Biblioteca Câmara Cascudo segue sem definição de reabertura para o público

Publicação: 2019-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Em fevereiro se completou 50 anos de inauguração da Biblioteca Pública  Câmara Cascudo (BPCC). A marca era pra ser digna de celebração, mas por enquanto não há o que comemorar. Fechada para reforma desde 2012, ainda no governo Rosalba Ciarlini, a biblioteca atravessou de portas trancadas a administração Robinson Faria e chegou na gestão de Fátima Bezerra ainda sem perspectiva de reabertura. Em janeiro o Diretor Geral da Fundação José Augusto (FJA) no atual governo, Crispiniano Neto, chegou a estipular um prazo de pelo menos seis meses para colocar o prédio pronto para uso. Já estamos em setembro e, em nova avaliação do diretor, não é possível apontar quando será o final da saga da biblioteca.

A Biblioteca completou 50 anos em fevereiro de 2019 e, mesmo restaurada, ainda carece de subestação de energia, acessibilidade, climatização, e equipe própria
A Biblioteca completou 50 anos em fevereiro de 2019 e, mesmo restaurada, ainda carece de subestação de energia, acessibilidade, climatização, e equipe própria

“É mais prudente e mais honesto dizer que estamos envidando todos os esforços, mas não posso determinar data [para colocar a BPCC em funcionamento]”, conta Crispiniano em resposta a esta TRIBUNA DO NORTE. O projeto da Biblioteca contempla galeria de arte, cafeteria, 20 estações de pesquisa, três salas de vídeo com ilha de edição, sala específica para literatura infantil, sala de obras raras, auditório para 60 pessoas. O acervo atual é de 200 mil exemplares.

Segundo o diretor da FJA, para dar de fato o prédio como concluído ainda faltam a “subestação de energia, a acessibilidade, instalação dos equipamentos de climatização e as exigências dos Bombeiros”.  Ele também diz que em recursos estão sendo esperados R$ 884 mil do Governo Federal e R$ 300 do Governo Estadual. Confira a entrevista com o diretor Crispiniano Neto:

Em janeiro você falou que precisaria de pelo menos 6 meses para providenciar o que faltava para pôr a BPCC para funcionar. No caso era o Habite-se, a subestação de energia, a liberação da secretaria de urbanismo, além da criação de uma equipe de funcionários. Qual desses itens já foi resolvido?
Sobre o que está faltando no projeto financiado pelo MinC, atual Secretaria de Cultura do Ministério da Cidadania, constatamos a subestação de energia, a acessibilidade, instalação dos equipamentos de climatização e as exigências dos Bombeiros. Os projetos estão sendo providenciados e somam em torno de R$ 300 mil, que serão licitados em breve.

Quanto custa fazer a BPCC funcionar? A FJA tem algum estudo nesse sentido?
Faltam R$ 884 mil do MinC e R$ 300 mil do Governo do Estado. Da Secretaria de Cultura do Ministério da Cidadania, temos a promessa da liberação de R$ 350 mil reais com que pagaremos parte do mobiliário. Logo que seja feita a prestação de contas, sairá o valor restante para complementar o pagamento do mobiliário, alguns equipamentos e uma aquisição de acervo.

Quantos funcionários são necessários para colocar a biblioteca em funcionamento? Não haveria servidores disponível na FJA para trabalhar no local?
O que mais impressiona é que tenha sido feita uma inauguração sem nenhuma condição de funcionamento [em referência a solenidade de inauguração feita pela gestão Robinson Faria em dezembro de 2018]. Mas isto passou. Agora é a luta para fazer funcionar. Temos poucos servidores, porque a FJA nos últimos nove anos teve 389 aposentadorias entre os 600 servidores de 2010. Mas teremos o básico. Buscaremos acionar a parceria que já está estabelecida em convênio com a UFRN para trabalharmos com estudantes da área e articularemos com a SEEC a possibilidade de um concurso que já está previsto para biblioteconomistas que possam ser cedidos para a BPCC

O Governo do Estado apoiou a Feira Brasil Mostra Brasil, em Natal, o Bossa & Jazz, em Pipa, a exibição do filme Bacurau em Parelhas, a Feira do Bode, em Mossoró. Não haveria recursos do Governo para resolver a situação da Biblioteca?
Vejamos cada caso. Na Feira Brasil Mostra Brasil o apoio é da SETHAS. Trata-se da aquisição de um espaço de 400m². Nos governos anteriores era de 1.600m². Este governo não poderia deixar de apoiar o artesanato, que gera emprego e representa cultura. Pela situação financeira, reduziu a um quarto [os investimentos]. O Sebrae fez parceria e ajudou com mais 400m². O Fest Bossa & Jazz e a Feira do Bode, como outras exposições de animais, receberam apoio via Banco Mundial. Trata-se de verbas carimbadas no Plano de Aplicação que está aprovado há tempos e não pode haver mudanças. Quanto a Bacurau, a FJA apoiou na produção, mas o recurso veio do Turismo, que por sinal já está obtendo retorno com a repercussão na mídia nacional e internacional [que o filme vem tendo]. Em breve vai ter uma exibição do filme em São Paulo para agentes de Turismo de todo o País, sem custos para o RN. Como se vê, não entrou nenhuma verba da FJA nestes eventos.

Quanto ao acervo da BPCC, ele já está nas estantes da biblioteca? Já foram adquiridas novas obras? E mais, a FJA cogita convênio com a UFRN para auxiliar no funcionamento da BPCC?
Tem estantes compradas. Já estão em Natal, mas como não foram pagas pelos nossos antecessores por falta de repasse da Secretaria de Cultura do Ministério da Cidadania [estão paradas]. Estamos aguardando uma verba que nos prometeram e que finalmente vai sair porque cumprimos todas as diligências e as diligências posteriores, pois sempre que cumprimos umas chegam outras. Com esta verba pagaremos as estantes, que serão montadas e aí os livros serão todos acomodados.

Há alguma data prevista para a população ver a BPCC funcionando?
Aprendi que marcar prazo dependendo de outras instâncias, instituições e outros decisores, é muito complicado porque depois a cobrança será natural, mas o cumprimento pode falhar. É mais prudente e mais honesto lhe dizer que estamos envidando todos os esforços, mas não posso determinar data.





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