O que muda na sua vida com a chegada do PIX, em novembro

Publicação: 2020-08-01 00:00:00
O Banco Central (BC) antecipou para 5 de outubro o registro das chaves de endereçamento para receber um PIX, sistema de pagamentos e transferências instantâneos. Segundo o BC, as chaves são o “método fácil e ágil” de identificação do recebedor. Desta forma, o pagador não precisará de dados como número da instituição, agência e conta para fazer uma transferência.

Créditos: Marcello Casal Jr/ABRBC: custo das transferências através do PIX será de R$0,01 a cada 10 operações e deve ser pago pela instituição que recebe o recursoBC: custo das transferências através do PIX será de R$0,01 a cada 10 operações e deve ser pago pela instituição que recebe o recurso


Para receber um PIX, a partir de outubro, basta acessar o aplicativo da instituição em que tem conta e fazer o registro da chave, vinculando o número de telefone celular, e-mail ou CPF/CNPJ àquela conta específica.As informações serão armazenadas em uma plataforma tecnológica desenvolvida e operada pelo BC, chamada Diretório Identificador de Contas Transacionais (DICT), um dos componentes do Pix.

De acordo com o BC, antes previsto para se iniciar em 3 de novembro, o registro foi antecipado para que os clientes e as instituições tenham mais tempo para se familiarizar com o PIX. Estarão disponíveis antecipadamente todas as funcionalidades para a gestão das chaves – além do registro, a exclusão, a alteração, a reivindicação de posse e a portabilidade. As regras específicas estarão detalhadas no Regulamento PIX, que será publicado em agosto.

O BC informa ainda que a participação no período antecipado de registro de chaves será facultativa para as instituições financeiras e de pagamentos participantes do PIX, tendo como pré-requisito a conclusão bem-sucedida da etapa de homologação.

Movimento rápido
O PIX, que começa a funcionar no dia 16 de novembro,  vai permitir que os brasileiros enviem e recebam recursos em questão de segundos – e sem pagar nada por isso.  Atualmente, as transferências de dinheiro ocorrem via TED ou DOC, mas ambas opções envolvem custos e são limitadas quanto a dias e horários. Para fazer uma Transferência Eletrônica Disponível (TED), por exemplo, o correntista pode pagar taxas de até R$25. Os valores caem na conta do destinatário no mesmo dia, mas a operação só pode ser feita até as 17h, de segunda a sexta-feira.

No DOC, o valor máximo a ser enviado é R$4.999 e o dinheiro só chega ao destino no próximo dia útil – e ainda pode demorar mais tempo se o processo for feito após as 22h. Já com o PIX, os clientes poderão fazer transações imediatas em qualquer horário ou dia de semana.

De acordo com o Banco Central, o custo das transferências feitas com o PIX será de R$0,01 a cada 10 operações e deve ser pago pela instituição financeira que recebe os recursos. Engana-se-, porém, quem acha que a rapidez e os custos com as transações são os únicos diferenciais do serviço.

“Hoje, para fazer uma transferência, a pessoa tem que informar uma série de dados, como código do banco, CPF e conta”, diz João Bragança, especialista em meios de pagamento da consultoria Roland Berger. “Não é uma experiência legal”, completa.

Por meio de nova tecnologia, os usuários terão seus dados resumidos em uma única ‘chave de endereçamento’. “Em vez de passar esse conjunto de informações, o cliente informa somente o número de celular, ou o CPF, e todos os dados necessários para a transação já estariam disponíveis”, explica Bragança.

Também será possível pagar compras em comércios através de QR Codes. “A pessoa só precisa escanear o código para fazer uma transferência”, ressalta Fernando Radunz, CIO do Banco BS2. “O PIX também deve concorrer também com o cartão de débito e o pagamento em espécie.”

Segundo Radunz, o banco BS2 está criando uma plataforma para que pequenas e médias empresas possam utilizar o PIX. Atualmente, somente as instituições financeiras com mais de 500 mil contas, sejam elas bancos tradicionais ou fintechs, são obrigadas a implementar o novo meio de pagamento.

“A tecnologia é do Banco Central, mas cada instituição tem que criar a sua própria plataforma para se conectar ao serviço, e oferecê-lo nos próprios aplicativos”, disse o CIO. “O que estamos fazendo é criar um sistema para que pequenos e médios negócios, que não são obrigados a participarem, possam ter acesso ao PIX também.” A plataforma PIX as a Services by BS2 está em aprovação pelo BACEN.

TED, DOC e débito podem perder mercado
Na visão de João Bragança, especialista em meios de pagamento da consultoria Roland Berger, a nova tecnologia é uma quebra de paradigma entre as transações financeiras de hoje e como serão esses processos no futuro. “Você vai ter duas contas, que não precisam ser contas bancárias, que vão estar interconectadas por um sistema único de pagamentos a custo baixo”, diz.

Para o especialista, o sistema PIX torna quase indiferente para o cliente a questão de ter uma conta bancária ou uma conta de uma carteira digital, como PicPay ou Mercado Pago. “Esse é o principal impacto, já que o consumidor pode fazer transferências e pagamentos sem precisar de cartão. Podemos esperar mais competição, acesso e concorrência.”

Essa também é a expectativa de fintechs, como o Nubank. “Acreditamos que o PIX transformará positivamente o mercado tornando mais ágil e prático o ato de fazer pagamentos e transferências. Temos certeza que esse novo meio beneficiará consumidores e lojistas com custos mais baixos de pagamento e maior acesso de fintechs e novas empresas financeiras, graças à infraestrutura de liquidação de pagamentos gerida pelo Banco Central”, informou o banco digital, em nota enviada ao E-Investidor.

Um estudo feito pela consultoria Roland Berger sobre o novo serviço mostrou que o PIX pode tirar até R$13 bilhões das credenciadoras de cartões – o que significa perder 63% da receita atual. Apesar da possibilidade de ficarem em segundo plano, os cartões de crédito também podem ser afetados. Segundo o Banco Central, o serviço instantâneo de pagamentos também terá a opção de “PIX agendado” – que proporciona uma forma de pagamento a prazo.

“Os grandes bancos estão caindo nesse erro de pensar que isso vai ser um novo TED, mas vai ser muito mais do que isso”, afirma Bragança. “O PIX pode modificar a estrutura do mercado.”

A chegada do PIX era prevista para sair do papel no dia 3 de novembro, quando os clientes poderiam começar a fazer o registro das ‘chaves de endereçamento’. Entretanto, o Banco Central antecipou essa data para 5 de outubro, para que os correntistas tenham mais tempo para se adaptar ao novo serviço.

“Quem desejar receber um PIX de forma simples e prática deverá, a partir de outubro, acessar o aplicativo da instituição em que possui conta e fazer o registro da chave, vinculando o número de telefone celular, e-mail ou CPF/CNPJ àquela conta específica”, informou a instituição, em nota.

Cronograma para implementação do PIX
Agosto: Divulgação do Regulamento Pix e manuais técnicos
05/outubro: Início do processo de registro de chaves de endereçamento
03/novembro: Início da operação restrita do Pix
16/novembro: Lançamento do Pix para toda a população