O pirão da Previdência

Publicação: 2019-06-16 00:00:00 | Comentários: 0
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As discussões sobre a reforma da Previdência avançam no Congresso Nacional, foro adequado para debater questão de profundo impacto na vida dos brasileiros. Infelizmente, até o momento os debates apenas escancaram, de maneira contundente, o oportunismo político que já é marca registrada de velhos agentes políticos e foi rapidamente absorvido pelos que iniciam seus mandatos.

Paralelamente, em mais uma rodada de negociações, governadores se reúnem em busca (dizem) de ajustar alguns pontos do projeto. A maioria reconhece a absoluta necessidade da reforma, mas poucos estão dispostos a assumir os ônus dela decorrentes. Nesse sentido, é repudiável que governadores se sentem à mesa das discussões afirmando necessitar da reforma para evitar que se estabeleça o caos em seus estados e, ato contínuo, joguem para a plateia o discurso de que o projeto em andamento é “socialmente injusto”, com clara intenção de obter dividendos eleitorais.

Tal comportamento é observado especialmente na maioria dos governadores dos estados do Nordeste que – mesmo confessadamente e irremediavelmente quebrados – dão declarações criticando o projeto em tramitação, utilizando argumentos pífios e economicamente inconsistentes.

Não menos repreensível é a conduta de sindicatos e associações de servidores estaduais e nacionais, cujos pleitos não se centram na necessidade da reforma para o bem de todos, mas em preservar seus atuais privilégios, que os fazem uma casta dentro da realidade previdenciária brasileira.

O nefasto jogo de empurra entre o Congresso Nacional e os Governadores para evitar o desgaste resultante da reforma perante os servidores públicos pode resultar na proposta de exclusão dos estados e municípios do atual projeto, o que se constituirá em um verdadeiro “aborto” da Nova Previdência, a ser perpetrada pelas mãos nefastas do relator deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

Dentro desse espúrio cenário encontra-se o Rio Grande do Norte, aumentando a responsabilidade de nossos parlamentares federais e da governadora cujas consciências terão que decidir entre jogar para a plateia ou agir em favor da coletividade. Pensar que os interesses em jogo não são percebidos pelos eleitores é pedir que eles assinem atestado de ignorância cívica.  Não acontecerá.

Agentes políticos e órgãos sindicais de servidores se habituaram a considerar o Estado como uma mãe dadivosa, de onde tudo se pode extrair, sem que se ofereça a contrapartida correspondente. Ao fim, todos levantam a bandeira, alguns com mais, outros com menos força, do ditado popular segundo o qual, em havendo farinha pouca, meu pirão primeiro.

Mas, agora, a fatura de conduta fiscal irresponsável se apresenta para ser quitada e exige o esforço de todos. Compreender a reforma previdenciária além dos interesses políticos é uma necessidade que urge ser fixada nas discussões. Ou, muito em breve, não haverá sequer farinha para ninguém.






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