O Universo dos Vinhos Kosher

Publicação: 2018-12-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Os alimentos, bem como as bebidas, e aqui eu destaco os vinhos Kosher, Kasher ou Casher, são produtos sancionados e/ou permitidos pela lei judaica, passando em todas as suas etapas de produção pela supervisão de um rabino. A palavra Kosher é de origem iídiche, língua indo-europeia (do subgrupo germânico, judeu-alemão), que foi adotada pelas comunidades judaicas da Europa Central e Oriental. Literalmente Kocher significa “permitido” ou “apropriado”, e se referem a alimentos e bebidas permitidas dentro do kashrut, um conjunto de leis alimentares, uma espécie de dieta judaica. Estas leis, ou dieta kashrut, derivam de dois livros do Torá (livro sagrado dos judeus): o Levítico e o Deuteronômio. Do ponto de vista dos alimentos as observâncias rabínicas estabelecem que carne e leite não devem ser misturadas, nem ingeridas juntas, todo sangue do animal deve ser drenado antes do consumo da carne, não se consome carne de porco, moluscos, nem frutos do mar, etc. de modo que, para os judeus, todo alimento não kosher é considerado treif (proibido) na tradução hebraico- portuguesa.

A mesa Kosher traz alimentos preparados com regras e rituais próprios, desde a colheira das uvas até a bebida na taça
A mesa Kosher traz alimentos preparados com regras e rituais próprios, desde a colheita das uvas até a bebida na taça

Para o povo judeu, o vinho tem uma importância histórica, mas, tal como os alimentos, deve seguir as tradições histórico-religiosa. Para inspeção destes alimentos e bebidas existem atualmente mais de 400 agências de supervisão rabínica no mundo, que codificam suas embalagens com um “U” ou um “K” dentro de um círculo, ou de uma moldura. Quando estas letras aparecem sem o adorno, significa que o produto kosher não necessariamente foi supervisionado por um rabino. O vinho é repleto de símbolos para os judeus. O brinde representa alegria, e ao contrário de tudo que é material, o vinho se valoriza com o tempo. Mas tal como os alimentos precisam de supervisão rabínica, ainda que seja industrializado. Algumas regras básicas para que o vinho seja classificado como Kosher são: as videiras não podem produzi-lo com menos de 4 anos; os vinhedos, caso estejam em terras bíblicas, deve deixar de produzir uma vez a cada 7 anos; no local do vinhedo nenhum outro tipo de planta deve ser cultivado; todo o equipamento e matéria-prima utilizado na elaboração da bebida deve ser igualmente Kosher, e o vinho (a bebida em si) só pode ser manuseado (tocado) por judeus ortodoxos, ainda que enólogos e outras pessoa envolvidas no processo não o sejam.

Vinhos Kosher podem ser ainda Mevushal (pasteurizados, fervido em hebraico), podendo ser servido por um não judeu, e não-Mevushal, uma minoria, e apenas servido e consumido pelos judeus ortodoxos. No passado estes vinhos mostravam-se sem qualquer pretensão qualitativa, e seu foco era mesmo o cumprimento das tradições religiosas judaicas, mas atualmente podem ser muito bons, tal como um vinho convencional, e são elaborados em quase todos os países produtores do mundo, a exemplo de França, Itália, Espanha, Estados Unidos, Austrália e, pasmem, Brasil, onde a Casa Valduga é pioneira no assunto.

O Vinho Kosher no Brasil
A Vinícola brasileira Casa Valduga, foi pioneira na produção de vinhos Kosher para a comunidade judaica brasileira. Sob a supervisão dos rabinos da BDA, foram produzidos os vinhos: Casa Valduga K Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Espumante Demi-Sec e Moscatel. Atualmente do portfólio da vinícola consta o Espumante Casa Valduga Kosher Mevushal (pasteurizado) Brut, elaborado com as uvas Chardonnay, Prosecco e Pinot Noir no Vale dos Vinhedos pelo método Charmat. E a novidade da Importadora Domno, pertencente ao Grupo Valduga, é que seu portfólio acaba receber o sensacional vinho espanhol Nexus One Kosher. Um vinho da DO Ribeira Del Duero, elaborado com 100% de uvas Tempranillo, e seguindo todos os preceitos rabínicos, que pode ser adquirido pelo site: www.domno.com.br  



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