Os pais e os desafios da geração Alpha

Publicação: 2017-08-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

selo dia dos paisEles já nasceram com um mundo de informações ao alcance dos dedos, e têm intimidade com tecnologias que muitos adultos ainda penam para dominar: esses são os jovens da ‘geração alpha’, nascidos a partir de 2010, e que têm smartphones, computadores e tablets como parte integrante de seu dia a dia. Se para eles é tudo aparenta ser muito simples, para os pais que tentam educar esses jovens, as dúvidas são muitas: como estabelecer limites, preservar o contato e as brincadeiras para além das telas dos eletrônicos e proteger os filhos  são alguns dos desafios dos pais das novas gerações.
Com 7 anos, Maria Luiza já possui seu próprio tablet, mas já tem consciência que está sujeita a regras estabelecidas pelo pai, Jackson
Com 7 anos, Maria Luiza já possui seu próprio tablet, mas já tem consciência que está sujeita a regras estabelecidas pelo pai, Jackson

Com 7 anos de idade, Maria Luiza já possui seu próprio tablet, que usa para jogar, assistir vídeos de seu interesse e pesquisar sobre seus desenhos e personagens favoritos. Apesar de mexer no aparelho com desenvoltura, a menina tem consciência de que sua utilização do aparelho também está sujeita a regras, e não troca as brincadeiras com as amigas pelos jogos eletrônicos: “Hoje só passei 5 minutos. Geralmente só uso quando não tenho nenhuma amiguinha para brincar”, disse Maria Luiza. De acordo com seu pai, Jackson, acompanhar a velocidade com a qual ela aprende a utilizar a tecnologia é um desafio, ainda mais porque o modelo de paternidade e infância vivenciados por ele foram muito diferentes:

“Minha infância e adolescência foram baseadas em brincadeiras de rua, aqueles brinquedos de antigamente: jogar bola, esconde-esconde, brincar de peão. Morávamos em uma casa de rua, uma casa de bairro. Hoje, em função até mesmo da violência urbana, esse tipo de moradia tem migrando para apartamentos, que gera um pouco de enclausuramento das crianças e adolescentes. A facilidade da tecnologia supre um pouco essa falta. Cada vez mais a criança é apresentada mais cedo às tecnologias”, disse Jackson. Privar a filha do convívio com os aparelhos eletrônicos, para ele, não é uma opção: o uso do tablet e da internet se apresentam como realidade que eles, enquanto pais, devem regular e acompanhar de perto, sem deixar de lado as brincadeiras fora das telinhas e a convivência em família.

“No início nós ficávamos um pouco receosos, porque é muita informação e nós sabemos que é um meio que pode trazer alguns perigos. Temos que ter um certo controle, um cuidado redobrado, mas não podemos evitar. É uma coisa que é uma realidade, mas tem que ser feito com muito acompanhamento, orientação, conversa... Nós observamos que ela é muito mais independente do que nós, pais, éramos nessa idade: ela mesma pesquisa o que gosta e nos explica muitas coisas que não sabemos sobre esse aparelho, mas não podemos esquecer que é uma criança e temos que acompanhar sempre”, disse Jackson.

Muitos pais, assim como ele, também se preocupam em tentar acompanhar as evoluções do mundo tecnológico e das implicações que esses usos podem ter na vida dos filhos. Não é só a tecnologia, no entanto, que diferencia essa nova geração: muitas delas vivenciam em casa relações mais horizontais do que nas gerações anteriores. Divisão de tarefas domésticas entre a mãe e o pai e um foco maior nos interesses da criança enquanto indivíduo autônomo também são algumas características que marcam esses jovens, exemplos que obtém em parte através da internet mas, em grande medida, da própria organização do meio doméstico de suas casas.

De acordo com a Patricia Karla de Souza, conselheira secretária do Conselho Regional de Psicologia, “a função dos pais sempre será ajudar os filhos na tarefa de refletir e confrontar o que chega com a própria realidade a fim de que eles possam desenvolver um pensamento crítico sobre a realidade”. Ela afirma que a alternativa mais segura para acompanhar o uso que as crianças e adolescentes estão fazendo dessas informações está na presença constante de figuras confiáveis de referência, especialmente familiares, que sejam capazes de proporcionar o diálogo aberto e honesto do qual essa geração necessita. “O avanço da tecnologia sempre trará consigo riscos e avanços. Somente a avaliação do uso que reservamos a ela que demarcará seu sentido positivo ou negativo em nossas vidas.”, destacou a psicóloga.

Com ou sem tecnologia, o afeto  permanece sendo a coisa mais buscada pelas crianças na relação com os pais. A pequena Maria Luiza deixa claro que quando os pais estão em casa, sua preferência é criar jogos para brincar com eles. Já o pai, busca acompanhar o ritmo da filha e, ao mesmo tempo, trazer elementos de sua infância para as brincadeiras “Sempre que viajo, busco presentes como peões, bolas... Brinquedos da minha época que muitas vezes ela ou os meus sobrinhos nem sabem como se usa, mas vamos aprendendo juntos, eu a acompanhar eles nas tecnologias, eles a brincar com os brinquedos com os quais brincávamos”, disse Jackson.

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