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Política
Operação policial deixa 22 mortos, no Rio de Janeiro
Publicado: 00:01:00 - 25/05/2022 Atualizado: 21:59:43 - 24/05/2022
Pelo menos 22 pessoas morreram e outras sete ficaram feridas na manhã de ontem, na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, durante operação conjunta do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM), da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). É a terceira ação policial mais letal na história do RJ, atrás apenas daquela de Jacarezinho (com 28 vítimas, em 2021) e a da Vila Operária (com 23 vítimas, em 1998).

MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação em frente ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, localizado no bairro da Penha, para onde foram levados feridos

Movimentação em frente ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, localizado no bairro da Penha, para onde foram levados feridos


A PM diz que foi recebida a tiros quando iniciava uma “operação emergencial” com o objetivo de prender chefes de uma facção criminosa que estariam escondidos na comunidade. Segundo a polícia, chefes de outras favelas, como Jacarezinho, Mangueira, Providência, Salgueiro e até de Estados do Norte e do Nordeste estariam abrigados na Vila Cruzeiro. 

A polícia afirmou também que a maior parte das vítimas era considerada suspeita. Uma das vítimas é Gabriele Ferreira da Cunha, de 41 anos, atingida por uma bala perdida. As autoridades informaram que uma perícia será feita no local onde a moradora foi morta, mas não onde as outras pessoas foram atingidas.

Segundo moradores, a operação começou pouco depois das 4 horas da manhã, com o apoio de um helicóptero blindado. Por causa da operação, onze escolas da região foram fechadas. Os confrontos se concentraram na parte alta da Vila Cruzeiro, perto de uma área de mata. Foram apreendidos onze fuzis, quatro pistolas e uma granada, além de dez motocicletas e seis carros.

O porta-voz da PM, major Ivan Blaz, em entrevista à TV Globo, lamentou a morte de Gabriele. “Foi a perda de uma vida inocente”, afirmou. “A gente não vai ter um grande êxito numa operação quando temos a morte de uma inocente.” No entanto, disse Blaz, “infelizmente é necessário que a gente faça uma operação como essa. Não é normal criminosos atuarem nessas comunidades com armas de guerra”.

Conforme a PM, a operação foi feita em caráter emergencial depois que a polícia detectou que havia uma reunião de chefes do Comando Vermelho na comunidade. “Estamos falando de uma facção criminosa que é responsável por mais de 80% dos confrontos armados do Rio”, disse.

“Essa facção que atua na Vila Cruzeiro, no Jacarezinho, no Chapadão e em Salgueiro, tem uma política expansionista, é uma ideologia de guerra, de enfrentamento e de confronto. Não só contra as forças policiais, mas também contra outras quadrilhas, Não bastasse isso, eles agora estão hospedando criminosos de outros Estados que, daqui do Rio, dão ordens para que homicídios sejam cometidos em outras regiões do País. Desarticular essa quadrilha é fundamental e, logicamente, a vítima inocente morta no início da operação tira a ação altruísta que tínhamos", acrescentou o major. 

Apuração
O Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar 'eventuais violações e as responsabilidades' de agentes da PF e da PRF durante operação conjunta com o Bope da PM, na Vila Cruzeiro, na Penha.

"Em 11 de fevereiro deste ano, no mesmo lugar, houve oito vítimas fatais em outra operação com participação da PRF", lembrou o procurador Eduardo Benones, titular do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial no Rio de Janeiro.

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