Onda conservadora, sim

Publicação: 2020-12-01 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

A segunda temporada das eleições municipais deu continuidade ao que já tínhamos visto no primeiro turno, com as candidaturas de esquerda sofrendo uma esmagadora derrota por todo o Brasil e o avanço da onda conservadora que consagrou partidos de centro e centro-direita como MDB, DEM, PP, PSD e o Podemos (o antigo PTN). Misto de muro de arrimo entre centro-esquerda e centro-direita, o PSDB também se saiu bem. 

No fechamento das urnas do domingo, confirmou-se a enorme desidratação do PT no Nordeste, o enfraquecimento no Centro-Oeste, além do partido sendo praticamente varrido do estado de São Paulo, seu berço político. Com desempenho ainda pior do que em 2016, o PT ficou sem nenhuma capital e se limitou a tocar a cidade de Diadema, no ABCD paulista, onde nasceu durante as greves dos sindicatos metalúrgicos no fim dos anos 1970.

As derrotas mais emblemáticas para a esquerda foram as de Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila. Aliás uma derrota que precisa ser depositada também na conta dos institutos de pesquisa que erraram tudo ao longo do segundo turno.

O Ibope, então, apontou sempre a vitória dos candidatos de esquerda em pelo menos oito grandes cidades. Errou todas e sai da eleição, mais uma vez, aumentando sua coleção de equívocos. O Datafolha também fez seu papelão.

Aliás, está ficando vergonhosa a participação de institutos de pesquisa nas eleições, muitos se confundindo com marketing e aceitando fabricar fake news por interesses outros que não a aferição científica das disputas democráticas.

Alguns analistas alinhados com doutrinas progressistas buscam até agora argumentos para iludir seus leitores e seguidores. E a tática é tentar diminuir a derrota esquerdista separando do espectro conservador o centro e a direita.

Ora, qualquer aluno do ensino médio sabe do alinhamento doutrinário entre direita e centro no Brasil. Os profetas da vitória vermelha em São Paulo e Porto Alegre não só ignoraram a derrota dos votos válidos, esqueceram um detalhe.

Faltou ler a parte silenciosa das urnas, o grande NÃO inserido nos altos índices de abstenção, nulo e branco, que somados chegaram a superar até alguns vencedores do pleito. Houve narrativas negando até o tremendo fiasco do PT.

O bom leitor de conjuntura e de intenções do eleitorado, precisa saber ler também as entrelinhas das ruas. Na maioria das vezes, a rebeldia e a rejeição não estão nas chapas e candidatos inscritos, mas na negação do processo.

Estão na anulação do voto e na ausência das seções de votação. Estas eleições apontam para 2022 e só não vê o obvio ululante quem cegou no ilusionismo do lulismo. A grande imprensa está cheia de renomados míopes.

O retorno triunfal do centro é o resultado prático de um setor que andava no limbo, como um asteroide à deriva, e então foi sugado para a órbita de um artefato com maior energia e massa. No espaço da política não há o vácuo. 

E a esquerda à época do brilho de Lula passou por esse fenômeno. O povo refutou os exageros e aberrações da esquerda e surfou na onda conservadora.

Ao Boulos resta guardar a máscara de bom rapaz, e a Manuela enfiar o dedo na garganta e vomitar as hóstias que engoliu nas missas dos eleitores cristãos
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Créditos: Divulgação

Economia
O mês de outubro registrou 395 mil novos empregos no Brasil, segundo relatório do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). É o melhor resultado dos últimos 28 anos, um recorde da chamada série histórica.

Indiferença
Partidos e candidatos que priorizaram na campanha as pautas identitárias, a exemplo do que faz a grande mídia, deram com os votos n’água. O povo não vota pelo gênero, pela cor da pele, pela origem social, mas pela capacidade.

Concurso
A professora Cláudia Santa Rosa questionou informação da governadora Fátima Bezerra postada no Twitter, quando afirmou que o recente concurso para professor atendia uma antiga reivindicação da categoria, que é de ambas.

Concurso II
Claudia rebateu informando que houve concursos em 2011 e depois em 2015, ao tempo do governo Robinson Faria em que ela era secretária de Educação, e que foram convocados todos os aprovados entre os anos de 2015 e 2018.

Fundão
Não, leitores, não pensem que foi um acaso o fracasso nas urnas das duas legendas mais votadas para presidente em 2018. Seria coincidência que o PT e o PSL são os dois com as maiores fatias no famigerado fundo partidário?

Nanicou
Em 2012, o PT era o terceiro maior partido do país em número de prefeitos, com 630, atrás do PSDB (686) e do longevo líder PMDB (1.015). Em 2016, quando fez só uma capital, o PT caiu pra 254 e agora 183. É só o 11º partido.

Moedinha
E o tal Partido Novo, um delírio político-comercial do João Amoedo, conseguiu a proeza de eleger apenas um prefeito, Adriano Silva, em Joinville (SC). Espécie de Patinhas das lideranças partidárias, João agora já tem um amuleto.

Covid
Os 26 leitos destinados aos pacientes com coronavírus no hospital São Lucas estão ocupados, segundo dados de ontem. Três figuras ilustres da cidade estão lá, mas sem gravidade: Pio Morquecho, Fábio Melo e Paulo Davim.











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