Ocupação de UTIs por Covid-19 cresce no RN

Publicação: 2020-04-23 00:00:00
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A utilização de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais estaduais do Rio Grande do Norte em pacientes com suspeita e/ou diagnosticados com a Covid-19 cresceu 10% em 48 horas. O Estado conta com 98 leitos de UTI destinados aos casos da doença. Hoje, 33% desses leitos estão ocupados, principalmente nos hospitais da rede em Mossoró e Natal. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), entre a segunda-feira, 20, e a quarta-feira, 22, nove pacientes deram entrada nas UTIs dos hospitais da rede pública de Saúde estadual com sintomas da doença. A maioria, em estado grave.

Créditos: Diego Vara/ABREm 48 horas, número de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva da rede estadual de Saúde do RN cresceu 37,5%Em 48 horas, número de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva da rede estadual de Saúde do RN cresceu 37,5%


O aumento reforçou o discurso da Sesap de manter o isolamento e não se tranquilizar com a taxa de ocupação dessas unidades abaixo de 35%. Na avaliação do secretário-adjunto da Saúde, Petrônio Spinelli, isso pode criar uma falsa sensação de que o contágio do vírus chegou ao fim, mas é um resultado da política de isolamento.

“Isso é um retrato de 10, 14 dias atrás, volto a repetir. Essa taxa de ocupação pode crescer rapidamente se não mantermos o isolamento", afirmou. “A falsa sensação que isso causa é: se você vê que a taxa está baixa, pode voltar à normalidade. Mas é preciso saber que ela está baixa porque o isolamento está sendo cumprido", ressaltou o gestor.

A preocupação da Sesap/RN com o aumento rápido das ocupações de leitos é pelo tempo médio de 10 a 14 dias de internação dos pacientes. “Se todos os pacientes chegarem de uma vez e os leitos lotarem, amanhã ou depois de amanhã vai continuar sem leitos disponíveis. Em um tempo de espera normal, a internação chega a dois a três dias muitas vezes", frisou Spinelli.

A taxa de ocupação divulgada pela Sesap não contabiliza os leitos intensivos em hospitais dos municípios e na rede privada. Com esses, o número de pacientessuspeitos e confirmados com Covid-19 em estado grave chega a 68. Na segunda-feira, eram 51 pacientes. Os leitos destinados para outras comorbidades também não são contabilizados nessa taxa. Para esses casos, há cerca de 400 leitos entre públicos e contratados da rede privada. A ocupação é total.

A maior parte dos internados está nas cidades de Natal e Mossoró, segundo declarou Petrônio Spinelli. As duas maiores cidades do Estado possuem uma “pressão" sobre os leitos estaduais por concentrarem a maior parte dos casos de coronavírus e atenderem municípios vizinhos. Somadas, Natal e Mossoró tem 410 casos confirmados e 15 mortes causadas por Covid-19. Os números representam, respectivamente, 63,9% dos casos confirmados e 51% das mortes em todo o Estado.

Giselda Trigueiro
O Hospital Estadual Giselda Trigueiro, principal hospital público para casos de coronavírus no Rio Grande do Norte e localizado em Natal, tem 66% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados (15 dos 25 leitos), por exemplo. “Nós temos leitos em todas as regiões de saúde do Estado, mas existe essa pressão nos leitos de Natal e Mossoró que devemos nos preocupar", disse o secretário-adjunto.

Em Natal, o Hospital Municipal também é um dos locais de assistência para os casos graves de coronavírus, com 10 leitos de UTI. Entretanto, nenhum está ocupado, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Petrônio Spinelli afirmou que as secretarias do Estado e de Natal tem dialogado para transferir os residentes de Natal internados no Hospital Giselda Trigueiro para o Hospital Municipal para desafogar leitos.

A preocupação da Sesap é a assistência para os casos graves em cidades próximas a Natal que não possuem leitos. Esses casos são direcionados ao Hospital Estadual Giselda Trigueiro, que é o mais próximo e atende regionalmente. O Hospital Municipal de Natal, por outro lado, é restrito aos moradores da capital. “Tem pacientes internados no Giselda que podem ficar no Hospital Municipal para desafogar os leitos e ter mais disponíveis", concluiu Spinelli.

Leitos do Hospital da PM
Os 10 leitos de UTI anunciados há mais de duas semanas para serem abertos no Hospital Central da Polícia Militar Coronel Pedro Germano continuam fechados. Os equipamentos estão instalados, mas, segundo o secretário-adjunto Petrônio Spinelli, a Sesap tem dificuldades na reorganização das equipes médicas para operação do local.

Até a semana passada, o Estado não possuía profissionais de saúde suficientes para abrir os leitos, mas foram convocados cerca de 220 profissionais na última quinta-feira, 16, para atuar no combate à pandemia. Os profissionais devem começar a atuar ainda nesta semana e possibilitar a abertura dos leitos do Hospital da PM na sexta-feira, 24, projeta a Sesap.