O que esperar da cultura

Publicação: 2018-10-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

A cultura produzida no Rio Grande do Norte pode ser fonte atrativa de turistas, ser uma importante geradora de emprego e renda, ser subsídio na educação formal, dentre outros papéis. Ou seja, pode ser abraçada como área estratégica na gestão estadual. Mas a tarefa não é fácil. O próximo gestor da cultura no RN terá pela frente vários desafios: continuidade das obras do Teatro Alberto Maranhão, reabertura da Biblioteca Câmara Cascudo, recuperação do Forte dos Reis Magos, ativação dos espaços da Fundação José Augusto (FJA) já restaurados (Museu Café Filho e Memorial Câmara Cascudo, ainda sem exposição museográfica), só para citar alguns.

Implantação do Sistema Estadual de Cultura, reformulação do Fundo Estadual de Cultura e atualização da Lei Câmara Cascudo são diretrizes citadas pelos três candidatos
Implantação do Sistema Estadual de Cultura, reformulação do Fundo Estadual de Cultura e atualização da Lei Câmara Cascudo são diretrizes citadas pelos três candidatos

Observando os programas dos três candidatos mais bem colocados em pesquisas – Fátima Bezerra (PT), Carlos Eduardo (PDT) e Robinson Faria (PSD) –, é possível identificar como cada um deles pretende tratar a cultura em sua gestão. Carlos Eduardo dedica três páginas à área, Fátima uma página e meia e Robinson, uma página. Há pontos comuns a todos, sobretudo no que concerne questões administrativas, como a implantação do Sistema Estadual de Cultura, reformulação do Fundo Estadual de Cultura e atualização da Lei Câmara Cascudo de incentivos fiscais.

Carlos Eduardo
Para além de um plano geral de reformulação administrativa da gestão cultural, duas áreas que ganharam bastante espaço no programa de Carlos Eduardo são as de patrimônio histórico e museológico. O candidato propõe, por exemplo, “reelaborar e implementar um plano de tombamento e restauração dos bens móveis e imóveis do governo estadual”.

Carlos Eduardo (PDT)
Carlos Eduardo: Eco Museus e fomento à economia criativa

O pedetista também menciona a revitalização do Sistema Estadual de Museus. E nesse sentido, várias ações vem em conjunto, como “apoio técnico às instituições museológicas dos municípios”; viabilização de “convênios  entre  o Rio  Grande  do  Norte  e  os  municípios,  para  a  revitalização de museus”; promoção do “desenvolvimento social das comunidades por meio da utilização dos museus como fomento à economia criativa”; e a busca pelo diálogo com as comunidades para a “implantação das memórias sociais – Eco Museus”. Outro ponto destacado no programa é a promoção do “turismo  cultural  nos  Polos  Turísticos  Seridó,  Serrano, Agreste,Costa Branca e Costa das Dunas”.

Fátima Bezerra
Do programa de Fátima Bezerra, um tópico que chama atenção é a busca por parcerias para abertura de “linhas de crédito para artistas e produtores culturais do estado do Rio Grande do Norte”. Com relação ao Patrimônio Público, a candidata pretende elaborar estudos para implementação de uma Política de valorização do setor. Já sobre os equipamentos culturais da FJA, será criado uma política de manutenção e ocupação dos espaços que contemple: editais de residência artística; reserva mínima de pautas dos teatros para a produção potiguar, dentre outras propostas.

Fátima Bezerra (PT)
Fátima Bezerra: Patrimônio público e linhas de crédito para artistas

Um dos prédios recém-inaugurados, o Memorial Câmara Cascudo, segundo o plano de governo da petista, ganhará nova função, servindo como sede administrativa do CENA (Centro Educacional Norteriograndense de Artes) e como Centro Experimental de Teatro e da Escola de Artes visuais. Os dois centros farão parte do Programa de Iniciação Artística (PIA).

