Olhar da experiência

Publicação: 2016-08-21 00:00:00
Uma das vantagens de trabalhar com o jornalismo é poder sempre estar próximo daquilo que mais se gosta. Seja no caderno de economia, entretenimento, esportes ou política, os profissionais escrevem sobre os mais variados temas, sendo a afinidade com os assuntos um fator primordial para que saiam grandes reportagens. No caso do paulista Tomaz Lourenço, o interesse pelas corridas de rua foi um pouco mais além do comum. Ele gostava tanto de fazer a cobertura das maratonas, que resolveu, há quase 23 anos, fundar a primeira revista nacional especializada do segmento, a Contra-Relógio.
Tomaz Lourenço virá pessoalmente acompanhar a Meia do Sol
Com vasta experiência no assunto, Tomaz Lourenço, 69 anos, virá pessoalmente a Natal, este ano, realizar a cobertura da Meia Maratona do Sol para a Contra-Relógio, da qual também é editor. A vinda a Natal também será importante para os próximos passos da revista. Além da cobertura e participação na prova, a Contra-Relógio também estará com um estande no dia da entrega dos kits da Meia do Sol, fornecendo brindes e realizando novas assinaturas. Em sua edição de outubro deste ano, quando completa 23 anos, a publicação voltará a ser vendida nas bancas. Atualmente a revista só está disponível para assinantes, no site www.contrarelogio.com.br/.

Com um pé no esporte e outro na redação, Tomaz experimentou diversas modalidades antes de se encontrar na corrida. Já foi judoca, nadador, ciclista, sempre praticando os exercícios de forma amadora, até que começou a correr por hobby. Como todo bom jornalista, seu faro investigativo sempre despertava a curiosidade em procurar saber mais sobre o assunto. Foi nessa busca por material de leitura que pudesse deixá-lo mais informado sobre a prática da corrida, que percebeu que havia muito pouco sobre o assunto. “Na época, início dos anos 1990, havia quase nada sobre a prática da corrida de rua, era um assunto pouco explorado. O que consegui encontrar sobre a temática foi apenas um livro norte-americano, cujo conteúdo nem se aplica à realidade do Brasil, como ‘dicas para correr na neve’, entre outras coisas”, explica Tomaz.

No entanto, o contexto em que a Contra-Relógio foi criada era bem diferente. Naquela época, não havia muitas provas de corrida no Brasil. Mesmo em São Paulo, onde Tomaz vivia, apesar de já ser uma cidade grande, as corridas ainda eram bem modestas. A infraestrutura era de má qualidade, os horários não eram respeitados e a assistência aos corredores também não era das melhores. Apesar disso, o jornalista-empreendedor não se sentiu desmotivado, participou de algumas das provas como competidor e, posteriormente, passou a cobri-las para sua revista, aliando criticamente cada experiência e sugerindo melhorias.

“No início não pareceu uma ideia muito animadora para algumas pessoas, as corridas eram pequenas e a maioria não atraía grande público. Quando lancei a revista em outubro de 1993, foi realmente uma ação de pioneirismo no segmento, mas com o tempo fomos conquistando credibilidade e atraindo não só mais leitores para a nossa publicação, mas também mais corredores para as competições”, afirma.

Segundo Tomaz, a revista teve um importante papel em melhorar os serviços oferecidos pelos organizadores e em tornar a corrida um esporte mais atrativo. "No fim das contas, nossas análises, muitas vezes bem críticas, colaboraram para as melhorias nas infraestruturas das provas". Não é a toa que muitos profissionais e atletas do ramo consideram que as corridas de rua se dividem em duas fases: a anterior e a posterior à criação da revista. As competições se tornaram mais pontuais, passaram a distribuir camiseta, kits do atleta, profissionais da saúde, apresentações culturais, instalação de banheiros, etc. “Estamos cada vez mais próximos do padrão internacional de maratonas, como a Meia do Sol também vem fazendo a cada edição”, completa.

Para ele, o perfil do público corredor também mudou bastante nos últimos anos. Antigamente, a corrida era um esporte que atraía majoritariamente as classes populares e possuía um caráter mais competitivo e maior preocupação com o tempo, daí a revista se chamar Contra-Relógio. Hoje em dia, o público é mais diverso, atraindo os mais variados setores da sociedade um público menos competitivo. Ainda há bastante gente que enxerga as provas como competições, mas também há aqueles que veem a corrida como uma forma de realizar atividades físicas junto aos amigos, ou o fazem por questões de saúde, por estética, de forma que o esporte está aglutinando cada vez mais pessoas e se tornando mais democrático.

O mestre das maratonas
Em sua longa jornada, Tomaz já participou de cerca de 50 maratonas, além de outras provas. Seu recorde pessoal foi em 1995, quando, aos 45 anos, completou os 42 km em 3h04min, numa prova na cidade de Blumenau. Internacionalista, já correu nas ruas da Europa, dos Estados Unidos e até na África do Sul, na Ultramaratona de Comrades, os quase 90 km mais famosos do mundo. Em junho deste ano, conseguiu enfim índice para correr a maratona de Boston, a única que exige tempos de qualificação por faixa etária, que acontecerá em abril de 2017, prova da qual participará em comemoração aos seus 70 anos.

No Brasil, afirma que as meia maratonas, como a Meia do Sol, são ideais, por conta do clima tropical. Um dos seus maiores desafios na preparação para a Meia do Sol este ano é saber como seu corpo irá lidar com o calor da cidade do sol. Ele explica que, como todo paulista, as temperaturas em torno de 20° são as ideais para correr. No entanto, o fato da largada da Meia ser apenas às 16h será fundamental para que o sol e a umidade não sejam prejudiciais. “Acredito que será uma boa corrida, porque o horário foi bem pensado. As condições oferecidas conseguiram aproveitar do melhor que Natal tem a oferecer, boa temperatura, sol não tão quente, boa ventilação, isso tudo ajuda bastante”.

Quanto ao tempo para realizar os 21 km, não apresenta muitas dúvidas quanto ao desempenho que irá conseguir na prova: aposta em torno de duas horas. Vindo de alguém com tanta experiência, só nos resta acreditar. Para Tomaz, a Meia do Sol é um evento que merece a divulgação na sua revista, porque é uma competição que possui o mesmo compromisso com o esporte.