O poeta, artista visual e professor Moacy Cirne se despede aos 70 anos

Publicação: 2014-01-11 15:10:00 | Comentários: 6
A+ A-
Morreu neste sábado (11), aos 70 anos, por volta das 13 horas, no Hospital da Unimed, em Natal, o poeta, artista visual e professor Moacy Cirne, considerado o maior estudioso brasileiro das histórias em quadrinhos e um dos fundadores do movimento que ficou conhecido como Poema/Processo. O corpo será velado hoje a partir das 20h no Centro de Velório do Morada da Paz, na Rua São José, bairro Lagoa Seca. O sepultamento ocorrerá em Caicó, onde o escritor nasceu. O horário ainda está sendo definido.
Kamilo MarinhoMoacy Cirne contesta edição da global editora sobre obra de cascudoMoacy Cirne contesta edição da global editora sobre obra de cascudo

Conhecido por sua paixão pelos quadrinhos e pelo time do Fluminense, Moacy sofreu uma parada cardíaca pouco tempo depois de passar por um procedimento cirúrgico. O poeta ainda ficou em coma induzido, mas não resistiu, afirmou seu enteado. Ele havia descoberto um câncer no fígado recentemente.

Moacy nasceu em São José do Seridó/Jardim do Seridó, em 1943 e é considerado referência até hoje quando se trata de Histórias em Quadrinhos no Brasil, segundo a editora da Universidade Federal Fluminense (UFF). Pioneiro na área, escreveu livros como A explosão criativa dos Quadrinhos, Ideologia e desmistificação dos super-heróis, Bum! – a explosão criativa dos quadrinhos e Literatura em quadrinhos no Brasil, entre outros. A paixão pelo assunto nasceu quando ainda era criança. "Ela começou em Caicó, interior do Rio Grande do Norte, no final dos anos 40. O Tico-Tico (primeira revista de nível nacional a apresentar histórias em quadrinhos para o público infanto-juvenil) representava todo um mundo para mim", esclareceu em entrevista concedida à editora da UFF anos atrás. Você confere a entrevista aqui.

Seu último livro - Seridó Seridós - foi lançado no último dia 14 e como ele próprio disse, em entrevista à Tribuna do Norte, " tem um pouco de tudo: de críticas a memórias e fotos, de homenagens, poemas a listas de livros e filmes", afirmou o homem, que era ao mesmo tempo poeta/processo, professor, escritor, pesquisador, cinéfilo, jornalista e leitor de quadrinhos.

Muitos natalenses lamentaram a morte do poeta Moacy Cirne nas redes sociais.

> O jornalista Carlos Magno Araújo postou em seu twitter mais cedo: "Luto na cultura potiguar. Muito triste com a morte de Moacy Cirne". E acrescentou no instagram: "Com as cores que ele amava, homenageio o grande Moacy Cirne. Morreu no início da tarde. Há pouco tempo descobriu um câncer no fígado. Ontem se submeteu a cirurgia. Pouco tempo depois sofreu parada cardíaca. Ainda ficou em coma induzido, mas não resistiu. Caicoense, tricolor roxo, abecedista, quadrinista, escritor, jornalista. Uma grande figura humana. Potiguar que nos orgulha", junto a foto do uniforme do Fluminense.

> O produtor musical José Dias Júnior, marido da cantora Khrystal, postou no facebook: " Que tristeza".

> O também jornalista Tácito Costa publicou um texto em seu blog Substantivo Plural esclarecendo a causa da morte: "Moacy estava internado desde a última quarta-feira, quando deu entrada no hospital para fazer procedimentos médicos relacionados a um tratamento antigo que fazia para combater uma hepatite. Durante o procedimento o quadro clínico se complicou e o escritor teve posteriormente uma parada cardíaca, foi levado a UTI mas não resistiu. O velório deverá ocorrer a partir desta tarde no Centro Morada da Paz, na rua São José, e o sepultamento ocorrerá amanhã em Caicó (Fátima ficou de me ligar para confirmar essas últimas informações)".

> A poetisa Carmem Vasconcelos também postou uma mensagem sobre a morte de Moacy nas redes sociais: "Luto no meu coração". Carmem chegou a escrever um poema sobre a finitude da vida anos atrás: "nem a delicadeza das harpas, nem a fúria dos arpões. Ninguém dentro de mim me anima a desafiar o acabar das coisas (...)".


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários

  • rosadosol

    Soube agora. Deus te abençoe e te guarde, professor Cirne, do zine Balaio Porreta, feito por ti e distribuído pessoalmente no IACS da UFF. Era um jornalzinho de poemas processo, quadrinhos e poesias visuais, pós concretismo. Lembro de ler no Balaio o dicionário de termos de Caiacó, sua "Terra do Nunca", uma cidade imaginada por ele, onde habitam seus seres mágicos bem nacionais, muitos nordestinos, de sua região de origem, ora repletos de erotismo, ora de ingenuidade. Rio hoje de lembrar também que ele recebeu o trabalho de redação da minha turma, dobrou e colocou no bolso da camisa. Fiquei chateada na época, porque guardei o trabalho com todo cuidado e o professor dobrou-o... enquanto o Balaio era entregue com todo carinho. Que boba, a professora agora sabe que o valor das obras está na relação que se tem com elas, para além delas próprias. Perde-se um homem que amava o que fazia, ganha-se sua obra e seu exemplo de vida para as relações futuras. Aqui, em Caiacó ou além, este é Moacy Cirne.

  • betovereza

    Era um gênio, foi meu professor na UFF , no Rio nos anos oitenta e era quem mais conhecia a 8ª Arte : HQ. Foi através dele que conheci o quadrinho europeu que amo té hoje. Vai com Deus , Mestre...

  • fgn2_356

    PROFESSOR MOACY CIRNE (1943 - 2014) A última vez em que estive com o Professor Moacy Cirne ocorrera nas dependências do Sebo Vermelho, no sábado, 07 de dezembro de 2013, às 11h30. Lá, fiz algumas imagens fotográficas. Ele estava sentado sobre uma cadeira de ferro, na entrada da loja de Abimael, à esquerda, com uma sacola preta, contendo alguns exemplares do livro SERIDÓ SERIDÓS. Calçava sandália. Trajava bermuda jeans, azul, e camiseta branca com as seguintes inscrições: ''VIII SEMANA DE ESTUDOS HISTÓRICOS 2008'' ''HISTÓRIA CULTURA PATRIMÔNIO'' ''CERES / UFRN CAMPUS CAICÓ 3, 4 e 5 Setembro'' Na oportunidade, a Professora do Curso de Jornalismo da UFRN, Cellina Muniz, foi agraciada com um exemplar da obra SERIDÓ SERIDÓS, pelo autor, Professor Moacy Cirne, sem dedicatória ou autógrafo. Que Deus, na sua onipotência, dê ao ilustre professor Moacy Cirne o lugar reservado aos justos, e conceda à família enlutada o conforto necessário para suportar a dor e a saudade. Francisco Gomes

  • h.sousa6969

    Meus sentimentos, com quem muito aprendi.

  • saviochristi

    Que pena, ele era bastante criativo, inteligente e talentoso, mas acontece!

  • restauradora2012

    E lá se vai meu professor Moacy. Foi uma honra ser sua aluna, Moacy Cirne, maior conhecedor de HQ do Brasil. Obrigada por toda a atenção, pelas calmas e incansáveis explicações dadas. Fico mais triste hoje. O Instituto de Comunicação e Artes da UFF fica mais triste também.