O protagonista é o mercado

Publicação: 2018-12-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Alcyr Veras
Economista e professor universitário

O Brasil não tem capacidade de agregar poupança interna, necessária para constituir a indispensável formação bruta de capital, considerada como a mais importante infraestrutura básica da economia. Mas, enfim, por que o país não consegue formar sólida poupança interna? Isso acontece devido a dois principais motivos: renda nacional inconsistente e oscilante, alternando contrastes pontuais de concentração; e baixa propensão coletiva para poupar - em parte pela ausência de disciplina financeira, versus cultura consumista sem o efetivo poder monetário de compra, o que leva à inadimplência e ao endividamento das famílias.

Portanto, sem disponibilidade de recursos para realizar investimentos reprodutivos, não há como promover o crescimento econômico. E sem crescimento econômico, não há como aumentar a oferta de empregos.

Por outro lado, é uma grande bobagem, e perda de tempo, ficar discutindo viés ideológicos, tais como: protecionismo, nacionalismo, estatismo. Essas coisas não levam a nada. Os países precisam sair de suas letárgicas zonas de conforto e encarar os desafios da competitividade, por meio de ações econômicas e comerciais de resultados. Quem manda hoje no mundo das relações econômicas é o mercado. Ou seja, quem não tiver qualidade e preços competitivos não sobreviverá diante da complexa e desafiante sociedade de consumo, que a cada dia cresce em tamanho e velocidade. Mediante a obtenção dessas duas condições fundamentais (qualidade e preço), as empresas brasileiras poderão ampliar, em grande escala, suas exportações.

No penúltimo trimestre, que terminou em setembro deste ano de 2018, o PIB brasileiro cresceu 0.8%, e em comparação com o mesmo período do ano passado (2017), o crescimento foi de 1.3%. Enquanto isso, a economia mundial, mesmo não apresentando nenhum cenário de novidades, porém não desacelerou. A reunião do G-20, realizada na semana passada na Argentina, demonstrou ser muito mais um burocrático cumprimento de agenda, do que para discutir temáticas com ações propositivas. Embora o evento reúna as vinte maiores economias do planeta, na verdade foi, mais uma vez, palco para exibir o ego das celebridades políticas que mais pontuam na mídia internacional: Donald Trump (Estados Unidos); Vladimir Putin (Rússia); Xi Jinping (China); e Angela Merkel (Alemanha).

Na realidade, o Brasil precisa,  isto sim, alinhar-se às potências econômicas ocidentais, pois são nestas onde mais crescem o PIB e a renda per capita. Outro ponto fundamental para a economia brasileira é a recuperação de sua credibilidade junto às Agências de Classificação de Riscos, tendo como objetivo atrair novos investidores estrangeiros.

Plagiando, no bom sentido, Euclides da Cunha, grande expoente da literatura sertaneja, quando disse que o Nordestino é “antes de tudo, um forte”, e o inexcedível folclorista Luís da Câmara Cascudo, ao dizer que “ o melhor do Brasil é o brasileiro” , eu diria que o melhor de nossas empresas é a admirável criatividade de novos produtos e a capacidade intuitiva de superação e resistência durante as crises. Não é atoa que hoje estamos entre os maiores exportadores  mundiais de frutas e de alimentos de proteína animal.



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