Orlando Dantas – um norte-rio-grandense desconhecido

Publicação: 2019-08-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Joventina Simões Oliveira
[Advogada, sócia do IHGRN]

Orlando Villar Ribeiro Dantas nasceu em Ceará-Mirim, em 11 de fevereiro de 1896. Filho de João Ribeiro Dantas e Joaquina Villar Ribeiro Dantas, era neto de José Ribeiro Dantas, o polêmico senhor de engenho Zumba do Timbó.

Em 1907 foi morar com a família em Recife, onde começou sua vida profissional aos 11 anos de idade. Demonstrou, desde cedo, um desejo de crescer na vida, por intermédio do estudo e do trabalho. Assim, estudava durante o dia e à noite, trabalhava num jornaleco de periodicidade mensal, ao qual denominou de O Colibri.

Embora vocacionado para o jornalismo, muito cedo teve incursões pelo comércio e pela indústria. Foi agente, para o Brasil, das máquinas de escrever Under Wood e, em razão do grande sucesso obtido, elaborou um projeto para a instalação de uma indústria de artefatos de borracha, obtendo a aprovação do presidente Epitácio Pessoa. Mas teve a oposição do Congresso Nacional e, por esse motivo, viu-se obrigado a abandonar o projeto.

Diante dessa decepção, resolveu dedicar-se exclusivamente ao jornalismo, sua verdadeira vocação. Mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1922, para exercer a função de diretor da Revista Comercial e Industrial. A partir dai passou por diversos órgãos de imprensa, tendo sempre uma atuação destacada.

Em 1928, realizou uma nova mudança, indo morar em São Paulo, onde fundou o Diário de São Paulo em sociedade com Assis Chateaubriand e Rubens do Amaral. Essa sociedade teve vida efêmera, em 1930 foi dissolvida em face a divergências entre os sócios. E o jornalista Orlando Dantas retornou para o Rio de Janeiro, onde fundou o Diário de Notícias.

O Diário de Notícias foi um órgão da imprensa muito respeitado à época, em razão da coerência de opinião. Naquela época, a política estava muito agitada, em razão da derrota de Getúlio Vargas para Júlio Prestes, e o Diário de Notícias se limitava apenas a dar a informação de forma imparcial, quer estivesse na situação ou na oposição. Daí a crescente credibilidade, pois não se comprometia com facções ou partidos políticos.

Tal procedimento fez com que, em 1948, o jornalista Orlando Dantas recebesse das mãos do general Dwight Eisenhower (à época reitor da Columbia University), por relevantes serviços prestados, o prêmio “Maria Moors Cabor”, um dos prêmios mais importantes do continente americano, concedido a jornalistas.

Em 1950, viajou à França, com a intenção de pesquisar sobre as relações de sua conterrânea Nísia Floresta com o escritor Victor Hugo e com Auguste Comte. Entretanto, oficiosamente sabe-se que ele foi à França, atendendo um pedido do conterrâneo Presidente da República, João Café Filho, para localizar o túmulo de Nísia Floresta, em Rouen. Sobre esta pesquisa nada foi divulgado, seja pelo jornalista, ou por seus descendentes ou sucessores. Tem-se apenas conhecimento de um comunicado, ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, feito por Adauto Miranda Raposo da Câmara, de que este foi “... mais um meritório serviço prestado...” pelo jornalista Orlando Dantas.

Orlando Dantas faleceu no Rio de Janeiro no dia 1º de fevereiro de 1953. O “Diário de Notícias” não sobreviveu à morte do seu fundador.

Recebeu homenagens com o patronato de ruas. Em Ceará-Mirim: rua Orlando Dantas; em Mossoró: rua Orlando Dantas; no Rio de Janeiro: rua Jornalista Orlando Dantas, em Botafogo e em São Paulo: rua Orlando Ribeiro Dantas, no bairro Vila Izollina.

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