Os dois lados da “moeda”

Publicação: 2017-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Alcyr Veras
Economista e professor universitário

Não existe “meia verdade”, da mesma forma que não existe “meia mentira”.

Utilizo-me dessas expressões populares na tentativa de interpretar o atual momento da economia brasileira. Antes, porém, acho que no presente caso a figura de retórica aplicar-se-ía melhor ao analisarmos o objeto em causa, do ponto de vista de seus aspectos positivos ou negativos. Então, com base nessas metáforas, diriam os otimistas que o copo está “cheio” pela metade, enquanto que os pessimistas diriam que o copo está “vazio” pela metade.

Vejamos, a seguir, como vem se comportando a economia brasileira, considerando que neste recente e curto período de tempo, ou seja, nos últimos 18 meses, concentraram-se as mais diversas ocorrências, envolvendo conflitantes problemas políticos, graves denúncias de corrupção no governo e choque de divergências entre os poderes da República. Todos esses acontecimentos acabaram por afetar, indiretamente, o desempenho macroeconômico do país. De um modo geral, o ano de 2016 foi marcado pelas incertezas que ameaçaram a recuperação da atividade econômica, motivadas sobretudo pela recessão aguda e pelo incontido aumento do desemprego.

O comércio e os outros setores de serviços foram os que apresentaram maior número de baixas, tanto em vendas como no número de demissões. Outro problema, ainda durante o ano de 2016, foi a acentuada queda do consumo, em razão do endividamento das famílias e das empresas. Havia, por parte do governo, a esperança de que os investidores internacionais voltariam a investir, no Brasil, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Mas, isso não acontece assim tão rapidamente, como se imagina!

Apesar das expectativas de recuperação da economia brasileira estarem, hoje, melhores do que no ano passado, o início do ano de 2017 não sinalizou, por si só, o fim da crise. Mesmo assim, alguns indicadores, como por exemplo, a queda da inflação e da taxa de juros começaram a apresentar os primeiros sinais de recuperação. Mas, esses avanços iniciais foram interrompidos, em maio, pela bombástica delação de efeito explosivo devastador, do empresário Joesley Batista.

No primeiro trimestre do ano, o PIB cresceu 1% , enquanto que neste segundo trimestre ficou em apenas 0,2% (consequência do “terremoto Joesley”). Contudo, a tendência é de crescimento.

No atual quadro da economia temos, de um lado, como pontos positivos, a queda da inflação que desceu ao percentual de 1.62% no período de janeiro a agosto deste ano, o menor desde o Plano Real. A taxa de juros SELIC foi reduzida para 8.25%, o índice mais baixo dos últimos cinco meses. Tivemos também os aumentos: das exportações; do setor de serviços; das vendas de veículos; e o aumento do meio circulante com a injeção de recursos provenientes do pagamento do FGTS das contas inativas dos trabalhadores. De outro lado, estão os pontos negativos, sendo o pior deles – o desemprego. A força de trabalho do Brasil é composta de 104 milhões de pessoas. Desse total, 13.3 milhões estão desempregadas. O rombo das contas públicas deve aumentar de 139 para 159 bilhões. Outra grande frustração é a paralisação das votações no Congresso sobre as Reformas.

Atualmente, nossa economia apresenta margem de ociosidade. Mas, isso não é ruim. Pelo contrário, é sinal de que há espaços e potencial para crescer. Só depende de Investimentos.


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