Os “nós” de congestionamento no trânsito de Natal

Publicação: 2014-08-13 00:00:00
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Nadjara Martins
repórter

Natal possui pelo menos três “nós” de congestionamento no trânsito, localizados nos principais eixos de tráfego da cidade: avenidas Salgado Filho, Felizardo Moura e Moema Tinoco, causados pelo excesso do número de carros comparado ao dimensionamento das vias. Entretanto, estes não são os únicos nós. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) existem outros pontos de “lentidão” na cidade – não há um quantitativo específico – causados, principalmente, pelo estacionamento proibido. Prova disso é o crescimento de 233% no número de multas expedidas entre 2013 e 2014.

De acordo com o secretário adjunto de trânsito da Semob, Walter Pedro, 1.500 multas foram expedidas durante o ano passado. Somente no primeiro semestre deste ano, o número de infrações notificadas subiu para 5 mil. Diariamente, o quantitativo expedido saiu de 85/dia para 270/dia. Esse total considera apenas as notificações feitas por fiscais de trânsito, e exclui a fiscalização eletrônica. As multas constituem infrações, principalmente, quanto ao estacionamento proibido.

“Temos um problema também que, por mais que a gente notifique, não temos como apreender os veículos. Estamos elaborando um pacto entre várias cidades para estabelecer um plano de fiscalização”, explicou Walter Pedro. O pacto está sendo conduzido pela Semob em conjunto com o Departamento de Trânsito do RN (Detran) e os departamentos de trânsito de Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Macaíba, Extremoz e Nísia Floresta.

Ainda não foi estabelecido quando o “pacto” sairá do papel. “Estamos tomando conhecimento do projeto e tarifas de algumas cidades. Temos dificuldade também em conseguir um pátio, já que o Detran não tem”, pontuou Walter Pedro.

Enquanto isso, a Semob pretende retomar e expandir a operação Via Livre, que limita o estacionamento nas vias Romualdo Galvão, Afonso Pena, São José, Jaguarari e Antônio Basílio. A proposta é acrescentar as avenidas Ruy Barbosa e Presidente Bandeira no ano que vem. “Por enquanto diminuímos a atividade do Via Livre e atacamos outras áreas, como a Nascimento de Castro, mas vamos retomar em 2015”, garante o adjunto de trânsito da Semob.

A TRIBUNA DO NORTE foi às ruas para identificar pontos de lentidão da cidade, nem sempre causados pelos estacionamento irregulares.

Caminhões na Roberto Freire
1 Caminhões na Roberto Freire
Na avenida Engenheiro Roberto Freire, um dos eixos de escoamento do tráfego na zona Sul, o trânsito é interrompido pelo estacionamento irregular de carros, principalmente caminhões, que descarregam mercadoria fora das áreas permitidas. Não é raro encontrar caminhões ocupando calçadas nos dois sentidos da via – por vezes, é possível encontrar veículos estacionados nas vagas de paradas de ônibus. Na última segunda-feira, por volta das 9h, a reportagem flagrou um caminhão descarregando mercadoria na calçada de um frigorífico, na Roberto Freire.

Sem calçada, pedestre na via
2 Sem calçada, pedestre na via
A estudante Juliana Lys utiliza constantemente a rua, em vez das calçadas. Insegura, tenta desviar dos carros que lotam as calçadas da Ayrton Senna e os que trafegam na avenida. O malabarismo, segundo ela, é comum aos transeuntes diários do bairro Neópolis. “Próximo à igreja, as pessoas param os carros nas calçadas e não há como passar”, comenta. Na Abel Cabral, em Nova Parnamirim, a situação é mais preocupante. Na última segunda, uma carreta ocupava, às 9h30, uma calçada inteira próxima à CDA Distribuidora. Para os pedestres, a única forma de seguir caminho era pela via.

Carroceiros disputam com carros
3 Carroceiros disputam com carros
Outra situação que costuma irritar é a presença de veículos de tração animal (carroceiros). Eles são facilmente encontrados nos principais eixos da cidade, em horários de pico. Na Alexandrino de Alencar, às 10h30 dessa segunda-feira, a TN flagrou um carroceiro em meio ao tráfego intenso. Um motociclista desviou abruptamente e por pouco não bateu na carroça. Apesar de causarem transtornos, as carroças não são irregulares. Ainda. Um termo de compromisso foi firmado entre o Ministério Público e a Prefeitura do Natal, para a retirada dos carroceiros das ruas em até cinco anos.

Área de trens permanece insegura
4 Área de trens permanece insegura
Semana passada, dois acidentes envolvendo carros particulares e trens em um intervalo de três horas reacenderam a discussão sobre a sinalização da rede férrea. Quase uma semana após o ocorrido, a faixa que delimita o estacionamento proibido, no trecho da linha férrea que passa próximo ao Hospital Giselda Trigueiro, nas Quintas, ainda não foi repintada. Apesar da proibição, o entorno é cercado de veículos. “A sinalização é insuficiente para delimitar o estacionamento. Também não há sinalização da linha do trem que impeça os carros de passarem”, reclama a psicóloga Ana Paula Medeiros.

