Oposição a Dilma ficará reforçada no Senado

Publicação: 2014-10-27 00:00:00
Brasília (AE) - Com a derrota do PSDB na disputa presidencial, a presidenta Dilma Rousseff deverá enfrentar uma oposição reforçada por nomes tradicionais, com histórico no Executivo e no Congresso e que tende a ser mais aguerrida do que a enfrentada pela petista no seu primeiro mandato e muito concentrada no Senado.
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O motivo é que, apesar de ter tido a bancada reduzida de 12 para 10 senadores, o PSDB contará com a participação do adversário da petista na disputa pelo Palácio do Planalto, Aécio Neves, e do candidato derrotado à vice, Aloysio Nunes. Juntam-se a eles tucanos que governaram os principais Estados do país como José Serra (São Paulo), Antônio Anastasia (Minas Gerais), Tasso Jereissati (Ceará). A bancada do Senado também contará com a aliança do PSB, legenda que mais conquistou cadeiras na Casa chegando a 7 senadores, e dos recém-chegados como o ex-líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO) e David Alcolumbre (DEM-AP).

Além disso, a Câmara, onde a própria base aliada de Dilma costuma dar muito mais trabalho do que a oposição, estará muito fragmentada após a eleição de deputados egressos de 28 partidos. “ A Câmara ficou muito retalhada com 28 partidos e ficará dividia em relação às ações de plenário e de pauta. Acho que o Senado Federal vai ter uma concentração maior dos debates com uma bancada de parlamentares opositores que são conhecedores do regimento, são pessoas que estudam os temas, além de ter o fato de alguns já terem sido do Executivo. Acho que esse grupo vai dar o tom na Casa num debate de alto nível e formador de opinião”, ressaltou o senador eleito, Ronaldo Caiado.

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Na avaliação dele, as denúncias envolvendo a Petrobrás devem “contaminar” o início das atividades no Congresso. “Isso de imediato vai causar um impacto muito grande na Câmara e no Senado porque você vai ter vários deputados e senadores que, infelizmente, vão passar por um processo de cassação, que é inevitável diante de todas essas denuncias que estão apresentadas”, ressaltou. Em relação à questão econômica as atenções estarão voltadas para as propostas de reajustes de produtos do dia a dia dos brasileiros como gasolina e energia. “Será um grande embate com a presidenta porque ela vai impor um tarifaço”, avaliou o parlamentar.

“Pelas posições que tomamos nesta disputa eleitoral, estamos indo para oposição e o nosso papel será o de fiscalizar o governo e apontar eventuais equívocos. Acho que o desafio maior do Brasil será o de voltar a crescer pois a economia interna vive uma momento difícil”, afirmou ex-ministro e senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PSB). Outra pauta que deverá ser motivo de disputa entre governistas e opositores é a aprovação de um projeto de reforma política, que se arrasta pelos últimos governos.

Aécio é o tucano com votação mais expressiva em SP
São Paulo (AE) - Mineiro, o candidato Aécio Neves (PSDB) obteve a maior votação que um político do PSDB já registrou em uma eleição presidencial em São Paulo. Mais de 15 milhões de eleitores paulistas votaram no senador mineiro ontem, o que corresponde a 64,3% dos votos válidos do 2º turno presidencial. Foi quase o dobro da quantidade de eleitores que a presidenta Dilma Rousseff (PT) recebeu no Estado: 8,5 milhões, ou 35,7% do total.

O PT não ganhou trégua do eleitorado paulista no 2º turno, após sofrer uma derrota histórica em São Paulo há três semanas. A diferença de votos entre Aécio e Dilma, em números absolutos, foi de 6,8 milhões - o que não foi o suficiente para reverter a dianteira de 10,3 milhões de votos que a candidata reeleita conseguiu no resto do País.

Antes dessa eleição, o melhor resultado de um candidato tucano à Presidência em São Paulo havia sido de Fernando Henrique Cardoso ao ser reeleito em 1998, quando recebeu 59,9% dos votos válidos já no 1º turno - tanto nesse ano quanto em 1994, não houve 2º turno na disputa presidencial. A única vitória do PT no território do maior eleitorado do Brasil havia sido em 2002. Naquela ocasião, 55,4% dos votos do Estado no 2º turno foram para o petista Luiz Inácio Lula da Silva, cujo berço político é o ABC Paulista.