Os dias de Santos Reis

Publicação: 2021-01-06 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Quando a voz de Tim Maia se espalhou pelo Brasil cantando a “Festa do Santos Reis”, música do LP de 1971, a tradicional data cristã já era uma saudade na minha memória, desde que dois anos antes, em 1969, meus pais deixaram a casa no pequeno bairro de Santos Reis e se instalaram na grande Quintas. Tudo bem que nalguns anos eu fui até o antigo bairro revisitar a saudosa festa com suas quermesses, barracas e equipamentos de diversão.

Fui morar em Santos Reis, na rua Berta Guilherme, casa 100, por volta de 1965, deixando para trás a pequena casa na travessa Padre Calazans, no Centro, nas imediações da Igreja Santo Antônio. A nova casa era maior, tinha um grande quintal com plantas para minha criar galinhas que vinham de Santana do Matos e que viravam almoço dos domingos. E o melhor de tudo, uma espaçosa calçada sem a altura inconveniente do endereço anterior.

Duas coisas foram de grande impacto para a nova realidade: o fácil acesso ao mar, que eu só tinha visto duas vezes, e a animada festa de Santos Reis, que transformava a praça da matriz numa espécie de Disneylândia de província.

Naqueles anos, nada poderia ser mais agradável para as crianças como eu do que uma estrutura de parque de diversão, com carrossel, roda gigante, jogos de pescaria para fisgar brindes, doces e sorvetes e palanque com boi calemba.

Apesar de não ter acompanhado minha mãe e irmãs nas missas da igreja, inclusive fugindo das aulas de catecismo, não perdia os dias em que padres e auxiliares iniciavam a montagem do presépio, um dos mais famosos da cidade.

Houve um ano, acho que 1967, em que uma reca de bem duas dezenas de meninos se reuniram na pracinha oval para uma carreata de carrinhos de latas e madeira. Enquanto brincávamos, o parque da festa era erguido ali do lado.

Foi naquele ano que tive meu primeiro contato com histórias em quadrinhos da editora Ebal, cujas revistinhas estavam expostas na mercearia da esquina. Quando a turma foi comprar poli, dei de cara com a edição 1 de Os Justiceiros.

O antigo título da hoje Liga da Justiça foi a apresentação do Superman, o personagem preferido desde então. Ali também, naquela esquina, meu pai comprou o exemplar do Mickey com a primeira aventura do herói Super Pateta.

Muitos anos se passaram para eu descobrir que o dia de Santos Reis já havia sido comemorado pelos cristãos como sendo o dia do nascimento de Jesus Cristo, pelo menos até 353, quando foi transferido para o dia 25 de dezembro.

A data em homenagem aos magos (no aspecto sábio) é uma das três epifanias da vida de Jesus, juntamente com o seu batismo por João e os milagres realizados nas Bodas de Canaã. Para os fiéis, a quarta será no seu retorno.

Em pinturas do século II, os três sábios seriam nobres da antiga Pérsia, o atual Irã; e somente a partir do século VIII foram tratados como reis, sendo considerados santos durante a Idade Média e representantes de continentes.

A partir do século IX, o historiador italiano Andrea Agnello publicou os nomes como conhecemos – Gaspar, Baltasar e Belchior, sendo o primeiro um asiático; o segundo um negro; e o terceiro um velho barbudo de origem europeia.

Na Bíblia, a única alusão ao trio é no evangelho de São Mateus do Novo Testamento, citando que Herodes interrogou uns magos que seguiram uma estrela que apontava um local de nascimento de uma criança muito especial.

Há quem veja no Salmo 72 do Velho Testamento uma alusão a Jesus e aos Reis Magos: “Que os reis de Társis e das regiões litorâneas lhe tragam tributos; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes”. Hoje é um dia em que vejo uma estrela apontando o bairro e refletindo minha saudade da infância. Ando meio esquisito, mas é o dia da Festa de Santos Reis.

Créditos: Divulgação

É a economia 
A balança comercial brasileira fechou 2020 com um superávit de US$ 50,9 bilhões, sendo 7% superior à marca de 2019. Um resultado que vale como um tapa de Paulo Guedes nas fuças da patuleia que torcia contra a economia.

Ivermectina 
Bastante comentada no Brasil desde março de 2019, quando bateu recorde de vendas inclusive em Natal, o antiviral foi citado pela OMS como um dos motivos do baixo contágio da Covid na África. Escrevi aqui em julho e agosto.

É onda 
A tal segunda cepa do Covid-19, chamada de “variante”, gerou piadinhas nas redes com o carro Variant, lançado pela VW nos anos 1960. Dizem que após a nova onda virão a Belina 70, a Brasília 73, a Panorama 80 e o Passat 81.

Rolando lero 
Impressiona a quantidade de incautos na onda do coaching, cheia dos gurus modernos com seus idiomas da obviedade e os chavões de videntes de parque de diversão. Alguns sugerem que é melhor ouvir os profetas do apocalipse.

Romance 
Ano passado ele foi destaque no Estadão e Zero Hora e ganhou popularidade nas redes sociais, principalmente no YouTube. No livro “Fiados na Esquina do Céu com o Inferno”, Eury Donavio juntou Ariano, Ney Leandro e Graciliano.

Contos 
A escritora Cellina Muniz vem aí com mais um livro de contos, o quarto, chamado “Quase Contos” e viabilizado na Lei Aldir Blanc. São 16 estórias e capa da sua filhota Rosa Maria. Lançamento neste janeiro no Sebo CataLivros.

Belchior
Para quem achou superficial a biografia do poeta cearense escrita por Jotabê Medeiros, vem aí “Viver é Melhor que Sonhar – Os Últimos Caminhos de Belchior”, dos jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti. Já em pré-venda.










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