Oito funcionários da Vale são presos

Publicação: 2019-02-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Oito funcionários da Vale foram presos nesta sexta-feira, 15, em Belo Horizonte, Itabira (MG) e no Rio de Janeiro, como parte das investigações do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), no dia 25, que deixou até esta sexta-feira 166 mortos e 144 desaparecidos. As acusações incluem “conluio" para esconder informações sobre o reservatório. Além disso, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, um deles na sede da empresa. Uma das linhas de apuração envolve descobrir quem detinha informações sobre a situação da Mina Córrego do Feijão, antes do rompimento.

Investigadores miram ações da alta cúpula da empresa, cujo presidente é Fábio Schvartsman
Investigadores miram ações da alta cúpula da empresa, cujo presidente é Fábio Schvartsman

Para o Ministério Público de Minas (MP-MG), não houve acidente, mas “crime doloso" (com intenção) e, por isso, é preciso investigar até a cúpula da Vale. “Neste momento, é necessária a tutela da investigação, para que se apurem todos os responsáveis pelo ato, se aqueles que ocupam os cargos mais relevantes da Vale S.A. tinham conhecimento da situação", escreveu o juiz Rodrigo Heleno Chaves, de Brumadinho, na sentença que autorizou as prisões temporárias por 30 dias. “É sim, possível, que os oito funcionários, mesmo não querendo diretamente que o resultado ocorresse (a tragédia), tenham assumido o risco de produzi-lo, pois já o haviam previsto e aceitado as suas consequências."

Anteontem, em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, destacou que ela é “uma joia, que não pode ser condenada por acidente que aconteceu em sua barragem, por maior que tenha sido a tragédia".

Entre os presos estão quatro gerentes (dois deles, executivos) e quatro integrantes das respectivas equipes técnicas da barragem: Joaquim Pedro de Toledo; Renzo Albieri Guimarães Carvalho; Cristina Heloíza da Silva Malheiros; Artur Bastos Ribeiro; Alexandre de Paula Campanha; Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo; Hélio Márcio Lopes da Cerqueira; e Felipe Figueiredo Rocha.

A solicitação tomou por base trocas de e-mails entre funcionários da Vale e da consultoria alemã Tüv Süd - que atestou a estabilidade da estrutura. Anteriormente, quatro funcionários da empresa haviam sido detidos pela investigação – nesta sexta-feira, o juiz negou as prisões de outros quatro técnicos da empresa alemã, solicitadas pelo MP.

Na decisão, o juiz anotou que “diante de todas as anomalias verificadas na barragem B1 (Mina Córrego do Feijão) desde meados de 2018, aliadas à alteração drástica nos piezômetros (medidores de água) verificada em janeiro de 2019, aparentemente não havia outra alternativa aos funcionários da Vale senão a de acionar o Paebm (Plano de Ação de Emergência para Barragens), com imediata evacuação da área".     “Saliento, por isso, que as fundadas razões de autoria do crime de homicídio qualificado dos oito funcionários da Vale ora representados fundam-se na concreta possibilidade da assunção do risco de produção do resultado por eles... Em um País que se pretende sério, fatos com tal envergadura e seriedade, com consequências nefastas para a sociedade, merecem total e profunda apuração", disse o juiz.

“Representantes da empresa afirmam ter sido um acidente, mas temos convicção de que houve um crime doloso", disse o promotor William Garcia Pinto Coelho, da área criminal da força-tarefa que investiga a tragédia. Segundo o promotor Leandro Wili, responsável por cumprir um mandado de busca na sede do Vale, o objetivo foi recolher documentos do Conselho Administrativo da Vale. “Queremos saber como isso foi discutido na empresa. Se isso chegou ao conselho, aos órgãos da cúpula."

Pressão
Nos e-mails que dão base às prisões, o MP vê pressão por parte de representante da mineradora para que o laudo de segurança da barragem fosse assinado. O promotor afirma que a palavra “blackmail", que significa chantagem, foi citada.

Todos os presos nesta sexta-feira tinham, segundo o promotor, algum conhecimento de que havia problemas com a barragem. “Houve um conluio de forma que fosse escondido do poder público a situação real da barragem. Funcionários participaram ativamente para dissimular a situação", disse. Oficialmente, Tüv Süd e Vale dizem colaborar com as apurações.








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