Ocupação dos leitos públicos ainda é alta no RN

Publicação: 2020-06-30 00:00:00
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Com apenas 125 leitos de UTI ou com respiradores vagos - 5,24% do total -, a decisão do governo de reabrir as atividades econômicas resulta da perspectiva de redução de novos infectados pelo coronavírus nas próximas semanas. Essa perspectiva é baseada em estudos do Comitê Técnico da Sesap/RN que indicam que a taxa de transmissão da doença no Rio Grande do Norte está em torno de 1 por 15 dias consecutivos. A transmissão significa para quantas pessoas, em média, um infectado repassa a doença.

Créditos: DEMIS ROUSSOSPetrônio Spinelli detalhou dados da ocupação dos leitos críticos para covid-19 nesta segunda, 29Petrônio Spinelli detalhou dados da ocupação dos leitos críticos para covid-19 nesta segunda, 29

Outra razão para a reabertura, planejada inicialmente para o dia 17, são os prejuízos econômicos causados pelo fechamento dos estabelecimentos, que provoca pressão da classe empresarial sobre o governo estadual. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) estima o fechamento de 10 a 15 mil empresas em todo Rio Grande do Norte por causa da pandemia.

O cientista Ricardo Valentim, membro do comitê técnico, afirmou na coletiva de imprensa desta segunda-feira, 29, que a taxa de transmissão começa a se refletir na fila de espera por leitos na rede de saúde pública, que ultrapassou 100 pessoas na semana passada. Segundo Valentim, essa fila apresenta uma redução há seis dias consecutivos. “Além disso, existe uma mudança de perfil. Não são pacientes em estado tão grave quanto antes", disse.

A fila de espera por um leito crítico (de UTI ou com respirador) possuía 38 pessoas nesta segunda-feira. Em paralelo, outras 38 estão na fila de espera por um leito clínico, voltado para os casos de menor gravidade. Essa fila é menor que a quantidade de leitos clínicos disponíveis no fim desta segunda-feira, quando havia 55 vazios. O que justifica a existência da fila, segundo o secretário-adjunto de Saúde do Rio Grande do Norte, Petrônio Spinelli, é a demora por transferência.

Os dados estão no sistema Regula RN, que voltou a diferenciar as duas filas - até semana passada, as duas apareciam unificadas no sistema e não era possível saber quantos pacientes aguardavam leito crítico ou clínico.

Apesar da diminuição da pressão sobre os leitos e a taxa de transmissão baixa, a situação do Rio Grande do Norte ainda é crítica, principalmente na Grande Natal. Segundo o Regula RN, 97,4% dos leitos críticos (UTI ou com respirador) em funcionamento na região estão ocupados. No Oeste (Mossoró) e no Seridó (Caicó) a ocupação é menor, de 93,2% e 82,8%, respectivamente.

Na coletiva de imprensa desta segunda-feira, 29, Petrônio Spinelli chegou a afirmar que para a pandemia se manter sob controle no Rio Grande do Norte mesmo com a reabertura gradual é preciso que haja responsabilidade individual com as medidas decretadas. “Esse não é o momento das pessoas acharem que liberou geral porque o número está melhor. Pelo contrário, queremos que haja responsabilidade entre o que se quer e o que se faz”, alertou.

Spinelli também afirmou que a prioridade da Sesap/RN continua sendo a abertura de leitos, com desbloqueio dos que estão instalados, mas não funcionam por alguma razão. São 23 leitos críticos bloqueados, o que representa 10,04% dos 229 leitos críticos disponíveis na rede. Metade está bloqueado por falta de profissionais de saúde; a outra metade, por “manutenção” (insumos ou estrutura). “Nosso foco é tentar desbloquear os leitos que estão bloqueados, é um desafio muito grande”, declarou. 

Mortes à espera de UTI
No Rio Grande do Norte, 234 pessoas morreram enquanto aguardavam por leitos disponíveis na lista de regulação. De acordo com dados da plataforma Regula RN, que reúne os dados oficiais sobre ocupação de leitos no Estado, o óbito dos pacientes é a segunda principal causa de cancelamento nas solicitações por leitos no Estado, atrás apenas da expiração da solicitação. As 234 mortes correspondem a 24,9% das 937 mortes confirmadas pela Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap) até o último domingo, 28.

Até a manhã desta segunda-feira, 29, o Rio Grande do Norte contava com 36 pacientes na fila de regulação à espera de leitos críticos, e outros 41 aguardam a transferência para leitos clínicos. O número de leitos críticos disponíveis no Estado até a segunda-feira, 29, era de 14 leitos, capaz de atender a apenas 38,8% das pessoas que aguardavam na fila.

O número de leitos clínicos disponíveis, no entanto, superava a quantidade de pessoas que aguardam transferência na manhã desta segunda-feira, 29. Eram 66 leitos clínicos disponíveis para 41 pacientes. Muitos, no entanto, se deparam com outro obstáculo: a existência de transporte para levá-los até o hospital regulado. Até a manhã desta segunda-feira, 24 pacientes aguardavam transporte neste momento no Rio Grande do Norte.

A impossibilidade de transporte é a terceira maior causa de cancelamento de solicitações por leito no Estado, de acordo com o Regula RN. Ao todo, 149 solicitações foram canceladas por esse motivo, o que corresponde a 12% do total de cancelamentos. 

Os óbitos, por sua vez, representam 18,9% deste total. De acordo com o portal, “solicitação "expirada" é aquela que está há mais de 48 horas sem atualização do quadro clínico do paciente".

Até a segunda-feira, o RN contava com 225 pacientes internados em leitos críticos por covid-19, uma taxa de ocupação de 82,22% do total da rede. Outros 320 pacientes encontravam-se internados em leitos clínicos, totalizando uma ocupação de 69% para essa categoria.







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