00:00 - 02/01/2022 Atualizado: 11:48:40 - 01/01/2022
O novo Hospital Municipal de Natal será o grande projeto da Saúde da capital em 2022, afirma o titular da área George Antunes em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. Orçado em cerca de R$ 130 milhões, a previsão é de que a unidade comece a ser construída no primeiro semestre. Com 220 leitos, sendo 180 de internação; 10 leitos de UTI neonatal; 10 leitos de UTI pediátrica; 20 leitos de UTI adulto; internação; obstetrícia; pediátrica; neonatal; clínica médica e cirúrgica, o hospital vai se destinar ao atendimento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Magnus Nascimento
George Antunes, secretário de Saúde de Natal

George Antunes, secretário de Saúde de Natal

Na conversa, o gestor também afirma que os atendimentos nos hospitais que prestam serviços para o município foram retomados após uma suspensão por falta de pagamentos. A Prefeitura assinou um acordo com representantes do Hospital Memorial, Instituto do Coração, Hospital do Coração e Prontoclínica Paulo Gurgel na terça-feira (28). Ficou acordado entre as partes que a Prefeitura pagará 20% da dívida com os conveniados (cerca de R$ 5 milhões) até 10 de janeiro e irá quitar o restante em 14 parcelas de aproximadamente R$ 2 milhões, que serão pagas junto com os repasses regulares mensais.

George Antunes também explica o porquê do Município ter decretado o encerramento do estado de calamidade pública pela covid-19 e se diz esperançoso para 2022. Confira:

O novo hospital será a solução para os problemas que o município enfrenta, como, por exemplo, a superlotação nas unidades pelo surto de H3N2? Quando ele começará a ser construído?
Os projetos todos já foram concluídos e aprovados pelo Ministério da Saúde e a previsão é de que no primeiro semestre já se inicie a construção. A aplicação prática desse hospital é para atender uma lógica da porta de saída. Dou como exemplo o Walfredo Gurgel. O problema nunca foi a porta de entrada, o problema é a porta de saída, como na maioria das unidades de pronto atendimento. A gente precisa de hospitais de retaguarda para que esses pacientes não fiquem nos leitos de observação. Não se aceita que um paciente fique mais de 48 horas em observação. O paciente que fica uma semana assim numa UPA ou no Walfredo, ele está internado e isso não é correto.

Segundo a SMS, de 2020 para 2021 a pasta teve uma redução nos repasses financeiros do governo federal. E para 2022, qual a previsão orçamentária?
Não temos perspectiva, a ideia é que teremos o mesmo orçamento de todos os anos, sem sinalização de nenhuma verba adicional. Em 2020 nós recebemos R$ 350 milhões do governo federal e em 2021 esse repasse foi de R$ 289 milhões, sendo que este a pandemia foi pior ainda. Nós perdemos R$ 61 milhões, que o governo federal deixou de passar. Com isso, o orçamento do munício aumentou em R$ 62 milhões, nós tivemos que tirar município para bancar a Saúde. Nós temos uma obrigação constitucional de aplicar 15% da nossa receita em Saúde e neste ano nós já aplicamos 40%.

Como a prefeitura está lidando com o surto de gripe, que vem lotando as unidades com a crescente da procura por atendimento?
Estamos ampliando os horários de atendimentos nas UPAs e reforçando as escalas dos profissionais, o que acontece é que muitas pessoas estão buscando atendimento ao mesmo tempo e boa parte desse público é de pessoas de outros municípios da Grande Natal porque essas pessoas encontram a porta aberta aqui. É importante dizer que todo ano tem surtos de gripe. Eu sou uma pessoa muito prática, não gosto dessas teorias não. Todo dia sai matéria sobre ômicron e agora a H3N2, mas vou falar um negócio para vocês: nós continuamos com o coronavírus e o vírus da influenza circulando. São só esses dois vírus. Não precisa dizer o nome dele porque o leigo vai pensar que a gente está com um bicho novo e não tem nada de novo.

Há previsão de construção de novas unidades básicas ou de pronto atendimento de saúde em 2022?
Não. Apenas o novo hospital. O que nós vamos fazer é terminar as que estão em construção e melhorar e recuperar as unidades que temos. Algumas estão precisando de melhoria urgente, principalmente depois dessas chuvas, que a gente costuma ter muita infiltração.

