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Jornal de WM
O tempo político de Eloy
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2022 Atualizado: 14:00:50 - 14/05/2022
Na gaveta dos papéis desarrumados encontro um envelopão com várias cartas de Eloy de Souza (1873/1959) para o “majó” Theodorico Bezerra (1903/1994). São cartas originais, todas manuscritas, datadas entre os anos de 1945 a 1950 e enviadas do Rio de Janeiro, Natal e Nova Cruz. No meio delas há cópia datilografada de uma carta que o doutor Eloy escreveu para Dinarte Mariz e para o dr. José Augusto Bezerra de Medeiros. O mote principal dessa correspondência, claro, é a política. A política das décadas de 1940 e 1950, muita parecida com a atual, quase os mesmos bastidores (camarinhas) partidários de hoje. Transcrevo a carta na íntegra:

“Nova Cruz, 14/6/945

Caros Dinarte e José Augusto

Tenho refletido muito a respeito da nossa situação política no tocante, principalmente, á organização da chapa dos que nos devem representar na Câmara e no Conselho Federal. Se o interesse de todos é a vitória do pleito o meu sobreleva a qualquer outro, porque se fôssemos, por ventura derrotados ficaria privado do desejo e propósito e sepultar-me em nossa terra. De um tal desastre não escapariam as conquistas morais e materiais realizadas pelos ancestrais num esforço consciente de perpetuidade. Tudo soçobraria; e é preciso que não sossobre. Pela amostra que aí está podemos prever o que virá depois de tal calamidade se concretizar.

Assim sendo, devem vocês considerar o campo eleitoral e por indicações adequadas fortalecermos o êxito da campanha. É preciso olhar o Oeste e o Assú por circunstâncias que uma conversa pessoal melhor esclarecerá. Só não me considero inválido porque, mercê de Deus, ainda conservo a faculdade de auto-crítica que me aconselha e determina escrever-lhes estas linhas, que espero e conto serão lidas por vocês com a devida atenção.

De meditação em meditação cheguei a convicção de que devo por ponto final na minha atividade representativa, sem prejuízo da minha colaboração propriamente partidária em tudo que se possa e deva fazer para assegurar a nossa vitória agora e depois. Venho, pois, dizer-lhes que não sou candidato a nenhum mandato na representação nacional. Meu tempo passou. O mundo que vai nascer em nada se parece com aquele em que tenho vivido tão longamente. É possível, será bem certo, talvez, que sua organização corresponda melhor à felicidade humana. Seja, porém, como for, já não tenho saúde para ajudar os gigantes que vão empreender essa construção de proporções tão vastas.

Não lhes escrevo palavras, mas sim, lhes comunico uma resolução que respeitada muito mais me solidariza com os meus amigos e os seus bens propostidos. Sinto-me no dever de acrescentar que minha deliberação foi tomada de acordo com minha mulher para quem a minha renúncia completa a harmonia da minha vida pública.  Não fujo. Antes busco com a minha atitude fortalecer ainda mais minha autoridade combativa.

Abraços e saudades do velho e fiel amigo,

Eloy de Souza”.

No final da cópia da carta, Eloy de Souza acrescentou à mão: “Caro Theodorico: Uma parte desta carta talvez sirva para enfeitar o meu necrológio. Velho Eloy”. 

O Democrata 

No mesmo envelopão, entre as cartas, tem um recorte do jornal “O Democrata”, edição de 4 de dezembro de 1947, destaque para o artigo de Eloy de Souza com o título “Exemplo a ser imitado”, que traça o perfil de Theodorico Bezerra como político e empresário.

“O Democrata”, fundado em 1945, era o órgão do Partido Social Democrático, cujo diretório estadual tinha como presidente Theodorico Bezerra. Naquele ano de 1947, confiro no expediente do jornal, “O Democrata” era dirigido por Veríssimo de Melo; secretário, Joanilo de Paula Rego; redator-chefe, Esmeraldo Siqueira.

O primeiro diretor do jornal foi Rui Paiva. Passaram também pelo posto Romildo Gurgel, Antônio Pinto de Medeiros e Manoel Varela, entre outros. O jornal funcionava num sobradinho da avenida Duque de Caxias, esquina com a Praça Capitão José da Penha, do outro lado o Grande Hotel, de propriedade de Theodorico Bezerra, velha Ribeira de muitas e preciosas histórias.

Comandante Graco 

Sexta-feira que vem, dia 20, o nosso querido comandante Graco Magalhães Alves estará festejando seus cem anos de idade, cercado de familiares, amigos e admiradores. Mineiro de São Lourenço (Muzambinho), nascido em 1922, potiguar derna de 1945 quando aqui chegou tenente-aviador da Aeronáutica, com passagens pela Segunda Guerra Mundial.

Como piloto serviu a 10 governos do Rio Grande do Norte. Conhece profundamente a história política do Estado, participando de decisões importantes. Teve atuação destacada também como empresário no setor agropecuário, fazendeiro e criador de cavalos, e como agente de companhia aérea (Lóide Aéreo).

Foi colaborador da Tribuna do Norte. Seus artigos e crônicas estão reunidas no livro “Voar é Preciso”, publicado em 2009, com apresentação de Aluízio Alves, prefácio de Sanderson Negreiros e orelhas do xará WM. 

Comandante Graco, mineiro-potiguar, é um grande brasileiro! 

Exposição 

Segunda quinzena de maio com exposições e feiras agropecuárias na região do Seridó.  No dia 19, quinta-feira que vem, começa a da cidade de Lagoa Nova. No dia 26, a de Caicó, indo até o dia 29, último domingo do mês.

Museu 

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, lá se vão 120 anos, vai participar da 20ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) para celebrar o Dia Internacional de Museus (18 de maio) com o tema “O poder dos museus”.

Aqui em Natal o evento acontecerá no dia 18, das 8 ás 17 horas, na sede do IHGRN, na bonita rua da Conceição.

Chuva 

Primeira quinzena de maio com boas chuvas pelos sertões potiguares, mais concentradas nas regiões Oeste e Seridó.  Maio é considerado “o último mês da quadra chuvosa do semiárido Rio Grande do Norte”. A partir de agora, incluindo, junho, julho e agosto, segundo o meteorologista Gilmar Bistrô, elas deverão se concentrar mais no Agreste e região Leste (Litoral). Amém.

Esta semana, entre domingo (8) e sexta-feira (13) houve chuva passando dos 100 milímetros na região Oeste. Foi em Caraúbas, 124 mm, seguido de Campo Grande, 94, Felipe Guerra, 64, Tibau, 63. No Seridó, Bodó com 88 mm, São Fernando, 49, Lagoa Nova, 45, Cerro Corá, 42.

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