O quase réveillon de Ponta Negra

Publicação: 2013-01-01 00:31:00
Comerciantes e turistas já sabiam da possibilidade do reveillon de Ponta Negra ir por água abaixo. Mesmo assim, quando saiu a notícia de que o Governo Estadual havia cancelado a queima de fogos em um dos principais pontos turísticos da cidade, a decepção foi geral. Muitos não aceitaram o fato de que a festa há muito esperada não iria ocorrer. Outros ficaram sem opção: ou aproveitavam a estrutura precária, ou voltavam para casa só com o prejuízo. Por isso, na noite do dia 31, a praia não ficou vazia. O sentimento dos presentes, no entanto, era de frustração.
Lixo continuava acumulado na praia de Ponta Negra
Foi o caso do grupo de amigos vindo de Campinas, em São Paulo. A viagem para conhecer a cidade do sol já estava programada há mais de 6 meses. As parcelas, pagas com esforço, saiam do bolso com prazer, já que iriam possibilitar a experiência de virar o ano em uma das cidades mais bonitas do Brasil. “Quando chegamos aqui, ficamos muito tristes. Lixo na orla, calçadão deteriorado e nada de programação cultural”, lamentou Ana Paula Santos, uma das integrantes do grupo.

O que incomodou mais os paulistanos, no entanto, foi o cancelamento da queima de fogos. “Só ficamos sabendo quando chegamos aqui. É triste, mas não vamos deixar que o nosso reveillon naufrague, apesar da decepção”, contou Aluizio Almeida, colega de Ana Paula.

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Decepção era a palavra comum a todos os depoimentos colhidos em Ponta Negra. Por volta das 20h, ambulantes começaram a montar suas barracas, com poucas expectativas. Seu Ceará, vendedor de bebidas, disse que investiu R$ 2 mil em produtos e mesas para receber os clientes, mas que não alimentava qualquer esperança de lucrar. “Faço isso há 9 anos, e nunca vi acontecer nada igual. Se eu soubesse disso antes, não teria tanto prejuízo”.

O mesmo sentimento era compartilhado por Ilda Cristina, funcionária de um restaurante tradicional de Ponta Negra. Ao longo do dia, a medida em que a notícia da queima dos fogos ia sendo divulgada, reservas de mesas, feitas há meses, eram canceladas. “Tivemos que baixar os preços, mas já temos consciência de que esse será um reveillon perdido”, contou. A reserva no restaurante dava direito ao buffet, bedidas grátis e música ao vivo. Quando os clientes ligaram dizendo que preferiam cancelar e ir para outras praias, já sabia que parte da comida preparada para aquela noite iria para o lixo.
Créditos: Júnior SantosIlda Cristina reclamou do pouco movimento em seu restaurante, em Ponta NegraIlda Cristina reclamou do pouco movimento em seu restaurante, em Ponta Negra

Para o lixo também foi o dinheiro do casal Rogério e Danusa Barbosa, vindo de Mossoró. Desolados com a situação da praia, eles disseram ter conhecimento do caos em que Natal havia mergulhado, mas que não estavam preparados para tanto descaso. “Vamos voltar pra casa antes da meia-noite, não dá pra ficar aqui”, lamentaram. A medida em que a hora da virada ia chegando, mais pessoas escolhiam Ponta Negra para saudar 2013. Boa parte, no entanto, alegava não ter outra saída. “Gastei dinheiro pra vir até aqui, então vamos celebrar o novo ano aqui, mesmo que não seja do jeito que a gente esperava”, contou outro casal, vindo do Rio de Janeiro. À meia-noite, a queima de fogos ficou por conta dos hotéis, que fizeram a alegria dos visitantes decepcionados.

Calçadão

Um dos motivos alegados para que o Ministério Público pedisse o cancelamento da queima de fogos em Ponta Negra foi o estado do calçadão. Destruído pela força das marés e negligenciado pelo poder público, a estrutura oferecia riscos reais à população. Em virtude disso, a Justiça Federal determinou o isolamento de três trechos da área, medida que não foi cumprida. Durante toda a festividade, as áreas de risco eram acessadas facilmente pelos visitantes.

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