Brasil
Ouro Preto tem 1,4 mil imóveis em risco
Publicado: 00:00:00 - 14/01/2022 Atualizado: 23:26:39 - 14/01/2022
Mapeamento da Defesa Civil de Ouro Preto (MG) aponta que cerca de 1,4 mil imóveis históricos na cidade mineira estão em áreas com risco de deslizamento de terra e deslocamento de rochas. Ontem, dois casarões foram soterrados - como o perímetro já estava isolado, não houve vítimas.

Reprodução
Dois casarões tombados pelo Patrimônio Histórico foram soterramento em Ouro Preto e há centenas de imóveis em áreas de risco

Dois casarões tombados pelo Patrimônio Histórico foram soterramento em Ouro Preto e há centenas de imóveis em áreas de risco


O relevo acidentado, somado ao grande número de imóveis antigos, coloca a região mineira como uma das que têm maior risco geológico no Brasil.

Segundo esse mesmo levantamento da Defesa Civil - de 2016, o mais recente -, há 313 pontos altos onde podem ocorrer desmoronamentos do tipo.

Entre o dia oito do mês passado e ontem, houve cerca de 150 deslizamentos no município. “Desde dezembro, com as chuvas, não paramos um só momento”, conta o geólogo da Defesa Civil de Ouro Preto, Charles Roamazamu Murta.

Para informar a população sobre os riscos e áreas mais afetadas, o órgão municipal usa um aplicativo. As pessoas podem acompanhar em tempo real como estão as chuvas e pontos de deslocamento de terra.

Para Murta, o trabalho técnico evitou uma tragédia. “Os imóveis que foram atingidos estavam interditados há 10 anos por causa do risco. Evitamos a morte de muitas famílias”, finalizou.

As fortes chuvas que caem na região há dias também comprometeram os acessos a cidade e municípios circunvizinhos, como a BR-356 e MG-129, e caminhões e carros precisam aguardar por horas a liberação das estradas.

A Prefeitura de Ouro Preto informou que a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros continuarão a avaliar o terreno atingido e outras áreas que apresentem risco.  A região ao redor onde ocorreu o deslizamento permanecerá isolada. Há possibilidade de um novo desmoronamento, o que poderia atingir um hotel e um restaurante.

Segundo o secretário municipal da Defesa Civil, Juscelino Gonçalves, o morro é composto de rocha filito e xisto. "A terra está muito encharcada, as rochas estão muito encharcada por baixo e isso potencializa o risco de mais deslizamento. Ainda há possibilidade de descida (de terra) neste local", explicou em vídeo veiculado em rede social.

Os dois imóveis atingidos eram tombados, de acordo com informação da Defesa Civil repassada pelo Corpo de Bombeiros, e estavam desocupados, segundo a Prefeitura. O centro histórico de Ouro Preto foi o primeiro bem cultural brasileiro a ser reconhecido como patrimônio mundial pela Unesco, em 1980.

Geólogos da Prefeitura e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) foram chamados para avaliar a situação, os quais identificaram que o movimento de terra ocorre no sentido das casas atingidas e que, portanto, não haveria riscos para outros trechos do entorno do morro. “Esse material, segundo os geólogos, não pode ser retirado de um momento para o outro, sem todas as avaliações e todo um projeto de segurança, porque, se não, pode descer mais material ainda, ter mais deslizamento. E nós não queremos abalar o Morro da Forca.”

Outros desmoronamentos já haviam ocorrido no município desde o início do mês, como nos bairros Vila Aparecida e São Francisco. A rodovia que liga Ouro Preto a Mariana (a MG-129) chegou a ceder, impedindo o tráfego. Além disso, uma estrutura temporária foi instalada após uma queda de terra atingir as imediações do terminal rodoviário.

O Serviço Geológico do Brasil classifica o entorno dos casarios atingidos como de risco "alto" de deslizamento ao menos desde 2016. "Históricos de deslizamentos ao longo da encosta", diz a plataforma, que destaca a necessidade de: "monitoramento constante; alerta em período de chuva intensa/prolongada para remoção da população". Outros mais de 160 pontos no município também são classificados como de riscos "alto" e "muito alto".

Em entrevista a uma rádio local, a Real FM, o prefeito citou ainda que outro deslizamento nos últimos dias ocorreu nas imediações da Igreja Nossa Senhora das Mercês e Perdões. “Ouro Preto é cheia de riscos. Tem uma carta geotécnica que mostra que nós temos riscos em todos os pontos da cidade, em toda a planta urbana, especialmente no bairro Taquaral, que é o foco da nossa maior preocupação. Estamos monitorando as outras áreas onde possa haver também algum acidente.”

O Estado de Minas Gerais tem sido atingido por chuvas constantes desde as últimas semanas de 2021, que deixaram ao menos 25 mortos. Ao todo, 374 municípios (incluindo Ouro Preto) estão em situação de emergência, com 26.492 desalojados e 4.047 desabrigados, de acordo com a Defesa Civil do Estado.

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