O sentido da coroação de Nossa Senhora

Publicação: 2019-05-24 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo Metropolitano de Natal

Queridos irmãos e irmãs! No próximo dia 31, nas nossas paróquias, acontecerá a Coroação de Nossa Senhora. Elá é o fechamento ou conclusão das celebrações marianas do mês de maio, mês dedicado à Mãe de Jesus. A celebração do dia 31 de maio, na Liturgia da Igreja, Festa da Visitação da Virgem Maria à sua prima Isabel (cf. Lc 1,39-56), evoca o acontecimento de encontro entre Isabel, mulher de idade avançada e estéril, escolhida para ser a mãe do Precursor, João Batista, e a jovem “filha de Sião”, escolhida para ser a Mãe do Filho eterno, Verbo encarnado.

Embora não se apresente, formalmente, a coração de Nossa Senhora nos Evangelhos, nem nos Atos dos Apóstolos, o sentido da “coroação” de Nossa Senhora deve ser buscado como glorificação da Mãe de Jesus. De fato, a verdade sobre a Virgem Maria está na relação com o Deus Uno e Trino, criador dos homens e das mulheres, Ele que predestina os mesmos para a glória celeste. É São Paulo que nos orienta nessa perspectiva ao afirmar: “Pois aos que ele conheceu desde sempre, também os predestinou a se configurarem com a imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou, e aos que chamou, também os justificou, e aos que justificou, também os glorificou” (Rm 8,29-30). Ainda somos exortados pelo mesmo Apóstolo na Carta aos Efésios: “Conforme o desígnio benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, com que nos agraciou no seu bem-amado” (Ef 1,5-6).

Mas, a glorificação de Maria significa “coroação”? Novamente São Paulo nos ajuda na reflexão: “Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados. Cada qual, porém, na sua própria categoria: como primícias, Cristo; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda” (1Cor 15,22-23). Todos os que são batizados se enquadram nesta ação redentora do Filho de Deus, Verbo encarnado. Mas, em primeiro lugar, aquela que esteve unida de tal forma a Ele, por ocasião de sua vinda, pois nela Ele se encarnou, isto é, tomou vida dela, já que sua humanidade se forma nela. Assim, a glorificação da Mãe significa a plenitude da vida de Maria, plenitude esta que mostra que a realidade toda da vida de Maria esteve unida ao mistério de seu Filho, Filho de Deus feito homem, que, na relação com o Pai e o Espírito Santo, faz-nos participar de sua vida.

Daí vem a significação de que Maria, sendo Mãe daquele que é o Rei do Universo, ela possa ser chamada de “Rainha”. Vale o mesmo do sentido da definição de Maria como “Mãe de Deus”. “Não no sentido de que a natureza do Verbo ou sua divindade tenham tido orgiem da santa Virgem, mas no sentido de que, por ter recebido dela o santo corpo dotado de alma racional ao qual também estava unido segundo a hipóstase, o Verbo se diz nascido segundo a carne” (CONCÍLIO DE ÉFESO, 431). Assim, também chamamos Nossa Senhora de “Rainha”, não no sentido de um poder paralelo ao Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo, mas porque Ele faz a sua Mãe participar de sua realeza. Ainda, assim a chamamos, especialmente na memória litúrgica, de origem devocional, do dia 22 de agosto, memória instituída pelo Papa Pio XII, após a definição dogmática de 1950, da Assunção de Nossa Senhora. E, não faltam expressões que intitulam Maria, Rainha, como a “Salve Regina” (Salve Rainha) e a antífona “Regina Coeli” (Rainha do céu: rezada ou cantada no Tempo Pascal) e “Ave Regina coelorum” (Ave, Rainha dos céus).

Que a “coroação” de Nossa Senhora, celebrada com tanta ternura nas nossas comunidades paroquiais, seja animada pelo desejo de honrar aquela a quem chamamos de “Bendita”, conforme ela mesma profetizou no seu canto, o “Magnificat” (cf. Lc 1,47-55). Mas, sobretudo, que celebremos a fidelidade de Deus ao seu desígnio de amor, pois exaltando a Mãe do seu Filho, Ele declara para nós que não falhará em sua promessa de exaltar-nos, para juntos participarmos de sua glória. E, enquanto peregrinamos aqui, façamos o que Maria indicou: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).






continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários