Brasil
País chega a 100 milhões de imunizados
Publicado: 00:00:00 - 14/10/2021 Atualizado: 23:17:56 - 13/10/2021
Com um Programa Nacional de Imunização que é referência internacional e uma tradição de vacinação já consolidada na população, o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de pessoas totalmente vacinadas contra a covid-19 ontem o que representa 47,11% da população. O País também está próximo de bater a marca de 150 milhões de pessoas vacinadas com ao menos uma dose. São até o momento 149.950.990, ou 70,29% da população que iniciou o esquema vacinal contra a doença.

EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Brasileiros comparecem aos postos de vacinação e 70% da população recebeu pelo menos uma dose

Brasileiros comparecem aos postos de vacinação e 70% da população recebeu pelo menos uma dose


O início da vacinação foi lento no País, com cerca de 300 mil vacinas aplicadas por dia nos primeiros dois meses. A campanha ganhou força em junho e, desde então, são vacinados entre 1,5 milhão e dois milhões de brasileiros diariamente. Em setembro, o Brasil entrou em uma fase diferente da campanha de vacinação e passou a aplicar majoritariamente a segunda dose.

Hoje, o Brasil já supera a Alemanha e os Estados Unidos no número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose. Esses países têm uma disponibilidade muito maior de vacinas e iniciaram a campanha primeiro, em dezembro do ano passado. 

O imunologista Gustavo Cabral, que lidera o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 e outras doenças na Universidade de São Paulo (USP), credita as altas taxas de vacinação à vontade do brasileiro de tomar a vacina e à existência de um Programa Nacional de Imunização forte e bem estruturado. A pressão exercida pela CPI da Pandemia e pela mídia são outros pontos citados pelo pesquisador para justificar o grande porcentual de vacinados em comparação a outros países.  

"Nosso PNI é uma referência internacional e funciona independentemente de quem está no poder. Daria muito trabalho fazer as coisas darem errado. Nós somos feras em vacinação", diz. Cabral fala que o País teria capacidade para vacinar até cinco milhões de pessoas por dia, mas faltou responsabilidade por parte do governo federal para fazer isso acontecer.

Os Estados Unidos, um dos primeiros países a oferecer o imunizante em larga escala a toda a população, enfrentam dificuldades para ampliar a taxa de vacinados. Apesar de a vacina estar disponível para toda a população acima de 12 anos, apenas 64,6% dos americanos aceitaram receber o imunizante. 

O país não tem um programa de imunização estruturado como o Brasil, mas foi um dos que mais comprou vacinas e facilitou o acesso aos imunizantes instalando pontos de vacinação em redes de farmácias, supermercados e shopping centers. Nada disso foi capaz de superar o movimento anti-vacina. "Eles adaptaram uma estrutura que não é usual para eles, mas em alguns Estados mais conservadores a vacinação empacou. O problema é a falta de aceitação. No Brasil, por outro lado, mais de 95% da população quer se vacinar", diz o imunologista.

Em alguns países europeus, o problema começa a se repetir. A vacina está disponível a toda a população adulta desde junho na maioria dos países do continente, mas muitas nações não conseguem aumentar a cobertura vacinal. A Alemanha já foi ultrapassada pelo Brasil na porcentagem de pessoas vacinadas com ao menos uma dose e o Reino Unido deve ficar para trás em breve. Outros países como Suíça, Áustria, Grécia, Hungria e Polônia também vacinaram menos que o Brasil em relação à primeira dose. 

Israel, na Ásia, chegou a ser exemplo de vacinação, exibindo uma das taxas mais altas do mundo. Agora, vê a campanha de imunização travar e está quase empatado com o Brasil, com 70,44% da população vacinada com ao menos uma dose. Ao todo, 64,73% dos israelenses estão completamente imunizados contra a doença. A vacina é oferecida a todos acima de 12 anos. 

Para Cabral, isso também tem a ver com a corrente anti-vacina. O movimento teve origem no Reino Unido em meados do século 19. "Apesar de a Europa ser o continente que mais se beneficiou das vacinas, com o controle milenar de doenças, o movimento anti-vacinas surgiu lá", diz. Para amenizar a situação, países como França e Alemanha implementaram o passaporte sanitário e só permitem acesso a determinados locais a pessoas vacinadas ou com teste negativo para a doença.

Apesar de os brasileiros terem aderido em massa à vacinação, a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, em Washington, acredita que seria um erro subestimar os grupos contrários à imunização. "O movimento antivacina era incipiente quando começou nos Estados Unidos. Ele não ganhou força da noite para o dia. Foi crescendo aos poucos até se tornar um dos maiores do mundo", afirma. 

"Hoje, os Estados Unidos são uma espécie de 'super disseminador' do movimento antivacina. Muitas das teorias de conspiração nascem aqui, nesse movimento ligado a extremistas de direita que espalham fake news", diz.

Marcelo Alecrim entrega caixas térmicas
O empresário Marcelo Alecrim, um dos coordenadores do projeto Unidos pela Vacina (UPV) no Rio Grande do Norte, entregou ontem, 266 caixas térmicas a 75 municípios potiguares. A entrega aconteceu na sede Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), em Natal.

A doação é reflexo do levantamento das necessidades realizado pelo UPV, no segundo semestre de 2020, sendo uma doação pessoal do empresário que acredita ser um impulso para agilizar a vacinação e melhorar a economia potiguar.

“A gente já vê que a vacinação está contribuindo para o retorno das atividades econômicas e me sinto muito honrado em contribuir para que a vacina chegue a cada conterrâneo”, destaca Marcelo Alecrim, presidente executivo do Conselho de Administração da ALE Combustíveis, representante do movimento no Rio Grande do Norte.

O movimento Unidos pela Vacina é liderado por Maria Luiza Trajano e reúne centenas de entidades, empresas, associações e organizações não-governamentais (ONGs). Visa tornar viável vacinar todos os brasileiros até o final de 2021. É um movimento apartidário e sem interesses comerciais com o objetivo de gerar engajamento com foco na solução.

Média de mortes é a menor desde abril
O Brasil registrou 201 novas mortes pela covid-19 ontem. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 318, o menor patamar desde 27 de abril do ano passado, quando o País tinha apenas um mês de pandemia declara e o indicador estava em 281.

Ontem, o número de novas infecções notificadas foi de 1.588, enquanto a média móvel de testes positivos na última semana foi de 11.318 por dia. No total, o Brasil tem 601.643 mortos e 21.596.739 casos da doença. Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1 O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h. Segundo os números do governo, 20,74 milhões de pessoas se recuperaram da covid desde o início da pandemia no País.

São Paulo registrou nove óbitos pela covid nas últimas 24 horas, enquanto o maior total veio de Goiás, com 33. Acre, Amapá, Ceará Rondônia e Roraima não notificaram mortes pela pandemia no período. O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde 8 de junho do ano passado, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

O Ministério da Saúde informou que foram registrados 7.852 novos casos e mais 176 mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas. No total, segundo a pasta, são 21.597.949 pessoas infectadas e 601.574 óbitos. Os números são diferentes do compilado pelo consórcio de veículos de imprensa principalmente por causa do horário de coleta dos dados.

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