O que fazer com o ‘Armazém Real’

Publicação: 2017-09-30 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter

Antes da transição para o Palacete de Fortunato Aranha, na Ribeira, em 2012, a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no RN (Iphan-RN) funcionava no antigo prédio do Armazém Real da Capitania, na Rua da Conceição, na Cidade Alta. A ideia do órgão federal era, com a mudança, transformar a antiga sede na Casa do Patrimônio, lugar de palestras, exposições temporárias e lançamentos de livros. No entanto o projeto até hoje não foi pra frente e o imóvel segue subutilizado justamente num período em que a Rua da Conceição ganha atenção com a reabertura de dois importantes prédios culturais em 2017: o Museu Café Filho e o Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN).

Em 2014 o Iphan-RN chegou a contratar uma empresa para elaboração de um projeto de restauração completa do prédio na Cidade Alta. Mas, devido a desentendimento com a empresa, se iniciou um imbróglio burocrático só resolvido na metade de 2016. Durante esse período, o órgão não pode contratar outra empresa para a realização do projeto.
Projeto para Casa do Patrimônio, na antiga sede do IPHAN, não foi adiante por perdência com empresa contratante
Projeto para Casa do Patrimônio, na antiga sede do IPHAN, não foi adiante por perdência com empresa contratante

“Esta empresa teve diversos problemas na execução do contrato o que culminou na sua rescisão não amigável em 2016. Desde a rescisão o Iphan-RN tentava uma solução das pendências deixadas pela empresa, mas não teve sucesso”, explica o Superintendente substituto do Iphan-RN, Márcio Granzotto. “Em agosto do corrente ano consegui realizar um acordo para a finalização da discussão sobre os produtos entregues e o pagamento final do IPHAN evitando que o embate fosse para a via judicial.”

Granzotto conta que o órgão não dispõe de recursos para contratação de nova empresa e que por isso o próprio quadro da superintendência local fará o projeto. “A previsão é que este projeto seja concluído no primeiro semestre de 2018. Entretanto, ainda é impossível afirmar se teremos recursos financeiros para executar as obras, pois a LOA 2018 (Lei Orçamentária Anual) ainda não foi aprovada”, diz o gestor, que ressalta: “Este projeto é tido como prioritário pela Superintendência”.

Enquanto o projeto não sai, Granzotto afirma que nenhuma reforma pode ser feita no prédio, que atualmente é utilizado somente para armazenamento de um carro que será alienado em breve. Construído em meados de 1752, em alvenaria de pedra e cal, o prédio passou por diversas reformas ao longo de sua história, chegando a servir de residência e comércio. A parede de pedra, da construção original, o superintendente garante que está em condições normais.

“Quanto a destinação do imóvel estão mantidos os planos originais, de transformação do espaço em local multiuso, para fins culturais, a ser designado como Casa do Patrimônio”, reforça. Mas ele não descarta a possibilidade de cessão do imóvel para o Estado ou Município. “Portanto que a destinação seja em favor da sociedade como espaço cultural, conformo os planos do IPHAN”.

Armazém Real

da Capitania

Localizado na Rua da Conceição, 603, na Cidade Alta, o prédio integra a poligonal de tombamento do Iphan. Construído em alvenaria de pedra e cal, o imóvel era, ainda em 1752, citado como ponto de referência. É provável que em fins do século XIX, apresentasse a feição atual. Durante muitos anos, serviu como residência e comércio. (Fonte: Iphan-RN)

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários