Otacílio Lopes Cardoso

Publicação: 2019-07-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Este dezenove de julho de 2019 marca os cem anos de um homem que foi, na segunda metade do século vinte - faleceu em 1999 - o melhor conhecedor da vida literária desta Natal de quatro séculos. Um menino leitor do ‘Tico-Tico’, rapaz tímido, e um homem feito discreto no jeito de ser que reuniu um acervo literário. Conheceu, no seu tempo, os poetas e prosadores desta província submersa, no dizer do outro Octacílio, o Alecrim, o proustiano macaibense.  

Conheci Otacílio no terraço da Afonso Pena, 755, ele irmão do meu sogro, Omar Lopes Cardoso, farmacêutico, tenente revolucionário de trinta e capitão da reserva. Uma noite perguntei se conhecera Jorge Fernandes. Ele falou sobre o poeta, rememorando, como se diante dele, no Café Majestic. Ainda cedo da noite, quando os homens feitos saiam do Royal Cinema e iam devorar o sanduíche de pernil de porco para matar a fome naquela Natal de vida aldeã.

Sabia a história de todas as velhas tipografias e seus tipógrafos desaparecidos, e foi uma das fontes principais de Manoel Rodrigues de Melo que cita seu nome várias vezes nas páginas do “Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte (1909-1987)”, e que Woden Madruga teve a sensibilidade de publicar, em 1987, ao presidir a Fundação José Augusto. Hoje é uma fonte indispensável a quem desejar contar como fomos e pensamos ao longo de quase dois séculos.

Teria sido contista e cronista, esculpido, que era, no talhe talentoso dos bons contadores de história, mas uma timidez feroz escondeu seu grande talento. Tanto que quando aceitou, por insistência dos amigos, participar de um concurso de contos promovido pela Fundação José Augusto, ficou entre os melhores. As antologias locais, e até nacionais, dificilmente escapavam do crivo do saber dos seus olhos, identificando a ausência de poemas, nomes e informações.

Devo a ele a descoberta de João do Rio. Um dia puxei conversa, entre um gole e outro do velho Moscatel que tanto gostava. Demorou-se a falar sobre Paulo Barreto, retratando cada livro. Dias depois, veio com um exemplar de ‘A Arte e a Neurose de João do Rio’, do médico Neves Manta, quinta edição, Francisco Alves, 1977,  com a Vênus de Milo na capa toda azul,  - um estudo sobre a morbidez na personalidade do autor de ‘A Alma Encantadora das Ruas’.

A dedicatória, naquela sua letra miúda e firme, na página amarelada de tantos anos, diz assim: “Vicente: Como sei que V., na qualidade de homem de jornal, tem admiração pelo controvertido, mas inegavelmente talentoso João do Rio, ofereço-lhe este estudo do professor Neves Manta, que, a julgar pelo número de edições, deve possuir algum valor”. Otacílio é pai de Nadja e Nadja. Casou com a professora Júnade Caldas e viveu ao seu lado um grande amor.

1922 - O escritor e professor Humberto Hermenegildo trabalha na edição crítica do “Livro de Poemas”, de Jorge Fernandes, ícone modernista. Para os 100 anos da Semana de Arte de 1922.

ALIÁS - O modernismo no Rio Grande do Norte tem nomes, como Jorge Fernandes e Câmara Cascudo. Além do regionalismo das cartas sertanejas de Eloy de Souza escritas antes de 1920.

GESTO - A boa transparência da gestão será uma meta da OAB a partir de um provimento do conselheiro Sérgio Freire com o apoio integral do novo presidente, advogado Aldo Medeiros.

CUIDADO - A afetação de algumas figuras do gabinete da governadora Fátima Bezerra vai precisar ser contida. Antes que o puxa-saquismo assuma o estilo que não é de Fátima Bezerra.

OPACO - O que falta para o governo por no ar um portal realmente de transparência, como já anunciou há seis meses? Ou exorbita nos direitos o cidadão que quer saber das contas públicas?

TALENTO - Registre-se por dever de ofício: o projeto gráfico do livro que reúne toda a poesia de Myryam Coeli - Branco & Nanquim - é a bela revelação de um novo nome: Márcio Simões.

QUANDO - Os planejadores do governo parecem sem pressa para uma nova concorrência dos royalties do petróleo. Ou há outros dinheiros em vista ou tudo fica na conta do futuro sem data.

PAIXÃO - A escritora franco-búlgara Albena Dimítrova marcou para setembro seu retorno ao litoral Norte. Desta vez vem para reencontrar Gorbi, a sua paixão que ficou aqui, à sua espera.

ESPAÇO - Já não são tão pacíficas assim as relações políticas dentro do PSOL diante da luta jurídica em torno do mandato do deputado Sandro Pimentel. Defensores de Robério Paulino, hoje na Assembléia, lutam para que ele assuma o espaço. Neste caso, Sandro retorna à Câmara.

SONBRA- A posição do deputado Kelps Lima favorável à devolução de sobras orçamentárias do Legislativo acabou revelando que a Assembléia já abriu mão de R$ 68 milhões. Para Kelps, o fato demonstra por si só que o gesto teria sido possível se a AL tivesse aprovado essa idéia.

RAZÃO - Para os defensores da devolução das sobras, e mesmo que o Judiciário não aceite a decisão, ao Legislativo caberia o gesto em nome da crise. Afinal, afirmam alguns deputados, há sobras aplicadas em banco. O argumento da constitucionalidade cessaria com o pacto político.





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