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Publicação: 2019-06-16 00:00:00 | Comentários: 0
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com Guilherme Amado e Mariana Alvim

David Alcolumbre teve uma conversa dura com Jair Bolsonaro há duas semanas e deixou claro que chegou ao limite da paciência. Avisou que não está mais disposto a se estressar com colegas para socorrer o governo de enrascadas, enquanto Bolsonaro insiste em criminalizar a classe política - da qual ambos fazem parte, frisou. No auge do desabafo, Alcolumbre lembrou do desgaste que sofreu para segurar a proposta de criação da CPI da Toga e, com isso, continuou, salvar a pele do "seu filho, presidente", Flávio Bolsonaro, cuja sobrevivência está nas mãos do Judiciário.

Deltan e Tancredo
Se Deltan Dallagnol, Sergio Moro & Cia tivessem atentado para um antigo conselho de Tancredo Neves, não teriam confiado tanto na inviolabilidade do Telegram. Ensinava Tancredo, alvo costumeiro de escutas telefônicas pelos militares: "Meu filho, só fale pelo telefone aquilo que você pode falar em público".

O Marcelo Odebrecht do MPF Na Polícia Federal ninguém entendeu até agora porque Deltan Dallagnol guardou tantos anos de trocas de mensagens em seu Telegram. Descuido que só tem paralelo em Marcelo Odebrecht, que arquivou cerca de dez mil anotações em seu celular.

Não curtiu
Lobistas do Facebook no Congresso estão inquietos com a chance de ganhar vida uma CPI para investigar Sergio Moro e Deltan Dallagnol. O motivo: a empresa sabe que a investigação avançaria rumo ao Telegram e, muito provavelmente, ao WhatsApp, que pertence ao Facebook.

Sem surpresas 1
O nome do general Luiz Eduardo Ramos como sucessor do ministro Santos Cruz já circulava em alguns gabinetes do Palácio do Planalto há pelo menos três semanas.

Sem surpresas 2
Como disse um ministro que trabalha no palácio, "o Santos Cruz foi demitido oficialmente na quinta-feira, mas um mês antes Bolsonaro já tinha decidido o destino dele, em meio a embates com o Carlos Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, Olavo de Carvalho e Fabio Wajngarten... só não estava oficializado".

Santa penitência
O SBT vai pagar caro por uma travessura de Ratinho. Ele e a emissora foram condenados pelo STJ a indenizar dois padres da cidade de Astorga (PR), com R$ 200 mil para cada um. O motivo é uma reportagem veiculada pelo programa do Ratinho em 1999. Na ocasião, a atração trouxe uma história inusitada: um noivo havia largado sua mulher para ficar com o padre contratado para celebrar o casamento deles. Era mentira. Para piorar, o programa exibiu imagens de um outro clérigo, como se fosse o celebrante do matrimônio. Eles processaram Ratinho e o SBT por danos morais. E levaram.

O que o 'rei' quer contar
Arthur Soares, o notório Rei Arthur, denunciado pelo MPF no escândalo da compra de votos para a Olimpíada de 2016 e hoje foragido em Miami, está negociando uma delação premiada com os procuradores do Rio de Janeiro. São 55 anexos em que o maior fornecedor de serviços de vários governos do Rio destrincha negócios com três ex-governadores: o casal Rosinha e Anthony Garotinho e, claro, Sérgio Cabral - além de parte da elite política fluminense. Os anexos foram entregues em março ao MPF, mas as negociações estão em ponto morto. Há relatos de esquemas de corrupção em secretarias, tais como de Segurança, Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia; em órgãos como o Detran, DER, Corpo de Bombeiros e Seap. O TCE não ficou de fora - é protagonista de alguns anexos. Em geral, a propina paga, de acordo com o Rei Arthur, era de 10% líquido do valor de cada contrato.

Salto triplo
E o que Arthur Soares revela sobre o esquema para o Rio sediar a Olimpíada? Diz que deu, em setembro de 2009, US$ 2 milhões para a contratação de um "lobista" que ajudaria o Rio de Janeiro ser escolhido pelo COI. O dinheiro foi depositado no exterior, na "conta de uma empresa contratada pelo COB". Semanas antes, num encontro a dois no Palácio Guanabara, Cabral lhe explicou que o COB lhe fizera essa demanda. Arthur conta que em 2017 foi surpreendido com as notícias de compra de votos na definição da cidade-sede da Olimpíada.

Que problemão
O Rei Arthur narra também o dia em que foi chamado ao Palácio Laranjeiras por Garotinho, que tinha uma demanda inusual. O então governador "estava com dificuldade em guardar dinheiro" (a propina era paga em espécie). E pediu que Arthur guardasse a grana para ele. Eram R$ 10 milhões, entregues em três malas.

Novos tempos
A Caixa está chamando duas mil pessoas que passaram no concurso feito pelo banco em 2014, ainda sob Dilma Rousseff. E decidiu que entre 50% e 75% das vagas serão preenchidas por pessoas com deficiência (PCD). Apesar de a lei exigir que pelo menos 5% dos funcionários sejam PCDs, na Caixa apenas 1,67% o são.

A terra vai tremer
O pedido de recuperação judicial da Odebrecht está previsto para acontecer já no início da semana.






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