Alex Medeiros
O sete, o após e o resto de setembro
Publicado: 00:00:00 - 09/09/2021 Atualizado: 22:54:53 - 08/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Natal registrou terça-feira o maior 7 de setembro da história da cidade. No aspecto de gente na rua, superou longe os áureos anos dos desfiles militares e civis que envolviam a sociedade de uma capital cheirando à província. Milhares de pessoas se concentraram desde a Via Costeira à Praça Pedro Velho, da Zona Norte ao Midway, e ainda teve algumas avenidas pintadas de verde e amarelo com as carreatas que iniciaram de manhã e prosseguiram pela tarde.

O destaque foi para o bairro de Petrópolis, completamente tomado pela multidão e com dezenas de quarteirões congestionados de automóveis. As últimas vezes que se viu tanta gente na região nas últimas duas décadas foi nos bailes de máscara de 2017 e 2018, evento no Largo do Atheneu que abre oficialmente o carnaval da cidade. As imagens que ainda se espalham pelas redes apontam que a comemoração da data vai voltar como antigamente. 

No resto do Brasil, as multidões que lotaram a Esplanada em Brasília, a Avenida Atlântica no Rio e a Avenida Paulista apontam que as festividades do Dia da Independência despertaram no País o antigo espírito cívico do passado.

A gigantesca participação popular também representa que o presidente Jair Bolsonaro mantém sua capacidade de mobilização. E isso é um forte elemento a ser observado nas lentes políticas dos parlamentares em véspera de pleito.

A presença do presidente nas manifestações de Brasília e São Paulo foram dois momentos distintos no âmbito político. Na primeira, agitou a multidão com tons patrióticos; na segunda atiçou a militância no combate aos inimigos.

Bateu duro no ministro Alexandre de Moraes e espalhou golpes verbais para os demais “supremos” desafiando todos ao pregar a desobediência às sentenças judiciais, principalmente as injustas e que acabam atropelando a Constituição.

As respostas, que se esperava mais duras, vieram amenas, mas com recado direto. Luiz Fux, Augusto Aras e Arthur Lira foram verbalmente leves sobre riscos de impeachment, diferentes do tom agressivo e raivoso de João Doria.

Antes deles, pela manhã, quem também fez críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes foi o vice-presidente Hamilton Mourão, em entrevista ao jornal O Globo. O general foi claro ao dizer “juiz não pode conduzir inquérito”.

Sem o tom desafiador de Bolsonaro, Mourão repetiu a essência da crítica feita pelo colega e chefe, depositando toda a culpa na crise entre os poderes no ministro que tenta controlar tudo e todos num surto evidente de superpoderes. 

Mesmo quando perguntado sobre o fato de Bolsonaro usar o termo “canalha” nas referências a alguns ministros, que todos sabem quem são, o vice preferiu tergiversar e opinou sobre o impeachment, dizendo não haver mínima chance.

E confia na maioria que o governo tem no Congresso, comprovada várias vezes, como na votação da PEC do voto auditável quando os governistas reuniram 229 votos contra 218, mesmo sem ter atingido o número necessário.

Mourão não escondeu a discordância com o STF, concordando com Bolsonaro sobre os excessos cometidos, principalmente por Alexandre, na instauração de inquéritos que o ministro acaba sendo juiz, promotor, testemunha e delegado.

Ontem mesmo, poucas horas após os pronunciamentos, alguns partidos decidiram iniciar discussão sobre um possível impeachment de Bolsonaro, todos estimulados no recado inserido nas críticas do discurso de Luiz Fux.

Há dois complicadores para os deputados e senadores – principalmente os de oposição - cuja maioria vai se candidatar nas eleições do ano que vem: conseguir três quintos dos votos da Casa e encarar os eleitores de Bolsonaro.
Sem falar dos caminhoneiros.

Divulgação


Caminhoneiros
Uma paralisação com bloqueios das rodovias, em princípio marcada para amanhã, se antecipou ontem por todo o país com estradas fechadas com caminhões, carretas e até caçambas bloqueando vias com brita e concreto.

Esplanada
Por volta das 13h. duas dezenas de carretas foram estacionadas bloqueando os acessos aos prédios da Esplanada dos 3 Poderes, em Brasília. No mesmo momento, bloquearam as balsas que transportam cargas pelo Maranhão.

Federal
Perto do meio-dia de ontem, a Polícia Federal Rodoviária já tinha registrado 173 pontos de concentração de caminhões e 53 pontos de bloqueios de rodovias. No fim da tarde, seis estados já estavam com suas vias bloqueadas.

Manifestações
Nos três discursos feitos ontem, por Arthur Lira, Luiz Fux e Augusto Aras, um ponto em comum foi a constatação de que os atos realizados pelo dia da independência e de apoio a Jair Bolsonaro foram pacíficos e sem incidentes.

Responsabilidade
Ernesto Cardenal dizia que erradicar a fonte da violência não é violência. Não concordar com excessos de processos que ferem a Constituição não pode ser crime de responsabilidade. Um juiz não deve nem pode ser ativista político.

Recado
Do deputado federal Bibo Nunes, do RS, em seu perfil das redes sociais: “Um recado para o Ministro Alexandre de Moraes, do STF: Quando a política entra nos tribunais, a justiça foge pela janela. Peça para sair, pela paz no Brasil!”.

Guru vermelho 
O seminário “Freire-Ano da Educação Potiguar” em culto ao centenário de nascimento de Paulo Freire, vai reunir Fátima Bezerra, Fernando Haddad e Luiza Erundina num papo-intelecto sobre o efeito Freire no social e literatura.




Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.








Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte