Outras poucas e boas de Avelino

Publicação: 2020-10-27 00:00:00
Valério Mesquita
Escritor

01) Avelino Matias, ex-prefeito de Brejinho, conhecido como “Meu Pai” - porque assim gostava de tratar a todos - é figura obrigatória do folclore político potiguar. Sobre ele já narrei incontáveis e impagáveis histórias. Esta começa no Rio de Janeiro, tendo como protagonista o seu filho Heriberto, que para lá viajara a fim de ganhar a vida. Boêmio, logo se integrou à vida noturna carioca, onde conheceu Inês, mulher mais velha que ele, mas estribada no dinheiro e poliglota. A paixão foi tão aguda, que Inês vendeu os bens e veio com o amado para o paraíso perdido: Brejinho/RN. No caminho, de lá pra cá, torraram o dinheiro na mais romântica e irresponsável aventura. Ao chegarem, Heriberto procura Avelino para apresentar a mulher e salvar as aparências. “Pai, essa é Inês, a minha mulher. É parente ainda de Chico Buarque de Holanda.” Avelino em pé, cabeça inclinada à esquerda e ar de nebulosas dúvidas. “Inclusive pai, ela fala cinco línguas!”. Aí o velho “Meu Pai”, não se conteve. “Meu filho, se uma mulher com uma língua só causa um estrago danado, avalie com cinco! Tás lascado!!”. 

02) De outra feita, em Brasília, Avelino Matias hospedou-se no Hotel Gávea com os prefeitos Dr. Estrela, de São Tomé, e Janilson Ferreira, de São José de Mipibu. Sentindo-se doente, não os acompanhou a uma audiência. Tendo um colega como hóspede do mesmo apartamento, Avelino foi consultado pelo Dr. Estrela, que mandou o office-boy comprar os medicamentos. Quando Janilson (muito ligado a “Meu Pai” e da mesma região) retornou, à noite, foi logo perguntando se ele estava melhor. Avelino fez um gesto triste e neutro de nem sim, nem não. “Tomou o remédio?”, indaga Janilson. “Não”, responde Avelino, “Só quando você der uma espiada”.

O3) Contam que, no segundo governo de José Agripino, o casal presidente Sarney visitou o RN e foi recepcionado na residência oficial. Como não poderia deixar de ser, lá pras tantas apareceu por lá o folclórico Avelino Matias, vulgo “Meu Pai”. Ambiente descontraído, o governador Agripino querendo brincar, apresenta Avelino a dona Marly Sarney: “D. Marly quero apresentar-lhe o prefeito “Meu Pai”. A esposa de Sarney não se fez de rogada: “Como vai, dr. Tarcísio!!”.

04) Luís Carlos, ex-vereador de Eloy de Souza passou-me essa história. Consta que Adilson Bilu, prefeito de Senador Eloy de Souza, gozador por natureza, esteve em Brasília hospedado no mesmo hotel com os prefeitos Avelino Matias, de Brejinho, Janilson Ferreira, de São José de Mipibu e Batista, de Georgino Avelino. Adilson não tinha mais com quem aprontar, resolveu telefonar para três “senhoras plantonistas” que, através do real, resolvem os problemas de homens solitários. Só que, ao fazer o contato, deu o número do apartamento onde se encontravam Janilson, Batista e Avelino “Meu Pai”. Quando as caridosas samaritanas chegaram, foram logo tentando ingressar nos finalmentes, enquanto Janilson e Batista tratavam de desfazer o equivoco. Mas a terceira, foi a “Meu Pai” que já estava dormindo. Quando conseguiu acordá-lo, aconteceu o seguinte diálogo: “Minha mãe”, disse Avelino, ‘’Deixe eu dormir, pois sou que nem tirador de leite, durmo e acordo cedo”. Diante da insistência da jovem, ele retruca: “Minha fia, pra encerrar essa conversa mole, eu não liguei pra ninguém e eu, Avelino “Meu Pai”, hoje em dia, só como papa”. E encerrou o papo.

05) Avelino Matias era um autêntico líder do seu povo. Todo dia, o dia todo, “Meu Pai” estava sempre pronto para servir. Início de mandato do governo José Agripino, ele se postou na porta do palácio. “Que é que há, “Meu Pai”?”, perguntou brincalhão o governador estreante. “Estamos só começando!”. “Pois é”, falou Avelino. “Eu quero uma máquina para perfurar um poço, numa comunidade nossa”. “Calma prefeito, deixe eu sentar, pelo menos...”. O folclórico prefeito foi longe: “Ah! E você se senta? Pois eu me levanto às cinco da manhã e me deito às dez da noite. Não tenho tempo pra me sentar não! Faz tempo que me cobram esse poço. Tenho que fazer. Eleitor a gente cuida com cabresto curto. Voto, Jajá, é como perfume bom: se afrouxar a tampa do vidro o vento carrega o cheiro!”. Depois de tanta filosofia o poço jorrou, para alegria de todos.










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