Sinalização ausente favorece acidentes
5 Sinalização ausente favorece acidentes
Na zona Norte, os problemas se acumulam no trecho entre o gancho do Nordestão, na avenida Tomaz Landim, e pouco depois da Ponte de Igapó. Na Tomaz Landim, a sinalização das faixas de pedestres é insuficiente: as faixas estão apagadas e faltam placas de advertência. “Há duas semanas a gente estava de frente à feira de Igapó e tinha uma faixa sem sinalização. Paramos, o carro de trás também, mas a moto bateu na traseira. Ele teria como parar, mas não tinha placa, então estávamos sinalizando com as mãos”, lembra o feirante Jadson Ferreira.

Obras em horários de pico
6 Obras em horários de pico
Obras no horário de trânsito são uma das dores de cabeça dos condutores natalenses. Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), à exceção das obras programadas, não há um aviso-prévio sobre o tempo de duração das obras ou o período do dia em que serão feitas. A Semob reconhece que não consegue estimular obras noturnas. Na última segunda-feira, um congestionamento teve início na avenida Felizardo Moura, sentido zona Norte-Centro, devido às obras de recapeamento. “Isso aqui é bom para fazer à noite, mas nos enviaram para cá às 11h15”, disse um dos operários.

Faltam estacionamentos
7 Faltam estacionamentos
Na zona Leste, o Alecrim ainda é o maior exemplo de trânsito caótico – para pedestres, ciclistas e motoristas. Na avenida Coronel Estevam, o tráfego intenso é cortado por situações como a do condutor Rômulo César de Souza que, sem encontrar uma vaga para estacionar, resolveu parar na faixa da esquerda, em frente ao Shopping 10. Ele não via problema. “Como não tem estacionamento e é coisa rápida, a gente para aqui. Senão tem que rodar até encontrar uma vaga”, diz. A TN não localizou nenhum fiscal na área, na manhã da última segunda-feira.

Comércio invade as vias
8 Comércio invade as vias
Também no Alecrim, o comércio que movimenta a região escapa das lojas e invade casas e vias. Na Presidente Bandeira, os veículos ficam imprensados entre as calçadas e as cigarreiras que tomam conta do canteiro central. Dona de uma banca na via, Janaína de Souza afirma que o seu ponto tem cadeiras há 17 anos, com autorização. Mais à frente, o tráfego é encurralado entre o camelódromo e as calçadas, apinhadas de ambulantes. Restou ao bailarino Roberto Morais, que é cadeirante, seguir pela via, em meio aos carros. “Na calçada, a gente sequer consegue andar, porque o camelô não deixa. Prefiro andar na rua”, afirmou.

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Comentários

  • adsumus74

    É necessário o disciplinamento do horário de tráfego de carretas que transportam combustíveis, bem como o horário para carga e descarga. Nos anos 70 essas normas existiam. O trânsito era bem melhor. Muito carros para as mesmas ruas.

  • danielbcm

    Posso aqui listar outros centenas de problemas que poderiam muito bem ser sanados pela prefeitura: 1- sincronização dos semáforos das principais avenidas (NÃO EXISTE) 2- pavimento de péssima qualidade, fazendo com que o motorista tenha que desviar de verdadeiras crateras aumentando o risco de acidentes. (inclusive boeiros e raízes de árvores que se desenvolvem embaixo do asfalto) 3- Falta de uma recuo das paradas de ônibus, causando um imenso transtorno pois quando o ônibus param nas paradas os veículos se disponibilizam de apenas uma ou duas vias. (isso seria uma solução rápida e prática) 4- Semáforos de 3 ou 4 tempos desnecessários, onde bastaria apenas criar uma faixa livre em algum sentido onde o fluxo é mais contínuo. 5- profissionais despreparados, os amarelinhos só sabem multar, não têm capacidade de fazer o trânsito fluir nos horários de pico ou em caso de algum acidente. (já presenciei vários em horário de pico, o trânsito parado e eles preocupados em observar pessoas sem cinto ou ao celular em vez de dar prioridade a fluidez do trânsito) 6- falta de alternativas viárias, por exemplo: quem vem do centro para ponta negra poderia pegar a norton chaves direto até o campus e do campus se integrar a r freire. Porém a norton chaves tá com o pavimento péssimo, sinais mal sincronizados, e pra completar quando chega no campus tá tudo parado em dois pontos, 1- da saída do campus para a av. que sai na r freire e 2- no sinal da fiat ponta negra. Ali deveria ter faixa livre para quem vem do viaduto p. negra e o sinal aberto mais vezes nesse horário pra quem vem do campus. Bem...sem falar de locais que são imprescindíveis túneis e viadutos como no gancho de igapó e no acesso a av maria lacerda.