Obras de Nísia Floresta e Hilda Hilst no segundo dia do FLIN

Publicação: 2017-11-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Érika Oliveira
Especial para a TN

O fio condutor da programação do segundo dia do Festival Literário de Natal (FLIN) nesta quinta-feira, 9, foi a literatura feminina. Começando com a discussão da obra e história da intelectual potiguar Nísia Floresta, na Tenda Moacy Cirne, seguida da análise do estilo de escrita da paulista Hilda Hilst, em mesa redonda comandada pela cantora Zélia Duncan e pela poeta Marize Castro, na Tenda dos Autores. Os espaços estão montados na Praça Augusto Severo, na Ribeira.

Debate lotou tenda principal do evento; em seguida, Duncan fez show musical para grande público
Debate lotou tenda principal do evento; em seguida, Duncan fez show musical para grande público

Para abrir o debate, Zélia entoou os versos da Canção II do álbum Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio, produção de Zeca Baleiro com composições de Hilda, e garantiu a atenção dos espectadores por toda a próxima hora de discussão. Com a familiaridade de quem fala sobre uma amiga próxima, as duas apresentaram a vida e obra da escritora.

Hilst, que “antes de ser mulher” foi “inteira poeta”, passeou por temas como o eu-lírico feminino, a busca por Deus, o sagrado e a morte. “Ela virou folclore porque sua crença envolvia discos voadores e tentativas de gravar a voz dos mortos”, apontou Duncan. Ao ver a plateia contar com espectadores em pé, Zélia comentou que Hilda não acreditaria se visse uma discussão sobre seu legado abrigar tamanha audiência.

“Ela reclamava que era pouco lida e dizia que queria leitores mais ambiciosos", lembrou. Aproveitando o ensejo, Marize destacou que, apesar de ter títulos publicados desde 1950, Hilda só veio a ser conhecida pelo público nos anos 2000 e, infelizmente, não aproveitou a divulgação de sua obra porque faleceu em 2004. 

Na ânsia por ter sua literatura conhecida, Hilda enveredou por obras de viés pornográficos. “Se fosse hoje, iriam queimar seus livros e ela iria achar graça”, acredita Zélia. Diante de publicações polêmicas, a autora recebia cartas de reclamações e comemorava por tais correspondências serem “tão mais que o nada” que seus poemas prévios despertaram. “Para ela, era uma maneira de existir”, diz a cantora.

Após encerrada a discussão sobre Hilst, o tradicional Festival de Violeiros tomou conta da Tenda dos Autores e lotou ainda mais o espaço, enquanto do lado de fora acontecia a performance “I pabá ape”, dos artistas Tiago Landeira e Willy Helm, sobre “o caminho da morada das águas”. No fim da noite, o público ainda aproveitou mais um show de Zélia Duncan. Dessa vez, musical.


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