País tem recorde de mortes por covid-19

Publicação: 2021-03-03 00:00:00
O Brasil registrou recorde do número de mortes em 24 horas desde o início da pandemia, com 1.726 novos óbitos ontem, segundo o consórcio de veículos de imprensa. A média móvel de mortes pela doença também bateu recorde ao somar 1.274. A sequência de balanços altos ocorre no momento em que o País enfrenta o pico da crise causada pelo coronavírus. O número total de mortes chegou a 257.562, de acordo com o levantamento do consórcio de veículos de imprensa, formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde. Já o registro de casos confirmados chegou a 10.647.845, sendo 58.237 contabilizados nas últimas 24 horas. 

Créditos: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDOAtendimento médico em São Paulo, onde há dificuldade para vagas nas UTIs da capitalAtendimento médico em São Paulo, onde há dificuldade para vagas nas UTIs da capital

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A média móvel de mortes, que registra as oscilações dos últimos sete dias e elimina distorções entre um número alto de meio de semana e baixo de fim de semana, bateu recorde pelo quarto dia consecutivo. Além disso, já são mais de 40 dias com a média acima da marca de 1 mil vítimas.

Estado mais afetado pelo vírus em números absolutos, São Paulo também bateu recorde nesta terça-feira ao somar 468 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Com isso, o Estado chegou a 60.014 óbitos e 2.054.867 casos confirmados. 

Como divulgado pelo Estadão, o governo de São Paulo avalia possibilidade de colocar todo o Estado na fase vermelha, mas com escolas abertas. As novas diretrizes serão anunciadas nesta quarta-feira, 3. Entre os grandes hospitais particulares, pelo menos quatro (Einstein, Oswaldo Cruz, BP e São Camilo) afirmam que atingiram nos últimos dias 100% de ocupação de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para internados com covid-19. 

Segundo o governo, as taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 75,5% na Grande São Paulo e 74,3% no Estado. O número de pacientes internados é de 16.635, sendo 9.225 em enfermaria e 7.410 em unidades de terapia intensiva.

Ainda nesta terça-feira, o Rio Grande do Sul anunciou que ultrapassou 100% de ocupação nos leitos de UTI adulto. Já são 2.824 pacientes internados em 2.818 leitos, incluindo hospitais públicos e privados. O Estado vive o pior momento da pandemia, com todas as regiões em bandeira preta. Em Santa Catarina, desde o dia 21 de fevereiro, quando o Estado atingiu capacidade máxima de internação, foram registradas 16 mortes na fila por uma vaga de UTI.

O número de mortes em 24 horas registrado no Brasil nesta terça-feira (2) é superior ao registrado preliminarmente nos Estados Unidos na segunda-feira (1º) e compilado nos principais painéis de monitoramento. Segundo a Johns Hopkins, os EUA tiveram 1.567 mortes. O número é semelhante ao verificado pela plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, que aponta 1.565 mortes no país. Os EUA somam, desde o início da pandemia, 515.985 óbitos.

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

UTIs em SP estão com 100% de ocupação
Pelo menos quatro grandes hospitais privados da capital paulista - Einstein, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa e São Camilo - informam ter atingido nos últimos dias 100% de ocupação de suas UTIs para internados com covid-19. Com isso, já trabalham na abertura de novos leitos. Ao contrário da Prevent Senior, que decidiu suspender as cirurgias eletivas para evitar superlotação, as unidades consultadas optaram por manter os procedimentos considerados de não emergência.

Na semana passada, reportagem do Estadão revelou que a escalada de casos do novo coronavírus, somada às internações de pacientes com doenças crônicas, colocou pressão em hospitais particulares de elite de São Paulo, que já operavam com ocupação acima dos 90% nos leitos de enfermaria e UTI, somando alas de covid-19 e de outras doenças.

Com 153 internados por covid, a ocupação total no Hospital Albert Einstein era de 100% para pacientes com o novo coronavírus e outras enfermidades. Na quinta-feira, era de 99%, em razão, predominantemente, da realização de cirurgias eletivas que ficaram represadas nos primeiros meses da pandemia e foram retomadas. Mesmo com o cenário preocupante, o Einstein não prevê cancelar procedimentos eletivos.

Dados de ontem do Hospital Oswaldo Cruz mostram que há 140 pacientes internados com covid-19, sendo 82 em unidade de internação e 58 na UTI. As taxas de ocupação são de 85% e 100%, respectivamente. Segundo o hospital, 13 novos leitos em unidade de internação foram abertos e 5 novas vagas de UTI serão abertas ainda em março.

