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Natal
Ortopedia e traumatologia sufocam rede de assistência
Publicado: 00:00:00 - 16/12/2018 Atualizado: 11:41:28 - 18/12/2018
Mariana Ceci
Repórter

A realidade de quem necessita de cirurgias ortopédicas e traumatológicas no Rio Grande do Norte envolve, invariavelmente, longas filas, esperas intermináveis e a incerteza de saber quando – e se – poderá realizar o seu procedimento. Enquanto a rede privada vem passado por uma reestruturação que vem reduzindo o tempo de espera para a execução das cirurgias ortopédicas eletivas, a rede pública se vê cada vez mais afogada pela enorme demanda que não encontra vasão em função da rede deficitária do Estado.

Adriano Abreu
Há 12 dias internado no Walfredo Gurgel, Gedson Ludson do Nascimento, de 34 anos, aguarda transferência para cirurgia

Há 12 dias internado no Walfredo Gurgel, Gedson Ludson do Nascimento, de 34 anos, aguarda transferência para cirurgia

Há 12 dias internado no Walfredo Gurgel, Gedson Ludson do Nascimento, de 34 anos, aguarda transferência para cirurgia

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Na rede estadual, 3.932 cirurgias ortopédicas foram realizadas de janeiro a dezembro deste ano, de acordo com a Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap), 81 a menos do que no mesmo período de 2017. Ao todo, cinco hospitais de referência atendem os casos de trauma e ortopedia no RN: o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HWG), na capital potiguar, maior da rede Estadual, o Deoclécio Marques, em Parnamirim, o Tarcísio Maia, em Mossoró, o Hospital Regional Telecida de Freitas, em Caicó, e o Hospital Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros.

A capacidade de atendimento desses centros, no entanto, está muito aquém da demanda, como admite a própria Secretaria, “a capacidade de atendimento dessas unidades é sempre ultrapassada devido ao fato de os municípios não terem condições de fazer sua própria assistência, já que cabe a eles a oferta dos serviços de baixa e média complexidade".

Ano passado, 1,4 mil pessoas aguardavam as cirurgias ortopédicas pelo SUS no Estado. Este ano, em matéria divulgada pela TRIBUNA DO NORTE no mês de junho, 1,7 mil pessoas aguardavam a vez na fila da Regulação para se submeterem às cirurgias. A equipe de reportagem questionou, desde a última terça-feira (11) a situação atual da fila de cirurgias ortopédicas pelo Sistema Único de Saúde no Estado. A Sesap, no entanto, não respondeu, até o fechamento desta edição, na sexta-feira (14), o número de pessoas que aguardam na fila no Estado.

Em novembro, o Hospital Memorial, que é da rede privada mas atende 50% das cirurgias de ortopedia e traumatologia enviadas pelo SUS, reduziu à metade o número de atendimentos em função de atrasos nos pagamentos dos procedimentos por parte da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal e a Sesap.

De acordo com o Hospital Memorial, a suspensão de 50% das cirurgias de ortopedia se deu por 15 dias, entre novembro e dezembro. A dívida acumulada, entre Sesap e SMS, já chegava a quase seis meses. "A falta de repasse levou a unidade a não ter verba suficiente para arcar sozinha com a aquisição de insumos de alto cuto", afirma a assessoria de comunicação do Hospital.

Deitados em macas e largados em corredores, as pessoas aguardam notícias sobre suas cirurgias. Há 12 dias internado no Walfredo Gurgel, Gedson Ludson do Nascimento, de 34 anos, é um dos que aguarda notícias sobre sua cirurgia. “Disseram que devo ir para o Deoclécio, em Parnamirim. Mas é tudo incerto. O que fazemos é torcer para que alguém apareça e diga que finalmente vou poder me operar”, afirma.

A mesma cena pode ser vista repetidamente pelos corredores do hospital, onde dezenas de pacientes aguardam transferência ou notícias sobre o local e a data de suas cirurgias. Muitos, graças à espera, chegam até mesmo a perder empregos e oportunidades, como é o caso de Rene Cruz da Silva, de 33 anos, que aguarda há sete dias notícias sobre a cirurgia que precisa fazer no braço, graças a um acidente de moto.

“Estava indo assinar a carteira de trabalho e sofri um acidente graças a um buraco na rua. Agora, estou aqui aguardando transferência para poder fazer a cirurgia. Se existe espera para cirurgia, não quero nem imaginar a espera para a fisioterapia e as outras coisas... O emprego eu perdi, porque ele precisava de alguém com urgência para servir de garçom.”, relata Rene.

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