O presidente responde

Publicação: 2010-03-09 00:00:00
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Osvaldo Nascimento Silva, 49 anos, motorista do Rio de Janeiro (RJ)

Por que o senhor ainda não autorizou a compra dos super caças? Não há potência econômica sem poder militar e os riscos à nossa soberania são evidentes.
Presidente Lula – Ainda não tomamos uma decisão a respeito justamente pela importância que a escolha terá sobre a capacidade de defesa e sobre o desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil. Temos que ser muito cautelosos. A FAB já fez sua análise e pré-selecionou três modelos que atendem às suas necessidades técnicas. Agora é a hora de o governo fazer a análise estratégica, política e econômica para apontar qual proposta  trará mais benefícios para a sociedade. Decidimos fazer da política nacional de defesa um eixo de desenvolvimento econômico e de autonomia tecnológica. Vamos bater o martelo somente depois de concluída a análise do Ministério de Defesa, de ouvir o Conselho de Defesa Nacional e considerando as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa. Posso adiantar que a empresa a ser escolhida, seja qual for, terá que se comprometer com a transferência irrestrita de toda a tecnologia de ponta. 

Adair Syrio Júnior, 28 anos, comerciante de Caeté (MG)

A BR-381, no trecho entre Belo Horizonte e Vitória, tem tido tragédias dia-a-dia, e os governos vêm prometendo soluções ano a ano. Mas as mortes continuam. Nós, que perdemos parentes (eu perdi meu irmão, Auberty Silva Syrio, 25 anos), protestamos. Até quando teremos que conviver com essa insegurança?
Presidente Lula – Só esclarecendo, Adair: a BR-381, num de seus trechos liga, na verdade, Belo Horizonte com o Norte do Espírito Santo, passando pela cidade de Governador Valadares. Não é o melhor caminho para se ir da capital mineira à capital capixaba. A ligação direta BH-Vitória é feita pela BR-262. Há um trecho comum, entre BH e João Monlevade. As duas rodovias nos causam grande preocupação e têm merecido toda a atenção. Já tínhamos iniciado o processo de concessão para a duplicação da BR-381, entre BH e Governador Valadares. Mas, na semana passada, concluímos que o melhor é realizar as obras através do DNIT. Decidimos então cancelar a concessão e incluir essas obras no PAC-2, para que a duplicação seja efetuada com recursos da União. Também vou colocar no PAC-2 obras que vão melhorar significativamente a BR-262, de BH até Vitória, com duplicação nos trechos de maior movimento. Com estas medidas, espero que possamos garantir o máximo de segurança para os usuários.

Carlos Alberto F. de Azevedo, 51 anos, contador de Porto Alegre (RS)

Fala-se em eventos como a Olimpíada e a Copa do Mundo, mas os colégios, incluindo os federais, não têm estrutura para formar atletas e conseguir medalhas. Existe projeto para o desenvolvimento dos esportes nas escolas?
Presidente Lula – O empenho para o Brasil sediar os dois eventos teve o objetivo, entre outros, de promover uma grande mudança na cultura esportiva do país. Pelo programa Mais Educação, do MEC, os alunos participam, nos turnos vagos, de várias atividades, incluindo natação, basquete, vôlei, futebol, handebol e judô. O programa atende hoje 1,1 milhão de alunos. O Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, para incorporar crianças, adolescentes e jovens aos esportes, atende 1 milhão em 1.300 municípios. E a partir de parceria com o MEC, o Ministério do Esporte tem a meta de atender 1,5 milhão de alunos até 2011 e 3 milhões até 2012. Fornecemos para as escolas incluídas no programa kits esportivos e acompanhamento pedagógico pelas instituições de ensino superior parceiras. As escolas técnicas, que chegarão a 354 até o final do ano, também oferecerão oficinas de esportes e vão equipar suas quadras. Mas na preparação para os grandes eventos esportivos é fundamental que haja o envolvimento efetivo dos demais poderes, nos três níveis governamentais, dos cidadãos, dos clubes, das ONG’s, das empresas privadas, enfim, de toda a sociedade.