Operários param por maior salário

Publicação: 2012-03-20 00:00:00 | Comentários: 0
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As obras da Arena das Dunas estão paradas. Ontem pela manhã, os operários responsáveis pela construção paralisaram o trabalho em protesto contra os salários pagos pela Construtora OAS, responsável pelo novo estádio da capital potiguar. Os trabalhadores fizeram uma caminhada até a Delegacia Regional do Trabalho, na Ribeira, onde haverá, hoje às 10h, uma rodada de negociação com os representantes da Construtora. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon), a construção da Arena não será retomada antes da negociação com a OAS. Hoje, os operários irão acompanhar o diálogo com os patrões na DRT.
Alex RégisPasseata de protesto fechou trânsito nas ruas da cidadePasseata de protesto fechou trânsito nas ruas da cidade

Os salários praticados hoje na construção da Arena são considerados defasados pelos trabalhadores, em relação ao mercado potiguar. Um  técnico profissional (pedreiro, carpinteiro, etc) recebe R$ 827, enquanto um ajudante recebe R$ 675. O Sintracon defende uma remuneração maior, de R$ 1.580 para profissionais e R$ 1,1 mil para ajudantes. Os valores defendidos fazem parte de uma proposta de piso nacional para as obras da Copa do Mundo, encampada pelas centrais sindicais, como CUT e Força Sindical.

Como a proposta não foi atendida pela Construtora OAS, o Sindicato organizou a caminhada pelas ruas da cidade. Eles saíram do canteiro de obras e foram até a Ribeira. Parte dos trabalhadores seguiu de moto, à frente do grupo, enquanto o restante foi à pé. Eram centenas de pessoas e o trânsito da avenida Salgado Filho/Hermes da Fonseca ficou prejudicado, com um engarrafamento quilométrico. A intervenção no trânsito da cidade foi, segundo Luciano Ribeiro,  diretor financeiro, uma medida adotada após a tentativa de negociação direta.

“Demos 10 dias de prazo para que a Construtora nos desse uma resposta. Esse prazo terminou sexta-feira. Houve mais 48h antes da paralisação. Agora iremos conversar mediados pelo Ministério do trabalho”, explica. E complementa: “Não somos contra a Copa, mas esse salário é abaixo do mercado e abaixo do que se paga em outras sedes”. Além do aumento salarial, os trabalhadores pedem um aumento no valor  da cesta básica. Plano de saúde deve também deve ser incluído na pauta.

 Caso a negociação não seja bem sucedida, os trabalhadores irão votar um indicativo de greve. Segundo dados da Construtora OAS, há 600 funcionários envolvidos na construção da Arena das Dunas.

Através do diretor de marketing da Arena das Dunas, Artur Couto, os responsáveis pela obra disseram que encaram com naturalidade a negociação. “É um processo de negociação como aconteceu em outras sedes. Tivemos um dissídio coletivo que fixou uma série de índices, os quais estamos cumprindo desde novembro”, disse.

Outras sedes, como Salvador e Recife, já tiveram problemas com paralisação de funcionários. Um dos motivos é uma articulação nacional para fixar o valor mínimo pago em obras da Copa em R$ 1.580 para profissionais. “Não faz sentido um piso único porque as realidades são diferentes em cada estado”, disse Artur Couto.

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