Robinson Faria
No programa apresentado pelo candidato Robinson Faria estão citadas etapas de complementação de ações iniciadas em sua gestão referentes aos equipamentos culturais. Por exemplo, a reabertura do Teatro Alberto Maranhão, montagem da expografia do Museu Café Filho e execução do projeto expográfico do Memorial Câmara Cascudo. Mas novas obras estão previstas: reforma da sede da FJA, do Instituto de Música Waldemar de Almeida, Gráfica Manimbu e do Teatro de Cultura Popular, além de obras no entorno do Forte dos Reis Magos.

Robinson Faria (PSD)
Robinson: finalização de obras iniciadas e concursos

Na área administrativa, Robinson propõe concursos para a Orquestra Sinfônica, professores de arte e áreas técnicas (museólogo, restauradores, sonoplastas, produtores culturais, dentre outros). Também é mencionada a reformulação do plano de cargos, salários e carreiras.

Entrega de diretrizes
Disposta a colaborar com sugestões na área cultural, a classe artística, por meio do Fórum Potiguar de Cultura, elaborou um documento com diretrizes para cultura do RN. O objetivo é apresentar propostas que norteiam o planejamento e a execução de uma política pública para as artes locais, abrindo maior interlocução entre o segmento e o poder público.

O documento, entregue aos candidatos ao governo, traz 12 tópicos. Dentre eles estão: “Criação de uma Secretaria Estadual de Cultura, com dotação orçamentária”; “Abertura de um Centro Cultural de porte na capital, para absorver a produção artística potiguar com atividades contínuas e programação regular voltada para as nossas artes”; “Interiorização das ações culturais, usando a rede de equipamentos já existente através de um circuito cultural a ser fomentado profissionalmente, com recursos próprios”; e “Instalação de uma Rádio Pública para difusão do conteúdo artístico-educativo produzido no estado”.

Vale salientar, que as políticas públicas para a área cultural devem não apenas atender às demandas da classe artística, mas o interesse da população também. Cabe ao gestor equilibrar isso e imprimir sua marca.

Realizadores
A TRIBUNA DO NORTE ouviu algumas realizadores na área cultural para conhecer algumas demandas específicas.

Na área de audiovisual, a documentarista e conselheira fiscal da ABDeC-RN, Dênia Cruz espera que “o candidato eleito consolide uma política de estado e não de governo. Que haja editais permanentes. Até porque temos o Fundo Setorial do Audiovisual para ser acessado. É uma política interessante, que permite que o mercado de fato aconteça, movimentando não só a parte artística, mas econômica. É uma área potencial que lida com várias linguagens. Se criarmos festivais no interior vai gerar renda e emprego. E em paralelo a isso, esperamos contribuir na formação e difusão audiovisual”.

Na Literatura, Lívio Oliveira, escritor e diretor da biblioteca da Academia Norte-Riograndense de Letras acredita ser necessário “aperfeiçoar e desenvolver o sistema de bibliotecas do Estado. O caminho para a educação e a cultura dos jovens passa pelo acesso a leitura. Desejo que a Lei do Livro e da Leitura saia de fato do papel. Há elementos muito importantes de incentivo nessa lei. E espero também que sejam realizados concursos literários e eventos, como um festival literário de caráter estadual”.

Produtora cultural Diana Fontes, idealizadora do projeto Conexão Elefante Cultural, de circulação pelo RN, fala da necessidade de ações no interior. “No interior do Estado é necessário haver uma maior preparação no tocante a elaboração de projetos, tanto para a Lei Câmara Cascudo, como para a Lei Rouanet. Porém, sem trazer os empresários para a cena, orientar o setor contábil, seria o mesmo que nadar e morrer na praia. Conjugar o público com o privado, creio ser a pedra da sabedoria para alimentar o processo e motivar a produção. É preciso também investir na capacitação artística, na formação básica, com um cronograma sério, utilizando as Casas de Cultura ou Escolas de Arte. Essa ação é de um valor agregador, transformador, construtivista que, não tem preço”.

Colaborou: Cinthia Lopes
(Editora)


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