O verdadeiro poder é o serviço

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo Metropolitano de Natal

Queridos irmãos e irmãs!

Um dos ensinamentos mais fortes de Papa Francisco, direcionado tanto para os governantes e políticos, quanto para ministros ordenados e leigos da Igreja, diz respeito ao exercício do poder. O verdadeiro poder é o serviço, afirmou várias vezes o Pontífice Romano.

Em várias ocasiões, discursos, homilias, documentos, o Papa frisa a relação, forte e indispensável, entre poder o e serviço. Comentando o trecho do Evangelho de Marcos, onde Jesus faz a predição da paixão e morte que deveria acontecer em Jerusalém, o Papa reflete sobre o fato de que os discípulos nada entendiam de suas palavras, mas no caminho discutiam quem era o maior. Enquanto Jesus apresentava o desfecho de sua vida, eles procuravam estabelecer quem deveria ser o sucessor, o mais importante entre eles. A resposta de Jesus é emblemática: quem quiser ser o maior seja o servo de todos. Esta deveria ser a meta de todos os cristãos. É bem verdade, como nos lembrou o Papa Francisco, a luta pelo poder na Igreja vem de longe. Mas, é de longe, ou seja, vem o próprio Fundador da Igreja, que a verdadeira essência da Igreja é ser servidora da humanidade. E isto não acontece por uma espécie de prestação de serviço, igual que fazem as empresas comerciais ou industriais. Não apresentamos um produto a ser comercializado. Nós anunciamos o amor gratuito de Deus pelo homem e pela mulher, que se manifesta em seu Filho e no Espírito. Tudo, portanto, na Igreja leva a marca deste anúncio: Deus enviou seu Filho, Deus enviou o Espírito de seu Filho, Deus acolheu a entrega de seu Filho, aceitou a sua obediência, manifestou o seu poder na ação de Cristo que acolhe a mulher samaritana, conversa com Nicodemos, perdoa a mulher adúltera, entra em comunhão com Zaqueu, tem compaixão das viúvas, se comove internamente pelo sofrimento dos outros, pela perda dos entes queridos, busca a ovelha perdida...

A Igreja, comunidade que vive do amor de Deus, é chamada a viver neste contínuo serviço. Quando ela o faz não é algo que provém dela, mas é Deus mesmo agindo nela para o bem de todos. Por isso, lembramos, como fez Papa Francisco: “o verdadeiro poder é o serviço. Como ele [Jesus] fez, que veio para servir e não para ser servido... Não existe na Igreja nenhum outro caminho para progredir... O maior serviço é o serviço aos outros: esta é a regra”. Uma regra ou princípio da Doutrina Social da Igreja: a dignidade da pessoa. Vale lembrar o que a Igreja proclama sobre isso: “A Igreja vê no homem, em cada homem, a imagem do próprio Deus vivo; imagem que encontra e é chamada a encontrar sempre mais profundamente plena explicação de si no mistério de Cristo, Imagem perfeita de Deus, revelador de Deus ao homem e do homem a si mesmo. ” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 105). Numa das últimas intervenções neste assunto, comentando a aparição de Jesus ressuscita a Maria Madalena, o Papa afirmou sobre a pessoa como destinatária da atenção de Deus, e que por isso mesmo, se torna destinatária da nossa atenção e do nosso serviço: “Como é bonito pensar que a primeira aparição do Ressuscitado — segundo os Evangelhos — teve lugar de um modo tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove por nós e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Em volta de Jesus há muitas pessoas que procuram Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há sobretudo Deus que se preocupa com a nossa vida, que a quer reanimar, e para fazer isto chama-nos pelo nome, reconhecendo o semblante pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve nesta terra. Cada um de nós é uma história de amor de Deus. Deus chama cada um de nós pelo nome: conhece-nos pelo nome, olha para nós, está à nossa espera, perdoa-nos, tem paciência com cada um de nós” (FRANCISCO. Catequese na Audiência do dia 17 de maio de 2017).

Se esta é a regra para todos nós, então, busquemos viver assim, pois, somente no serviço desinteressado, é que poderemos nos assemelhar a Cristo e sermos suas testemunhas num mundo cheio de egoísmos e de indiferenças, marcado pelas injustiças sociais e pela corrupção dos costumes. Sejamos servidores neste mundo, pois Deus não se cansa de amá-lo. E nós somos, no mundo, sinal deste grande amor, para a conversão e a salvação da humanidade.

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