Sobre a paralisação dos atendimento nos hospitais conveniados, o que ocorreu?
O prefeito se reuniu com esses representantes e entraram num acordo. Eles pediam uma entrada de 20% da dívida e após um estudo foi autorizado o pagamento e o restante nós atendemos na íntegra. Eles pediram que apenas fosse pago no mês o parcelamento da dívida mais a fatura do mês atual. A partir de fevereiro a gente vai pagar uma parcela do atrasado, em torno de R$ 2 milhões, e a parcela do mês, também de R$ 2 milhões. Além disso, o prefeito assumiu um compromisso adicional com a promotoria e com os hospitais. Como nós temos uma cobrança da dívida do Estado para conosco, e foi determinado pelo desembargador Cláudio Santos, o bloqueio dos recursos, nós assumimos de que a cada bloqueio, esses recursos serão destinados exclusivamente ao pagamento dessa dívida com os hospitais. Então há a expectativa de que essas 14 parcelas se transformem em no máximo seis.

Que atendimentos foram suspensos?
Cateterismo, angioplastia e cirurgias cardíacas. Apenas o Hospital Universitário Onofre Lopes ficou fazendo as cirurgias e os cateterismos, mas o HUOL não dá conta da demanda do Estado todo porque Natal não atende somente os munícipes de Natal, mas sim do Estado todo.

No último dia 24, a prefeitura encerrou o estado de calamidade pública pela pandemia de covid-19. O que motivou essa decisão?
Os números. Nós temos hoje mais de 80% da nossa população já com as duas doses da vacina, nós estamos acima da média do Brasil e do Estado. O segundo ponto é de que o índice de transmissão da covid já está muito abaixo de 1 e o terceiro é que nós não temos mais pacientes hospitalizados por covid. Essa semana a gente tinha dois na UTI e três ou quatro na enfermaria, tanto que o nosso Hospital de Campanha não tem nenhum paciente covid e iremos devolver o prédio ao TRT. Criei uma ala covid no Hospital dos Pescadores e essa ala está praticamente desocupada. Além da imunização da vacina, nós tivemos ainda um processo de imunização natural, das pessoas que tiveram o contato com o vírus desde a primeira onda. São vários fatores que contam a nosso favor.

A variante ômicron da covid-19 é algo que preocupa?
Ela foi classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma variante de preocupação. Para mim ela não é. É uma variante que ainda precisa ser estudada. É uma variante de disseminação muito rápida, embora não cause sintomas graves, isso talvez seja uma coisa boa porque ela vai competir com aquela variante que causa sintomas mais graves. A delta está quase perdendo o espaço para ela. Para mim, a ômicron não me deixa tão assustado. Só peço que a população tenha mais um pouco de paciência com a máscara, com as aglomerações. Já dá para se reunir, fazer festa, caminhar, correr, andar na praia sem a máscara, mas nos ambientes fechados ainda é preciso e os cuidados com a higienização são importantes. O pior já passou.

Com o fim do decreto, como passa a ser o planejamento de enfrentamento à covid em 2022?
Nós temos o mesmo plano de contingência que utilizado durante a pandemia. Esse plano foi elaborado em fevereiro de 2020 e funcionou bem. Nós já estamos estudando tudo que foi feito, os erros e os acertos para identificar as oportunidades de melhorias para atualizar o plano. Esse plano vai ficar quase que permanente e vai ficar aqui para os secretários que me sucederem. Se houver necessidade ou o surgimento de uma nova variante, que seja mais patogênica do que a ômicron, nós já estaremos preparados do ponto de vista técnico. Agora se não tiver o apoio financeiro do governo federal, nenhum município vai conseguir colocar em prática o que planejou.

E para 2022, qual a sua expectativa sobre a Saúde da capital?
São muito boas. O pior já passou. A parte assistencial, o SUS e a parte privada aprenderam uma lição a duras penas. Aprendeu que é preciso ter planos de contingência para várias coisas, aprendeu a manejar pacientes atípicos porque a covid surpreendeu o mundo inteiro e o poder público entendeu que o SUS é quem sustenta esse país. A gente precisa defender o SUS a cada dia. De todas as formas que você imaginar, você utiliza o SUS, mesmo se tiver o dinheiro do mundo todinho. Até quando você bebe sua água mineral ou vai no restaurante, você utiliza o SUS porque por lá passou a vigilância sanitária. Então, a mensagem é essa defendam o SUS.

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