Mas Antônio Bastos, diretor médico do Oswaldo Cruz, avisa que as cirurgias eletivas estão mantidas. "A despeito da pandemia, temos alta prevalência, na população, de doenças crônicas não transmissíveis (cardiovasculares, respiratórias, câncer, diabetes e problemas digestivos), além das ortopédicas e neurológicas", avalia. A instituição acompanha diariamente as tendências da pandemia para adotar ações de forma dinâmica para lidar com o aumento da demanda.

No Sírio-Libanês, as eletivas também estão mantidas. A taxa de ocupação total no hospital chegou a 96% na semana passada e a 91% ontem, Segundo a unidade, há 170 internados com suspeita ou confirmação de covid-19, 49 deles em UTI. Levando em consideração todas as enfermidades, estão ocupados 497 leitos.

A Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP) também registrou, anteontem, ocupação de 100% com 97 pacientes com covid-19 internados. Desses, 47 estão em leitos de UTI. "Nosso sistema de gerenciamento de leitos permite fazer rapidamente os ajustes na quantidade destinada aos casos de covid, garantindo o atendimento de todos os pacientes", afirma Luiz Bettarello, médico e diretor de Desenvolvimento Técnico da BP.

Santa Catarina vai transferir pacientes para Espírito Santo 
Santa Catarina vai transferir pacientes com covid-19 para hospitais da região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. Com o sistema de saúde totalmente colapsado, pelo menos 228 pessoas aguardavam vaga de tratamento intensivo, o Estado também começa a registrar mortes por falta de leitos. 

Desde o dia 21 de fevereiro, quando Santa Catarina atingiu capacidade máxima de internação, foram registradas 16 mortes na fila por uma vaga de UTI.

As transferências vão priorizar pacientes que estão aguardando internações na região oeste, onde a situação é a mais crítica. "Nossa prioridade neste momento é salvar vidas. Em outros momentos, acolhemos pacientes de diferentes regiões do País e, agora, contamos com a solidariedade dos capixabas", afirmou Motta Ribeiro. 

No Espírito Santo, a taxa de ocupação de leitos é de 75%. Com maior número de internados desde o início da pandemia, esta é a primeira vez que Santa Catarina vai transferir pacientes para outros Estados. Em dezembro, a região chegou a receber doentes de Manaus.

Agora, no pior momento da pandemia e com uma taxa de transmissão muito mais acelerada, órgãos de controle e especialistas pedem adoção de medidas mais rígidas de isolamento social. Contudo, o governador Carlos Moisés (PSL) tem relutado em acatar lockdown por 14 dias como pedem os chefes e integrantes do Ministério Público, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Tribunal de Contas, e das defensorias Pública do Estado e da União.

Em reunião com os representantes dos órgãos na segunda-feira, o governador disse que vai aguardar resultados do modelo de isolamento que considera eficiente, com lockdown nos fins de semana e restrição de horários das atividades nos dias de semana.

O número de pessoas com vírus ativo disparou nas últimas duas semanas. Em 15 de fevereiro, eram 10 mil. Nesta terça, 2, foram registrados 41 mil infectados com potencial de transmissão. Já são 7.438 mortos pelo novo coronavírus no Estado.

O risco de desabastecimento de insumos para intubação e oxigênio também é considerado iminente, principalmente dos medicamentos do chamado kit intubação. "Os hospitais estão tendo dificuldades para adquirir insumos de maneira geral, principalmente do kit intubação, que já começa a faltar em algumas unidades", afirmou Adriano Ribeiro, diretor-executivo da Associação dos Hospitais de Santa Catarina (Ahesc).

Segundo apurou a reportagem, gestores das regiões oeste e norte do Estado estão solicitando apoio para não ficarem sem insumos para intubar pacientes.

Brasil, 2 de março
Total de mortes: 
257.562
Registro de mortes em 24 horas: 
1.726
Média de novas mortes 
nos últimos 7 dias: 
1.274 (variação em 14 dias: +23%)
Total de casos confirmados: 10.647.845
Registro de casos 
confirmados em 24 horas: 
58.237
Média de novos casos 
nos últimos 7 dias: 
55.318 por dia (variação em 14 dias: +22%)

Estados
Subindo: (15 estados mais o Distrito Federal): PR, RS, SC, SP, DF, AC, PA, TO, AL, BA, CE, MA, PB, PI, RN e SE

Em estabilidade (8 estados): ES, MG, RJ, GO, MS, MT, RO e PE

Em queda (3 estados): AM, AP e RR