Oferta de descontos dobra vendas em lojas de Natal

Publicação: 2012-09-08 00:00:00 | Comentários: 1
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Andrielle Mendes - Repórter

Lojas que aderiram ao Liquida Natal já comemoram incremento de até 100% nas vendas. Cerca de três mil pontos de venda, entre lojas de roupas, concessionárias de veículos, farmácias, supermercados, restaurantes, construtoras, aderiram à campanha e estão oferecendo descontos de até 70% até este domingo (09), quando termina a edição 2012.
Aldair DantasLoja de eletrodomésticos no centro da cidade: O setor é um dos que esperam mais movimentoLoja de eletrodomésticos no centro da cidade: O setor é um dos que esperam mais movimento

A data já é considerada a segunda melhor em vendas, atrás apenas do período natalino, em Natal. Mas segundo analistas é preciso ter cuidado para não extrapolar o orçamento diante da avalanche de ofertas. De acordo com Adelmo Freire, superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Natal), a dica é pesquisar e ver se o valor cabe no bolso. “E não me refiro apenas à parcela, mas aos juros embutidos”, diz ele.

O número de pessoas com dívidas em atraso e sem condições de quitar suas dívidas na data de vencimento subiu no último mês em Natal. Campanhas como essa, segundo Conrado Navarro, educador financeiro com MBA Executivo em Finanças, sócio-fundador do site de finanças Dinheirama.com, consultor do Programa Consumidor Consciente da Mastecard, e autor do livro “Vamos Falar de Dinheiro?”, podem elevar sensivelmente a taxa de endividamento, considerada muitas vezes trampolim para a inadimplência.

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal ainda não fechou o balanço da campanha, mas acredita que a meta de vendas deste ano será ultrapassada. “Esperávamos movimentar R$ 200 milhões este ano. Distribuímos quatro milhões de cupons, mas não foram suficientes. Tivemos que confeccionar mais um milhão. No ano passado, distribuímos 3,8 milhões”, compara Adelmo Freire, da CDL Natal.

O Rio Grande do Norte ocupa o 3º lugar no ranking em volume de vendas e número de lojas participantes do evento, realizado em 16 estados, segundo  o criador e coordenador das “Liquidas” no Brasil, o empresário Bernardo Carvalho Farias. O volume de vendas no Estado, nos últimos anos, foi três vezes maior do que o registrado na edição realizada em João Pessoa (PB) e supera em até quatro vezes as vendas em Maceió.

A loja gerenciada por Willy Marcos, especializada em roupas masculinas no Midway Mall, participa da campanha todos os anos. “Vendemos 85% a mais só nos primeiros dias da campanha”. Marcos Barbalho, gerente também de uma loja especializada em roupas no shopping, comemorava um aumento de 40% nas vendas. Incremento, que segundo ele, poderia chegar a até 60% neste domingo.

O corretor de imóveis Clóvis Neto, 43 anos, foi ao shopping na última semana aproveitar os descontos. Diferentemente da maioria dos natalenses (75% do total, segundo estudo recente realizado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, vinculado ao Banco do Nordeste), Clóvis não usa o cartão de crédito como meio de pagamento. “Não tenho cartão nem cheque. Só compro quando tenho dinheiro, já para evitar endividamento”.

CRESCIMENTO MENOR

Apesar de iniciativas como o Liquida Natal, o consumo no Rio Grande do Norte deve crescer menos do que nos outros estados nordestinos, segundo estudo da consultoria americana McKinsey, que analisou o mercado brasileiro e traçou o mapa do consumo no Brasil em 2020. De acordo com a pesquisa, os seis estados que mais devem crescer em vendas são nordestinos: Pernambuco (193%) Alagoas (186%) Piauí (186%), Paraíba (179%), Maranhão (171%) e Ceará (169%). O Rio Grande do Norte vem na lanterna, com uma projeção de crescimento inferior a 120%. A projeção de um crescimento mais tímido no Rio Grande do Norte, em relação ao restante da região, avalia o superintende da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), Adelmo Freire, pode refletir a concentração de redes de varejo e maior poder de consumo ainda em Natal e Mossoró.

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Comentários

  • h.lima.10

    Acorda brasil, de onde vem este desconto? dos juros abusivos no parcelamento, da carga tributária excessiva, quando as vendas diminuem, entram em acordo com os arrecadadores de impostos, que diminuem suas taxas por um certo periodo e dão os "descontos",inclusive os referentes a divulgação. o consumidor achando que está fazendo um grande negocio, corre para os fornecedores dos seus produtos prediletos e caem na armadilha. na internete ta cheio de videos abrindo os olhos dos consumidores de carros, que são o principal alvo dessas quadrilhas.