Origem da família Gurgel Amaral

Publicação: 2019-12-08 00:00:00
Ormuz Barbalho Simonetti
[ Presidente do IHGRN ]

Em 1595, chegou ao Brasil o corsário francês TOUS-SAINT GURGEL, capitaneando algumas naus, com o propósito de realizar contrabando de madeira de lei, principalmente o pau brasil. Nessa época ainda havia lutas de portugueses com franceses que se refugiaram em Cabo Frio, remanescentes do sonho de Nicolas Duran de Villeganion.

Nascido em Alsácia, a leste da França, junto às fronteiras da Alemanha e da Suíça, Tous-Saint era filho de pai alemão da Baviera e mãe francesa. Era homem letrado, pois havia estudado no Liceu do Strasbourg, em Paris. Em Saint Malo, na Normandia Francesa, concluiu o curso de Hidrografia e Ciências Náuticas.

No vigor de seus 25 anos de idade, e com grande experiência no comando de navios, visto já ter navegado por todo o Mediterrâneo. Desembarcou na região de Cabo Frio onde esperava ganhar dinheiro fácil, negociando com traficantes franceses e holandeses que habitavam aquela região.

Pouco tempo depois de sua chegada a Cabo Frio, o corsário teve que enfrentar forças enviadas pelo então governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, sob o comando do coronel João Pereira de Souza Botafogo.  Travou-se uma feroz batalha que culminou com a prisão de Tous-Saint Gurgel.

Com um número bastante inferior de homens e armas logo foi feito prisioneiro, não obstante ter lutado com toda bravura, despertando admiração e simpatia do Coronal Botafogo, que logo se afeiçoou aquele valente aventureiro.

Trazido para o Rio de Janeiro, ficou encarcerado por algum tempo e com a ajuda do seu captor, que gozava de grande prestigio junto ao Governador, conseguiu ficar na cidade do Rio de Janeiro por mensagem. Tempos depois conseguiu a liberação de suas naus e tripulantes e passa a dedicar-se a pesca de baleias na baía da Guanabara. Sempre contando com a proteção do Coronel Botafogo, participou de diversos negócios, ganhou bastante dinheiro, e em pouco tempo torna-se um homem muito rico.

Em janeiro de 1598 casou-se com a brasileira Domingas de Arão Amaral, filha do casal lusitano D. Antônio Diogo do Amaral e Micaela de Jesus Arão. Nascia naquela ocasião, e posteriormente através de seus descendentes, a família “Gurgel do Amaral” ou “Amaral Gurgel”. Tiveram oito filhos sendo sete filhas e um varão, nascidos e registrados na Sé, entre 1607 e 1619.

A primeira filha do casal chamava-se Maria do Amaral Gurgel (1607/1671) que se casou duas vezes. A primeira com Antônio Ramalho e tiveram cinco filhos. Em segundas núpcias, casou com Diogo da Fonseca.

O segundo filho chamava-se Francisco do Amaral Gurgel que torna-se religioso, ordenando-se padre. Nasceu em 1610 e faleceu em 17.09.1654, na cidade do Rio de Janeiro.

A terceira filha do casal, Isabel do Amaral Gurgel, nasceu no Rio de Janeiro em 1613. Casou-se com Claudie Antoine Besançon,  nascido na França, em 1604.

Ângela do Amaral Gurgel (1616/1695), a quarta filha do casal, casou-se com o português Capitão João Batista Jordão. O casal teve sete filhos entre os quais Cláudio Gurgel do Amaral, que se ordenou padre depois que ficou viúvo e já com bastante idade.

A quinta filha do casal, Barbara Amaral Gurgel, nascida em 1617, casou-se com João Nogueira e tiveram diversos filhos.

Já a sexta filha do casal, Antônia do Amaral Gurgel, nascida em 1619, casou-se duas vezes: a primeira com João de Azevedo Roxas e tiveram cinco filhos, entre eles um padre de nome Francisco do Amaral Roxas. Em segundas núpcias, casou-se com o capitão Antônio Rodrigues Tourinho

E a sétima filha, Méssia do Amaral Gurgel, falecida em 1687, casou-se com José Nunes da Silva e tiveram quatro filhos entre eles o Frei Antônio de Santa Clara. E por última, Domingas do Amaral Gurgel.

Quando Tous-Saint morreu em 1651, já viúvo, aos 84 anos de idade, além dos filhos, netos e bisnetos gerados a partir de sua esposa Domingas de Arão do Amaral, deixou também vários descendentes mestiços, nascidos de suas constantes viagens pelo interior, onde passava várias semanas caçando e pescando, sempre acompanhado por amigos, escravos e índios mansos. Por ocasião de sua morte, os descendentes do seu casamento já somavam mais de uma centena e se espalhavam pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.