Olho no tetra, outro na hegemonia

Publicação: 2019-04-14 00:00:00 | Comentários: 0
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A missão do América na decisão do Campeonato Estadual desse ano, irá muito além do que a conquista de um simples título. A partida é cercada por um clima especial, pois, se bater o adversário, essa será a terceira vez na história que o Alvirrubro irá impedir a conquista de um tetracampeonato pelo rival. O treinador Moacir Júnior disse que o objetivo é impedir essa hegemonia abecedista no estado, para fazer dessa conquista um trampolim na luta pelo segundo grande objetivo da temporada: a busca do acesso para Série C.

Ranielle Ribeiro tem o trabalho questionado por torcedores, mas pode entrar para história do ABC dando ao clube um novo tetra
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Já pelo lado abecedista, o treinador Ranielle Ribeiro terá a oportunidade de cravar de vez seu nome na história do clube, se chegar ao título. Pois esse será o terceiro tetracampeonato do alvinegro na história do campeonato potiguar.

Então nessa decisão os torcedores dos dois clubes terão motivos mais que especiais para comparecerem em massa aos estádios. O América não obtém uma conquista desde o título do centenário, em 2015, até hoje muito comemorado pelo seu torcedor. Ele foi marcante não apenas pelo fato de comemorar os 100 anos da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, mas também pela como pela comemoração do gol do zagueiro Flávio Boaventura, com uma voadora na bandeira de escanteio, em pleno Frasqueirão. O gesto acabou  imortalizado em uma pintura, hoje é exibida no gabinete da presidência americana.

Seja por qualquer ângulo que se quiser olhar, a rivalidade entre ABC e América estará sempre presente em se tratando de futebol. Em 1990 o Alvinegro conseguiu impedir a conquista do segundo tetracampeonato do América, que já havia sido quatro vezes campeão no período entre 1979-1982.

O troco na mesma moeda aconteceu seis anos mais tarde. O ABC que vinha de uma sequência de conquistas em 1993, 1994 e 1995 teve uma grande chance de não apenas conquistar o tetra, mas colocar em sua galeria de títulos um octacampeonato, que teria um destaque idêntico  ao decacampeonato.

Mas o América atrapalhou tudo, interrompendo a forte caminhada abecedista em 1996, numa década em que o Alvinegro foi soberano em termos de Estaduais, acumulando sete conquistas, contra três do América. Porém, logo em seguida, o ABC viria a conquistar o seu terceiro tetra.

A missão dessa vez caberá ao treinador Moacir Júnior e seus comandados. Ele acredita num confronto dos mais difíceis, porém ressalta ter o grupo preparado para importante missão de reconquistar a hegemonia do futebol potiguar, que irá garantir o clube na Copa Nordeste de 2020, competição que deverá render um prêmio de participação  de, aproximadamente, R$ 1,5 milhão.

No lado abecedista, o presidente Fernando Suassuna não esconde que a meta do clube é sim a coquista do tetracampeonato. Por sinal, na lista de prioridades do clube para temporada, essa disputa foi colocada a frente da Copa do Nordeste, perdendo em nível de importância apenas em relação ao projeto de acesso para Série B.

Bastidores
Médico mais antigo em atividade num clube de futebol nacional e com uma memória de fazer inveja, Maeterlinck Rêgo que já perdeu as contas de quantas finais já teve a oportunidade de trabalhar pelo América, lembra bons e maus momentos de clássicos recentes e que ocorreram nos bastidores americanos. Pequenos segredos só agora revelados.

O técnico Moacir Júnio recuperou a confiança do torcedor e da direção após conquistar a Copa RN
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Como a memória não é seletiva, o médico lembrou de dois casos recentes de atletas que ficaram com o lado emocional abalado na véspera das decisões estaduais. Uns casos, acabaram bem e outros nem tanto para os alvirrubros.

“Em 1976 as duas equipes foram para uma decisão, também numa quarta-feira a noite. Nosso ponta esquerda Ivanildo, uma das nossas principais peças, começou com uma diarreia intensa na terça-feira a noite, devido a uma indisposição alimentar. Na quarta o quadro continuou complicado e estávamos em risco de perder o atleta. Eu lembro que colocamos o jogador para receber soro na veia, na própria concentração. Ivanildo teve uma melhora no quadro, foi para o jogo, mas não conseguiu fazer a diferença. A partida acabou no empate sem gols e o ABC terminou ficando com o título.

Na conquista do título do centenário, se para maioria dos torcedores a imagem guardada é justamente a da voadora de Boaventura na bandeirinha de córner do Frasqueirão, para o médico, o que ficou marcado foi a pressão do goleiro Busato, no dia da partida, horas antes do início da decisão.

“Em 2015, nosso goleiro Busato na hora da revisão que sempre costumo fazer na manhã antes dos jogos, ele se apresentou com uma pressão considerada altíssima. Mas o histórico dele sempre foi de uma pressão dentro das normas, então o que estava ocorrendo com ele, seguramente, era um caso de natureza emocional. Aquele tipo de ânsia que dá nos atletas próximo de jogos decisivos, estava afetando o quadro clínico do jogador”, afirmou Maeterlinck Rêgo.

O médico contou que diante da situação só tinha duas alternativas: medicar o atleta com remédio para baixar a pressão e que poderia deixar ele sonolento na hora da partida, ou tentar acalmar o goleiro na base da conversa.

“Eu não poderia fazer a medicação, sob o risco de provocar sonolência no jogador. Então comuniquei o caso ao treinador, fui ao quarto do goleiro e tive uma longa conversa com ele. Parece que essa conversa surtiu efeito, por que depois Busato se transformou num dos principais personagens do América naquela decisão em que conquistamos o título na casa do ABC. Esse jogo foi marcante”, enfatizou.

Maeterlinck Rêgo também vive uma expectativa especial na carreira dentro do futebol, caso o América conquiste o título sobre o ABC, esse será o 51º de sua carreira profissional, apenas no América.

“Para quem estiver estranhando esse número, eu quero explicar que nele estou contando tudo que foi conquista. Torneio início, acessos para as Séries A e B, títulos de turnos e de campeonatos também. Completei 50 com a conquista da Copa RN, agora vamos ver se consigo computar mais um diante do ABC”, ressaltou.   











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