Oportunidades de negócio

Publicação: 2019-10-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br


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Quase todo dia, às vezes na madrugada, e por artes dos diabólicos algoritmos, alguém joga nesta tela as mais vibrantes oportunidades de negócio. E são sempre fartos nos adjetivos e promessas, sem nenhum pudor ou remorso, citando tudo quanto este cronista não foi capaz de ganhar na vida. Não sabem eles, os felizes, da minha luta. Pensam, se é que pensam, que é fácil enganar com esperanças uma alma velha e descuidada, já passada no vinagre dos anos.

Outro dia, nem estes olhos ainda saltavam do teclado e caíam na tão clara madrugada de verão, uma mulher dizendo-se consultora em empreendedorismo surgiu na tela fazendo as maiores revelações de como ficar rico com ações. Li o texto, dei o goto, como se dizia nos tempos comuns, e acendi um charuto. Foi o único jeito que me foi dado de brincar de ser rico com as arandelas e volutas da fumaça azul embarafustando-se no ar, como na canção antiga.

Deletei algumas outras sem ler, que é como se diz na tecnologia da informação, exista ou não esse verbo. Pra quê? Ora, se dissesse alguma coisa possível, e se era para confortar os fracassos pessoais, não notou que tenho o perfil exato dos que não ficariam ricos. E evitaria a enfieira de argumentos - arrazoados uns e outros não, mas todos, absolutamente todos, feitos da mesma argamassa de que a vida pode começar a qualquer hora, como se bastasse querer.

No beiço dos setenta e mariano de uma fé que herdei do meu avô e do meu pai, não tenho ilusões com o Deus e o Diabo da fortuna. Não nego. Se fosse, viveria afortunadamente e sem pecado. A vida é para todos, mas não é igual na distribuição dos destinos. O segredo é ser feliz da felicidade possível e não de um algo desejado e inatingível. As mãos colhem a colheita prevista e é com o trigo colhido que se fermenta a resignação do pão de cada dia.

Tive oportunidades de negócios? Tive, sim. Mas o medo foi maior, se é verdade que o medo às vezes é o esconderijo da ousadia que faltou. Nunca assinei papel timbrado ao longo da vida e nunca fui nada, a não ser, e prazerosamente, um escrevinhador de jornais. É que até no prazer a alma foi pequena, e não soube alçar os grandes vôos, prisioneira dos telhados encardidos de uma vida provinciana que se contentou com pouco, e, com esse pouco, viveu.

Arrependimento? Nenhum. A não ser não poder atender aos que pousam nesta tela algumas manhãs e tardes. Elas, então, nem se fala. São educadas, bonitas, prometem a vida doce e fácil que todos desejam. Não custaria nada atendê-las e, se fosse o caso, até investir um pouco da fortuna, acompanhando as oscilações da bolsa com o cenho franzido e aquele ar de preocupação charmosa que alguns homens desenham no rosto. Agora, só na outra encarnação.

SERÁ? - Não deve ser verdade que a Biblioteca Câmara Cascudo será reinaugurada na data do aniversário da governadora Fátima Bezerra. Isso deve ser idéia de algum petista delirante.

DEVER - Reabrir a biblioteca é dívida do poder público e de quem voluntariamente desejou assumi-lo. O Teatro Alberto Maranhão, outro exemplo, está de portas lacradas há cinco anos.

PEDRA - O geólogo e professor Edgar Dantas ocupa o microfone do salão nobre do Instituto Histórico e Geográfico amanhã, quinta, 18h, boca da noite, para falar sobre a Pedra de Lioz.

LIOZ - Para quem não sabe, Lioz é um calcário muito comum em Portugal e serviu de lastro aos navios coloniais que vinham para o Brasil e voltavam carregados de ouro e Pau Brasil.

SONHOS - O neurocientista Sidarta Ribeiro lança sexta-feira, a partir das 15h, na livraria do Campus, na UFRN, seu novo livro ‘O Oráculo da Noite’. Um dos mais vendidos no Brasil.

DATA - Ficou para amanhã, quinta-feira, às 16h, o lançamento na Cooperativa do Campus, UFRN, do livro ‘Nísia Floresta, memória e história da mulher intelectual do Século XIX’.

DESTINO - A editora da UFRN ainda estuda uma solução final para a livraria das editoras universitárias no Centro de Convivência. Uma livraria de verdade e não uma loja de livros. 

FLORADA - Os amarelos e os roxos floram ainda escassos; já as sucupiras, esturricadas pelo calor, apuram a seiva num silêncio sisudo; e assim vai indo a humilde primavera dos morros. 

FORÇA - Da união de três nomes - o deputado Allyson Bezerra (Solidariedade), empresário Jorge do Rosário e da deputada petista Isolda Dantas, pode sair uma chapa de oposição capaz de mudar o azimute da luta política nas terras de Santa Luzia. Allyson é capaz de reuni-los. 

PRESENÇA - Prevaleceu o jogo familiar: Garibaldi passa a presidência do MDB para o filho, Walter Alves e, este, indica o pai, Garibaldi, para vice. Álvaro Dias, embora prefeito da capital, é segundo vice-presidente. O MDB deu as costas para a renovação. Virou herança.  

VIAGEM - Quem telefona da medieval e belíssima Saint Malo, olhando o canal da Mancha, é o poeta Diógenes da Cunha Lima. Ele anda pela velha e histórica Bretanha, descansando os olhos nos longes do mundo. Promete voltar à sua aldeia, no mais tardar, fim deste outubro.





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