Oficial da PM é exonerado do cargo

Publicação: 2012-05-05 00:00:00
O tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Marcos Antônio de Jesus Moreira, foi exonerado do cargo que ocupava como comandante do 11º Batalhão da PM, em Macaíba. A decisão de afastamento oficial foi determinada pelo coronel Francisco Araújo, comandante-geral da Corporação. Moreira é acusado de ter envolvimento com o assassinato do jornalista F.Gomes, há um ano e seis meses na cidade de Caicó. As investigações conduzidas pela delegada Sheila Freitas, da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) embasaram o pedido de prisão preventiva, acatado pela Justiça. O oficial da PM se apresentou na noite da quinta-feira passada ao quartel do Comando-geral da PM, no bairro de Tirol, e permanecerá detido à disposição das autoridades judiciais.
Sede do Comando da PM abriga o tenente-coronel Marcos Antônio Moreira, preso na quinta-feira
O coronel Araújo disse ter visto com surpresa o envolvimento do tenente-coronel Moreira no caso. Como o caso corre sob segredo de Justiça, Araújo não repassou maiores detalhes do caso. A motivação para o suposto envolvimento de Moreira no assassinato do jornalista ainda não foi esclarecida, assim como as provas coletadas para embasar a prisão do acusado. A Delegacia-geral de Polícia (Degepol) disse, através da sua assessoria de imprensa, que não se pronunciaria sobre o caso, enquanto o sigilo do processo existir.

O comandante-geral da PM afirmou que soube da prisão na noite da quinta-feira, quando foi avisado pelo juiz da Comarca de Caicó, Luiz Cândido de Andrade Villaça. O tenente-coronel Moreira compareceu ao quartel acompanhado do advogado e foi conduzido para a sede do Comando do Policiamento Metropolitano. Além do processo judicial que investiga a sua participação no assassinato, o comando-geral informou que abrirá um procedimento administrativo paralelo com objetivo de apurar a conduta do oficial.

A investigação sobre a morte do jornalista Francisco Gomes de Medeiros ganhou novos elementos recentemente. No dia 24 de março passado, o advogado Rivaldo Dantas de Farias foi preso por também supostamente ter arquitetado o crime. Em virtude da sua profissão, Rivaldo também está detido no quartel da Polícia Militar. O pastor evangélico Gilson Neudo Soares do Amaral, que já estava preso por tráfico de drogas em Caicó, é mais um suspeito de participação no crime e foi indiciado pela polícia. Além deles, o soldado da Polícia Militar, Evandro Medeiros, também foi detido no dia 19 de março na mesma cidade, também como suspeito. As participações de todos não foram detalhadas em virtude do segredo de justiça.

Antes deles, havia sido preso o empresário Lailson Lopes, conhecido como “Gordo da Rodoviária”. Ele seria o mandante do crime, executado por João Francisco dos Santos, “Dão”, no dia 18 de outubro de 2010.

MP denunciou Tenente-coronel devido à fuga

O tenente-coronel Marcos Moreira havia sido denunciado  no mês de abril deste ano pelo Ministério Público Estadual em virtude de uma suposta facilitação em fuga de presos da unidade da Penitenciária  Estadual do Seridó Desembargador Francisco Pereira da Nóbrega, o “Pereirão”. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO - encaminharam para a Vara Criminal da Comarca de Caicó, a denúncia contra quatro pessoas envolvidas em irregularidades na Penitenciária, supostamente praticadas no ano de 2010.

De acordo com os promotores que assinaram a denúncia, durante o período compreendido entre fevereiro e maio de 2010, o acusado, então diretor da Penitenciária Estadual do Seridó, “cometeu diversas irregularidades no exercício de tal função, que foram: facilitar a fuga de presos recolhidos em regime prisional semiaberto e aberto; liberar presos do cumprimento de sanções disciplinares; determinar alteração na ficha de frequência de apenado;  comprar bens mediante ajuste com preso recolhido em regime fechado; favorecer condenado, ocultando sua fuga do Juiz da Vara de Execuções Penais e do Ministério Público, dificultando assim sua recaptura”.

Ainda não se sabe que o trabalho de denúncia realizado por jornalistas de Caicó possa ter interferido na morte de F. Gomes.

Memória

O jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, mais conhecido como F. Gomes, foi assassinado na noite do dia 18 de outubro de 2010, na cidade de Caicó. Ele estava na calçada de casa, na rua Professor Viana, no bairro Paraíba, quando um homem chegou numa moto e abriu fogo. Atingido por três tiros fatais, foi levado para o Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos. F. Gomes tinha 46 anos, era casado com Eliane Gomes e pai de 3 filhos. João Francisco dos Santos, o Dão, confessou o crime e afirmou ter matado o jornalista por vingança. Após vários depoimentos ao delegado Ronaldo Gomes, que presidia o inquérito à época, Dão afirmou que tinha jurado de morte o comunicador desde 2007, quando foi preso por roubo qualificado depois de uma denúncia realizada por F. Gomes. A hipótese de vingança foi descartada pelos investigadores desde o início do inquérito, que trabalharam com a possibilidade de crime sob encomenda.

Leia também: