Obra traz detalhes sobre a vida de Maria Thereza Goulart

Publicação: 2019-03-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Ubiratan Brasil/AE

Na primeira metade da década de 1960, a gaúcha Maria Thereza Fontella Goulart era apontada como uma das mulheres mais bonitas não apenas do Brasil, mas do mundo. Esposa do presidente João Goulart (1918-1976), o Jango, que governou o Brasil entre 1961, depois da renúncia de Jânio Quadros, até 1964, quando foi deposto pelo golpe militar, ela estampou as capas das principais revistas nacionais e estrangeiras - a Time a incluiu entre as mais belas primeiras-damas do mundo, ao lado da princesa Grace Kelly, de Mônaco, e de Jacqueline Kennedy, dos Estados Unidos. Apesar de tamanho assédio, Maria Thereza sempre preferiu a discrição, o que explica em parte o título de Uma Mulher Vestida de Silêncio, biografia assinada por Wagner William, que a editora Record lança nos próximos dias.

Biografia traz detalhes da vida da ex-primeira-dama
Biografia traz detalhes da vida da ex-primeira-dama

O título resume com precisão a trajetória de Maria Thereza, ainda hoje uma senhora de infinita elegância: se foi famosa pelos belos vestidos (grande parte desenhada especialmente para ela por Dener, um dos mais famosos estilistas brasileiros, que também se aproveitou da projeção), ela também preservou sua intimidade. Um feito para quem viveu sobressaltos em tenra idade: aos 14 anos, conheceu casualmente o homem com quem se casaria dois anos depois; aos 26, tornou-se primeira-dama e, antes de completar 29, foi obrigada a se exilar no Uruguai com o marido e dois filhos, Denize e João Vicente.

Tais idades, aliás, podem variar, pois não foi possível para o pesquisador precisar o ano de seu nascimento, uma vez que o registro foi feito tardiamente. "Por isso, fiquei, por depoimentos, entre 1936 e 37", explica William. O certo é que Maria Thereza sempre lutou para manter a memória de Jango, especialmente negando notícias que perseguiram sua figura, como o fato de ser comunista por tentar fazer reformas política, administrativa, eleitoral, agrária e universitária quando presidente. Um dos grandes trunfos da biografia é apresentar em detalhes a vida de uma mulher que foi educada, pela escola e pela família, para uma rotina pacata, sem sobressaltos. Sobre seu trabalho, que consumiu 12 anos de pesquisas e entrevistas, William respondeu às seguintes questões.

O comício de 13 de março de 1964, no Rio, foi certamente um dos eventos mais tensos já vividos por Maria Thereza - havia, por exemplo, ameaça de atentado. Mas também foi o dia em que ela mostrou mais fibra, ao vencer o medo de multidões e o risco de atentado para seguir o marido.

“Foi um dos dias em que ela se desafiou e enfrentou seus medos interiores, muito mais pelo marido (temia que algo pudesse lhe acontecer) do que por ela. Porém, foi "apenas" um dia tenso. Ficou longe de ser uma lembrança ruim, pelo contrário. Nos dias seguintes ao comício, sentia-se muito feliz com a repercussão da sua presença (uma mulher) no palanque. Um tabu que se quebrava no Brasil. Porém, nem de longe imaginava que a foto dela ao lado de Jango no palanque se tornasse emblema de uma época.”

Traumática também foi a madrugada de 31 de março para 1º de abril de 64, quando ela, em Brasília, tinha poucas notícias do que acontecia no Rio.

“Esse sim foi um momento traumático. Ela recebia poucas notícias de Jango, o que aumentava a sua aflição porque recebera dele uma firme orientação de só fazer o que ele - ou outras pessoas de confiança - mandassem. Assim, a espera aumentava sua angústia. Temia pela vida de Jango. Esse é um fato que deve ser contextualizado. Não se deve olhar apenas para trás. Nem ela, nem ninguém, saberia qual seria a melhor atitude a ser tomada, e as horas de espera confirmam essa indefinição. Ela demorou para fazer a mala e levou apenas uma mala para passar 12 anos. De toda a série de mais de 20 entrevistas com ela, essa passagem é a única em que apresenta dificuldade de relembrar.”

Dener foi uma das poucas pessoas (se não a única) a ligar para Maria Thereza quando ela se preparava para deixar Brasília apressadamente naquele início de abril...“Dener foi o único a ligar, mas não se pode esquecer dos outros verdadeiros amigos que estavam na Granja do Torto e que não a abandonaram. Como apontado no livro, Dener foi muito mais do que seu estilista...”













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