O que fazer para a crise não voltar

Publicação: 2018-04-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Henrique Meirelles
Ex-ministro da Fazenda

O Brasil deixou para trás a maior crise econômica de sua história. Em 2015, o país mergulhou num ciclo vicioso marcado por desemprego, perda de renda, inflação acelerada, juros altos, déficit público crescente, nível de confiança em queda e investimentos suspensos. Em dois anos, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu de 7,3%.

Muitas outras crises já haviam atingido o Brasil, mas nunca com tamanha intensidade. A tragédia de 2015 e 2016 foi mais grave até do que a Crise de 1929 e a Grande Depressão que a ela se seguiu. No futuro, os historiadores econômicos devem analisar o que aconteceu no país com o mesmo espírito com que esmiúçam o caso de 1929. Com certeza, buscarão os motivos da crise de 2015 e 2016 como um exemplo a ser evitado .

Os gestores públicos não têm tanto tempo quanto os historiadores. Em 2016, assumi o Ministério da Fazenda com a missão de reverter o quadro no menor tempo possível. Era necessário ter um diagnóstico urgente do que afligia a economia e combater o problema na sua origem. Na raiz daquele cenário gravíssimo , estava a irresponsabilidade fiscal. O descaso com o dinheiro dos contribuintes cobrava seu preço na forma mais dolorosa, a perda de empregos e de renda.

As despesas públicas no Brasil cresceram sistematicamente por 25 anos ou mais. Entre 1991 a 2016, o gasto total da União em proporção do PIB dobrou, atingindo quase 20%. O governo anterior aumentou fortemente este descontrole.Impulsionou ainda mais os desembolsos oficiais até que eles chegaram a um nível insuportável, no qual ameaçavam a solvência do país.

Era necessário controlar a expansão do déficit e resgatar a confiança na economia brasileira. A saída foi aprovar o teto de gastos públicos. Uma ampla série de reformas foi proposta para reduzir o peso do estado na economia, facilitar o crescimento das empresas e aumentar a oferta de empregos. Muitas medidas já foram aprovadas e outras mais estão sob análise do Congresso.

Os resultados já apareceram. O país voltou a crescer. A inflação caiu ao nível mais baixo desde 1998. A inflação para aqueles de renda mais baixa atingiu o menor nível da história. Nos últimos meses, houve uma retomada da geração de empregos. Os investimentos reagiram. A arrecadação tributária aumentou. A confiança voltou. É o início de um ciclo de crescimento do emprego e da renda.

Isto tudo exigiu um volume de trabalho e esforço que não pode ser desperdiçado numa nova crise. É preciso rejeitar a sedução dos gastos desenfreados e da irresponsabilidade fiscal. As consequências desses vícios já são conhecidas. Não há dúvida que foram eles que nos mergulharam na crise. Ainda assim, existem os que defendem a volta do intervencionismo do governo na economia.

O próximo governo tem de estar comprometido com políticas que aumentem a oferta de empregos e a renda das famílias de forma sustentável. Deve apoiar o espírito empreendedor dos brasileiros, e não aumentar sua presença na economia ou tentar controlá-la com intervenções negativas . Será necessário estimular o crescimento para que a arrecadação de impostos aumente e permita o financiamento dos programas sociais.  Se 2015 e 2016 foram os anos do colapso e 2018 o ano da consolidação da recuperação economia, 2019 pode marcar o início de um novo período de prosperidade.


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