Operação Infiltrados prende advogado

Publicação: 2019-06-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Um advogado foi preso nessa segunda-feira em decorrência de investigação do núcleo de inteligência da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público, acusado de extorsão contra outros dois advogados a quem teria pago R$ 70 mil para que esses intermediassem uma suposta compra de sentença no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A decisão do desembargador, no entanto, não ocorreu conforme havia encomendado. Allan Clayton Pereira de Almeida, 34 anos, segundo o MPE-RN, passou a ameaçar de morte os dois homens  e chantageá-los para que devolvessem o dinheiro pago.

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Advogado é investigado por suposta participação em esquema de venda de sentença no Tribunal de Justiça do RN

O procedimento que investigava a tentativa de compra de sentença em favor de um cliente de Allan Clayton foi instaurado em 11 de setembro de 2017. O advogado já havia sido preso em uma operação de combate ao crime organizado — Operação Medellin, em 6 de setembro de 2016 —, ocasião que teve o celular apreendido.

Os conteúdos do aparelho passaram a ser alvo de perícia e análise, e os investigadores se depararam com indícios de cometimento de outros crimes, entre eles conversas entre Allan e os dois homens nas quais tratavam da suposta intermediação para que um desembargador do TJ-RN tomasse decisão favorável a um cliente. Um dos envolvidos trabalhava, à época, como advogado e assessor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e o outro como -assessor do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

As informações colhidas e checadas foram repassadas à Procuradoria Geral de Justiça, tendo em vista as tratativas de suposto envolvimento de pessoas com foro privilegiado. Como a sentença foi contrária, e nada mais havia que imputasse eventual participação de desembargador ou político com foro, o processo seguiu na 60ª Promotoria de Justiça incumbida da Defesa do Patrimônio Público da Comarca de Natal.

Flávio Humberto de Noronha Freire e Rodrigo Fernandes de Paiva passaram a receber constantes ameaças por parte de Allan Clayton Pereira de Almeida, que queria reaver os R$ 70 mil pagos em espécie, e de uma só vez. As ameaças eram desde denúncia aos órgãos de fiscalização e polícia, e órgãos de controle como o Conselho Nacional de Justiça, até culminar com ameaças de morte. As tratativas estão comprovadas de forma vasta, não apenas nos diversos diálogos entre os três, recuperados no telefone de Allan, como através de quebra de sigilo fiscal e bancário.

A mulher de Allan, Isabel Cristina Gorgônio de Medeiros, que ocupou o cargo em comissão de Secretário de Gabinete Parlamentar da Assembleia Legislativa Estadual do RN no período de novembro de 2012 até julho de 2018. Também foi candidata a deputada federal em 2018, e não foi eleita. De acordo com a denúncia do MPE-RN, ao analisar a movimentação bancária de Isabel e Allan, ela seria a responsável pela movimentação financeira do casal. Entre 7 de janeiro de 2014 e 9 d emarço de 2017, ela recebeu um total de R$ 1.639.000,84 através de depósitos não identificados, dos quais, R$ 519.582,85 foram no ano de 2016.

Allan é advogado de criminosos ligados a uma facção criminosa e, segundo o Ministério Público do RN, havia necessidade de prisão em razão do eventual cumprimento de ameças até mesmo a um promotor de justiça. Diálogos do advogado com criminosos dessa facção mostram que o advogado tentava informações sobre um promotor de justiça e que tinha intenção de matar. Na ação de ontem, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro locais de Natal e Parnamirim, além de um mandado de prisão preventiva de um advogado.

Envolvimento com facções criminosas
Dois advogados foram presos na manhã desta segunda-feira (10) por suposto envolvimento com uma organização criminosa. As prisões aconteceram dentro da Operação Emissários, do Ministério Público do Rio Grande do Norte. Uma terceira advogada teve o mandado de prisão expedido e está foragida.

Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), eles eram responsáveis por repassar ordens dos chefes de uma facção criminosa detidos em unidades prisionais potiguares a integrantes do grupo que ainda estão nas ruas.

A operação Emissários contou com o apoio da Polícia Militar. Além de cumprir os três mandados de prisão expedidos, a ação ainda fez busca pessoal nos escritórios dos advogados para apreender bolsas, aparelhos de telefone celular, pendrives, computadores e documentos para serem analisados.

Números
R$ 70 mil foi o valor que teria sido pago para suposta compra de sentença no TJRN

2017 foi o ano em que iniciou a investigação sobre o advogado

2016 o advogado Allan Clayton havia sido preso em Operação Medellin






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